14/07/2022
Aula 4
VOLTAIRE
Voltaire, (1694-1778) foi um dos filósofos precursores do movimento iluminista, tendo sido ao longo de sua vida poeta, ensaísta, dramaturgo e historiador. Ao lado de Montesquieu e Rousseau foram os três nomes de maior relevância para a ascensão iluminista na Europa, com ênfase, na França. Voltaire é, na verdade, um pseudônimo literário de François Marie Arouet, nascido em Paris em 21 de novembro de 1694, sendo de uma família burguesa com forte nome na região, sempre estudou em importantes instituições durante sua vida, tendo uma educação bastante acima da média, aluno do Collège Louis-le Grand, em Paris.
Era um homem considerado intelectual e de temperamento revolucionário, frequentava a Société Du Temple, grupo que unia diversos filósofos, historiadores e pensadores livres para debates sociais. Vale ressaltar que Voltaire cresceu junto a ascensão do renascimento, e como uma espécie de fruto do seu tempo, adquiriu pensamentos racionalistas, que logos se transformaram em uma visão política progressista e contra absolutista, deixando claro desde sempre sua ideia de separação de igreja do estado, além da divisão de poder da estrutura de poder em setores. Fora um dos pensadores a melhor escrever e enfrentar esses problemas, afrontando diversas vezes o monarca Luís XIV, que inclusive lhe rendeu uma passagem pela Bastilha em 1717, e depois foi exilado em Chátenay.
Esses fatos só serviram de combustível para Voltaire, que em 1718 escreveu a tragédia ‘’Èdipo’’, e nesse momento acabou por se transformar em um nome bastante conhecido e admirado no mundo literário, e aquele que era somente um pensador que afrontava o absolutismo, se transformou em um renomado filosofo e escritor admirado em diversos cantos da Europa, e continuava a criticar o clero, os monarcas e o estado absoluto, e em 1729 acabou sendo novamente preso e exilado na Inglaterra. As ideias de Voltaire iam totalmente de encontro com os ideais de Locke, influenciadas principalmente pela Revolução Gloriosa de 1688, que instituiu a monarquia constitucional inglesa, sendo esse o regime que a maioria dos filósofos iluministas defendiam.
Voltaire acreditava que a monarquia deveria sim, existir, mas deveria ser assessorada por filósofos que tivessem a capacidade intelectual para determinar diretrizes para o progresso da nação, e embora fosse sim um defensor dos direitos individuais e coletivos, era descrito como um caso de homem com complexo de superioridade, sendo extremamente arrogante e guardando consigo um certo desprezo pelo povo. A passo de há quem perca um pouco a admiração por Voltaire devido à sua personalidade, tem também quem admire ainda mais, pois mesmo sendo alguém que não acreditava que o povo geral possuía inteligência suficiente para tomar grandes decisões, ainda sim, defendia a liberdade destes para tomar decisões a respeito de suas vidas, e também que todos deveriam ser julgados igualmente, sendo um nobre, membro do clero ou camponês.
Era também um propagandista de ideias liberais, individualismo, liberdade de expressão e direitos iguais, critico da igreja como instituição de poder, não era ateu, e sim deísta, ou seja, acreditava que Deus era presente na natureza e no homem, e não que Deus era uma entidade cósmica super poderosa, desse modo, o percurso para que o homem entrasse em contato com Deus era por meio da razão e da sabedoria.
Em 1744, retornou para Paris, onde foi eleito para a Academia Francesa, além de ter sido introduzido na corte, onde permaneceu por poucos anos, até que em 1749 foi convidado por Frederico II da Prússia para integrar a corte de Potsdam. Lá ficou até 1753, quando se desentendeu com o rei devido aos seus ideais radicais, voltando para frança onde permaneceu até 1778, quando faleceu no dia 30 de maio, em Paris. Podemos destacar algumas frases do pensador para conseguir compreendermos melhor seus ideais como:
• Todo homem é culpado do bem que não fez.
• Todas as grandezas do mundo não valem um bom amigo.
• O mais competente não discute, domina a sua ciência e cala-se.
• O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade.
• É melhor correr o risco de salvar um homem culpado do que condenar um inocente.