15/03/2022
Marxismo-leninismo e linguagem
Texto: Carlos Luz
O materialismo histórico dialético, base filosóf**a da ciência marxista-leninista, faz ver que a realidade objetiva existe independentemente da consciência que dela temos. Esse fundamento diz respeito ao fato de a realidade objetiva ser regida por leis próprias. No entanto, para termos conhecimento destas leis, precisamos criar consciência delas e, para criar consciência, precisamos principalmente da linguagem verbal. A linguagem verbal é, nesse sentido, o principal elemento do desenvolvimento histórico e coletivo da consciência humana. É através dela e de sua razão fundante, o trabalho coletivo em sociedade, que podemos conceber a transformação consciente da realidade que nos rodeia. Graças à consciência, preenchida pela linguagem, que a humanidade pode conhecer o mundo e a sua evolução para transformar conscientemente a natureza e a sociedade de acordo com suas necessidades.
A linguagem surge na comunidade primitiva através das relações de trabalho. Na medida em que ela se desenvolve no conjunto da sociedade, passa a fazer parte das várias esferas da vida social, desenvolvendo-se nessas relações e nos diversos regimes socioeconômicos (escravagista, feudal, capitalista, socialista e, futuramente, comunista). Nesse sentido, e tendo em vista que a linguagem é uma faculdade inerente ao homem, em condições sociais propícias, não sendo, por exemplo, objeto a se tornar propriedade privada, a linguagem/língua não assume, naturalmente, um formato de classe, mas de cultura, sentimento nacional, pertencimento territorial, etc. Não existe uma linguagem própria da classe operária, das classes camponesas, da burguesia. No entanto, existem formas de manifestações da linguagem que, por exemplo, atravessam as classes, o que ocorre devido às esferas da vida social dessas classes. Esse ponto é um fator secundário na relação entre a consciência e a linguagem e pode ser exprimido no seguinte exemplo: a burguesia tende a vedar a possibilidade das classes exploradas em adquirirem conhecimento, por isso dificultam o acesso à linguagem filosóf**a e revestem a linguagem jurídica de abstrações irracionais; as classes exploradas, por sua vez, atribuem uma dinâmica criativa nas bases de suas relações sociais, donde vemos a riqueza dos dialetos e das gírias.
O fator principal da relação entre a consciência e a linguagem reside no fato de que a consciência é preenchida pela linguagem. A consciência e a linguagem, portanto, são de natureza social. Se fulano fala “mandioca”, “macaxeira” ou “aipim”, para se referir ao alimento proveniente da raiz tuberosa, não há nenhuma mudança substancial e a linguagem serve, nesse caso, para refletir a realidade material em determinado espaço e tempo. No entanto, com o avanço econômico material da sociedade, isto é, com o avanço da infraestrutura, e com o surgimento da superestrutura e também de seu desenvolvimento, a linguagem e, portanto, a consciência passam a ser deturpadas, através de outra função que a linguagem passa a assumir em sua relação com a superestrutura social: a função de refração (distorção) ideológica da realidade. É nesse sentido que o capitalismo naturaliza a exploração das classes oprimidas e gera em suas consciências deturpações tamanhas, escalonadas sobre a base do individualismo. A refração ideológica da forma de consciência consiste, portanto, em suprimir, através da linguagem, traços essenciais da realidade, seja no que concerne à compreensão no interior de um fenômeno, seja na relação de determinado fenômeno com os demais.
A par disso, compete ao militante revolucionário desenvolver a sua consciência segundo os princípios que regem a nova postura, conforme a grande tese desenvolvida pelo comandante Antônio PC Veríssimo, a saber, o estudo, a investigação, a formulação, a atuação e a educação, estimulando sua independência criadora. Vale ressaltar que essa consciência, de nível altamente desenvolvido, só pode surgir da aplicação concreta da ciência marxista-leninista e do método científico de análise concreta da realidade concreta, que é o materialismo histórico dialético, sendo que essa aplicação deve ser guiada pela intenção revolucionária do militante e alinhada à linha do partido de vanguarda da classe proletária no rumo da revolução e edif**ação socialistas. Do contrário se torna uma consciência espontânea, vinculada diretamente ao traço empírico e/ou subjetivo, configurando a refração, a distorção, da realidade, que se complementam nos desvios do individualismo e nos desvios da consciência, ou, em uma palavra, na assimilação espontânea da superestrutura capitalista, impossibilitando qualquer forma de consciência capaz de agir na superação do capitalismo. Como tipos dessa refração, por exemplo, na orientação revisionista da própria esquerda, vemos desde as noções que desconhecem o socialismo, passando por aquelas de noções utópicas sobre o socialismo, até aquelas mais dogmáticas, agarradas aos livros e separadas da prática real.
É imprescindível, portanto, que se alinhe o estudo da teoria revolucionária com a prática revolucionária. É necessário combater os desvios e as ideias erradas, não como forma de se sobressair em debates, mas como forma de auxiliar o povo a dar um salto qualitativo na forma de compreensão da realidade objetiva, como forma de curar o doente da doença pela qual padece. É a partir dessa base de mais alta consciência revolucionária, a que a nossa organização chegou, que se originará todo o fluxo de soerguimento das forças produtivas rumo à revolução brasileira!