22/05/2025
Sim para a reforma e ampliação de São Januário
NÃO para um acordo entre amigos
Os sócios estatutários do Club de Regatas Vasco da Gama estão sendo chamados em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) a votar e aprovar a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) que, supostamente, viabilizaria a necessária e desejada reforma e ampliação de São Januário.
No entanto, tudo indica que, mais uma vez, os vascaínos serão vítimas de um engodo, repetindo o modus operandi anterior, com o sócio do CRVG sendo instado a passar um novo “cheque em branco”.
Para começar, a atual gestão MENTIU ao Conselho Deliberativo ao afirmar que a criação da SPE seria feita nos termos apresentados ao Conselho.
Eis que ao enviar aos sócios a convocação para a AGE, surge do nada um “ESTATUTO DA SPE”, documento que não foi objeto de qualquer convocação para análise e aprovação pelo Conselho Deliberativo ou Conselho de Beneméritos. Um documento feito nas coxas, repleto de incongruências, muito provavelmente propositais.
A SPE, segundo o texto do estatuto, terá a duração de 15 ANOS e não se prevê sua liquidação antecipada se, antes deste prazo, forem atendidas as obrigações legais que ensejaram sua criação.
No artigo 5º do Estatuto da SPE garante-se que o Vasco será o único sócio controlador, mas no artigo 21, parágrafo terceiro, se abre a possibilidade de novos sócios controlarem a SPE desde que isso seja autorizado pela prefeitura e o estatuto da SPE seja modificado. E quem pode modificar o Estatuto da SPE? O artigo 8º responde: a Assembleia Geral da SPE, que é composta exclusivamente pela própria diretoria administrativa do Vasco.
Resumindo: pelo estatuto, a Diretoria do senhor Pedro Paulo, sem consultar os sócios vascaínos e contando apenas com o aval da prefeitura, pode vender o controle da SPE.
A atual gestão também mentiu de novo ao Conselho Deliberativo quando perguntada se haveria remuneração para os diretores e conselheiros da SPE e ela informou que não.
Pois no tal estatuto se prevê “remuneração dos membros do Conselho Fiscal”, bem como “pró-labore dos membros do Conselho de Administração, inclusive benefícios de qualquer natureza”.
O que a diretoria deveria divulgar, para dar segurança ao sócio, seria o detalhamento do orçamento da obra, bem como o Memorial Descritivo, pois segundo especialistas ouvidos (arquitetos e engenheiros) o valor que a diretoria diz ser necessário para a reforma e ampliação, R$ 506 milhões, é totalmente insuficiente para um projeto deste porte. Por exemplo, a reforma do Mineirão, feita há 11 anos, custou 700 milhões, mesmo valor que o Santos anuncia atualmente que irá gastar para elevar a capacidade de Vila Belmiro de 17 mil torcedores para 30 mil.
Agora imaginem a seguinte cena: colocam São Januário abaixo (preservando apenas a fachada tombada) e sem dinheiro para terminar o empreendimento, ficamos não só sem reforma e ampliação, mas sem estádio. Com a torcida mais uma vez em desespero, a diretoria vende a SPE dizendo que é a única solução para levantar dinheiro e talvez construir outro estádio em outro lugar.
Este é um cenário impossível?
Não só não é impossível, como diante de tudo que estamos assistindo, é o cenário PROVÁVEL.
Com certeza surgirão vozes nos acusando de “torcer contra o Vasco” e outras barbaridades. Serão as mesmas vozes que ouvimos quando nos posicionamos contra a venda do futebol para a 777.
E isso é importante ter em mente: mesmo com brigas e divisões internas, a gestão do senhor Pedro Paulo é da mesma turma que vendeu ou no mínimo apoiou a venda do nosso futebol para uma empresa picareta, que na época da negociata tinha apenas sete anos de fundação e já acumulava denúncias sobre a origem obscura de seu dinheiro, deixando como legado campanhas vergonhosas, uma dívida de 1,4 bilhão, um adiantamento de 50 anos de 20% das verbas de transmissão televisiva, além de gordas comissões pela venda distribuídas generosamente não se sabe para quem. Para não falar de um elenco caro e pouco qualificado.
O dinheiro que circulará com a suposta Reforma e Modernização de São Januário será certamente insuficiente para a obra, mas será mais do que suficiente para, quem sabe, restaurar velhas amizades.
Sabemos que a AGE será de novo online sem biometria, o que não dá qualquer segurança de que são os que têm direito a voto, os que efetivamente votam.
Mesmo assim, é importante o posicionamento e o alerta sobre o perigo de mais um crime que pode ser cometido contra o Vasco e que, como os demais crimes, ficam invisibilizados e impunes.
Afinal, para as gestões que passaram ultimamente pelo clube a consigna é “aos amigos, parceiros e correligionários, tudo, ao Vasco, nem mesmo a lei”.
O Identidade Vasco, que apoia entusiasticamente a reforma e modernização de São Januário, indica o voto NÃO na AGE desta sexta-feira (23) até que as omissões, incongruências e contradições (propositais ou frutos de incompetência) sejam definitivamente sanadas.
Rio de Janeiro, 22 de maio de 2025
Identidade Vasco – O Vasco é a nossa identidade