08/10/2016
"A cultura não é somente produção cultural em sentido estrito. Cultura é fazimento de cotidiano, é maneira de inventar vida. É preciso pensar a cultura na cidade de forma plena:
Que as escolas sejam centros culturais, animados por ocupações artísticas, pulsando criatividade e sentido.
Que a segurança pública seja produzida também pela cultura, ocupando a cidade, suas praças, calçadas, becos, vielas, ruas, desburocratizando a vida cultural da cidade. Ruas vivas são mais seguras.
Que possamos produzir uma cidade de direitos a partir de uma cultura de direitos. O encontro da diferença sempre produziu o que o Rio de Janeiro tem de melhor e mais rico artisticamente. Mulheres, negros, negras, LGBTQIs, crianças, favelados e faveladas, indígenas respeitados, circulando e fabricando cultura na cidade.
Que a mobilidade urbana seja pensada como direito cultural. Transitar é preciso!
Que seja respeitada a territorialização das políticas culturais municipais. O samba da Pedra do Sal não é o mesmo samba de Padre Miguel. As políticas públicas devem servir para superar desigualdades sociais e territoriais e não para aprofundá-las, respeitando a diversidade e as especificidades de cada pedaço da cidade.
Que os recursos destinados à cultura sejam ampliados e que sua destinação seja transparente, com ampliação do papel do Conselho Municipal de Cultura na deliberação sobre o tema.
Democratizar a cultura é aumentar a participação dos fazedores na gestão cultural.
Por fim, é preciso lembrar que a história da cidade do Rio de Janeiro nos mostra que a produção cultural mais relevante da cidade dependeu de encontros entre segmentos sociais diversos. Dependeu também da invenção de uma cidade criativa feita pela população negra e pobre na sua luta por sobrevivência. Reprimir as culturas populares é matar a cidade, é ameaçar culturalmente o que temos de melhor. As ruas do Rio de Janeiro precisam se alimentar desses múltiplos fazeres culturais.
Com Marcelo Freixo e Luciana Boiteux vamos realizar esse grande arrastão cultural em nossa cidade. A cultura com centralidade na gestão municipal: É Possível!
"
Texto de Adriana Facina, Doutora em antropologia, ex professora da UFF é atual professora de antropologia da UFRJ com atuação no museu nacional.
Propostas para cultura:
goo.gl/15yHi3
Para participar da campanha:
www.marcelofreixo.com.br
Programa completo:
goo.gl/bzrJXg.