02/06/2026
🔥 *O Bonapartismo em Karl Marx e a Disputa pelo Estado em São Paulo: Tarcísio de Freitas, Fernando Haddad e os Projetos em Confronto.*
Em “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, Karl Marx produziu uma das mais importantes análises sobre os momentos em que as classes dominantes enfrentam dificuldades para exercer sua direção política sobre a sociedade. Estudando a França do século XIX, Marx observou que, em determinadas conjunturas de crise, a burguesia deixa de governar diretamente por meio do consenso e passa a apoiar formas de poder mais centralizadas, apoiadas na autoridade, na força estatal e na promessa de restauração da ordem.
Para Marx, o bonapartismo não representa a negação dos interesses da classe dominante, mas uma forma específica de preservá-los quando os mecanismos tradicionais de representação política entram em desgaste. Surge então uma liderança que procura apresentar-se como representante da nação acima dos conflitos sociais, enquanto fortalece os instrumentos de coerção do Estado e reduz o espaço das mediações democráticas.
Essa reflexão permanece relevante para compreender as disputas políticas contemporâneas. No Brasil, após anos de intensa polarização política, crescimento das tensões institucionais e fortalecimento de discursos de segurança e autoridade, o debate sobre o papel do Estado, da democracia e dos direitos sociais voltou ao centro da agenda pública.
Nesse contexto, a trajetória de Tarcísio de Freitas (REP) pode ser interpretada como parte do ciclo político inaugurado pela ascensão do bolsonarismo. Embora sua atuação institucional apresente diferenças importantes em relação ao estilo confrontacionista que caracterizou Jair Bolsonaro, sua liderança permanece associada a um campo político que enfatiza a centralidade da segurança pública, o fortalecimento das estruturas coercitivas do Estado e uma visão mais conservadora e burguesa da ordem social.
Sob uma perspectiva inspirada em Marx, Tarcísio pode ser compreendido não como uma expressão clássica do fascismo histórico, mas como representante de uma direita que busca institucionalizar e estabilizar parte da energia política produzida pelo bolsonarismo. Sua figura procura combinar projeto administrativo com autoridade estatal e governabilidade, transformando impulsos originalmente mais radicalizados em um projeto político de longa duração. Trata-se de uma estratégia que não rompe necessariamente com as instituições liberais, mas que reforça o papel dos mecanismos de controle e segurança como elementos centrais da ação governamental.
É justamente nesse ponto que emerge a posição de Fernando Haddad e do Partido dos Trabalhadores. Na disputa política paulista de 2026, Haddad apresenta-se como principal liderança de oposição ao governo estadual e como representante de um projeto que reivindica a ampliação das políticas públicas, a valorização das instituições democráticas e a centralidade dos direitos sociais como instrumentos de enfrentamento das desigualdades.
Na perspectiva defendida pelo PT, os problemas da segurança pública, da pobreza, da exclusão e da violência não podem ser enfrentados exclusivamente pela expansão dos mecanismos repressivos do Estado. Ao contrário, exigiriam fortalecimento das políticas sociais, investimento público, desenvolvimento econômico e ampliação da participação democrática. Assim, a disputa eleitoral transcende nomes e partidos, assumindo o caráter de um confronto entre concepções distintas sobre a própria função do Estado.
Sob a lente do “18 Brumário”, esse embate pode ser interpretado como uma disputa entre diferentes respostas para uma mesma crise histórica. De um lado, um projeto que atribui à autoridade, à ordem e ao fortalecimento dos aparatos de segurança um papel central na estabilização da sociedade, pautado na necropolítica e normalização da miséria e precariedade da massa. De outro, um projeto que procura reconstruir a legitimidade das instituições democráticas por meio da ampliação de direitos, da inclusão social e da mediação política dos conflitos.
Marx observava que nenhuma sociedade pode sustentar-se indefinidamente apenas pela força. O exercício duradouro do poder exige algum grau de consenso social. Quando a coerção se torna predominante, surgem tensões que tendem a aprofundar as contradições existentes. Por essa razão, a atual disputa paulista pode ser compreendida não apenas como uma competição eleitoral entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad, mas como expressão de um conflito mais amplo acerca dos caminhos da democracia brasileira, do papel do Estado e das formas pelas quais a sociedade pretende enfrentar seus desafios econômicos, sociais e institucionais.
A atualidade do “18 Brumário” reside justamente em demonstrar que as crises políticas não são apenas disputas entre indivíduos, mas confrontos entre projetos históricos. Ao analisar a ascensão de Luís Bonaparte, Marx procurava compreender como as classes sociais organizam o poder em momentos de instabilidade. Da mesma forma, a disputa paulista de 2026 revela diferentes concepções sobre autoridade, democracia, participação popular e desenvolvimento, recolocando no centro do debate questões que permanecem fundamentais para o futuro político do Brasil.
Fique atento aos projetos e propostas, e vote com consciência nesta eleição 2026.
✊🇧🇷🚩
Daniel Carvalho.
Núcleo PT pela Base.