28/06/2026
ARGENTINA VIRA O JOGO — EXPORTAÇÕES AVANÇAM E RISCO-PAÍS MELHORA COM SUPERÁVIT ENERGÉTICO:
A Argentina começa a apresentar sinais mais consistentes de entrada em um ciclo virtuoso, sustentada pela melhora de pilares macroeconômicos essenciais.
As exportações avançaram mais de 20% em dólar entre janeiro e abril, impulsionadas não apenas por preços mais favoráveis, mas também por volumes maiores, com destaque para commodities agrícolas e minerais, manufaturados e energia.
O setor energético é um dos exemplos mais relevantes dessa virada. Após registrar déficit comercial há dois anos, passou a acumular superávit próximo de US$ 9 bilhões nos últimos doze meses, com expectativa de aumento da produção de petróleo e início das exportações de gás natural liquefeito a partir do fim de 2027.
A melhora do setor externo também contribui para dar sustentação ao câmbio, reduz a necessidade de ajustes bruscos no peso e amplia a capacidade do Banco Central de recompor reservas, que já superaram a meta anual de acumulação em 2026.
Esse avanço começa a se refletir na percepção de risco do país. A S&P elevou a nota soberana da Argentina de CCC+ para B-, movimento já antecipado pela Fitch, enquanto os spreads dos títulos externos recuaram expressivamente.
A inflação também segue em trajetória de melhora. Após atingir pico em fevereiro, o índice de preços ao consumidor avançou 2,1% em abril, com núcleo de 1,9%, enquanto as projeções apontam desaceleração gradual em 2026 e 2027.
A atividade, por sua vez, ainda é o ponto mais frágil do cenário, com crescimento modesto de 1,7% no primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, juros mais baixos, maior dinamismo exportador, investimentos em infraestrutura e recuperação da confiança do consumidor podem sustentar uma retomada mais forte nos próximos trimestres.
Nesse contexto, a tese de investimento na Argentina permanece apoiada na combinação de desinflação, melhora externa, recomposição de reservas, queda do risco-país e retomada gradual da atividade.
Via: Money Times