06/12/2021
Polícia para quem precisa de polícia - parte 1
Em 2018, a segurança pública foi a segunda maior preocupação dos brasileiros conforme pesquisa Datafolha e não será diferente nas próximas eleições.
Abrem-se oportunidades para os partidos e as candidaturas de esquerda desmascarar os partidos e candidatos conservadores das falsas soluções para segurança pública, como as falas já conhecidas da grande maioria da população: “Pena de morte”, “Prisão perpétua”, “Rota e exército na rua”, “Redução da maioridade penal”, “Bandido bom é bandido morto” e “Bandido não deve ter direitos humanos”.
A preocupação da população com segurança pública é legitima, no entanto as elites usam o seu monopólio dos meios de comunicação para fomentar estas falsas soluções disseminando ódio, medo e desespero do povo contra o próprio povo. Na prática, desviando das soluções reais. As soluções reais para violência e a criminalidade urbana passam por um programa de segurança pública que atenda toda a população, como parte de uma luta para reduzir a injustiça social.
No Brasil, o 1% dos mais ricos concentraram 49,6% de toda riqueza do país, aponta relatório de 2021 sobre riqueza global do banco Credit Suisse. Esse sistema político-econômico tão perversamente concentrador da renda, nega aos milhões de brasileiros os meios e as oportunidades para poderem morar, trabalhar, estudar, cuidar da saúde, ter lazer e cultura. Nega a dignidade, constituindo-se em uma sociedade que produz a violência social.
O crime organizado movimenta cerca de 2 trilhões de dólares, o que corresponde a 3,6% de toda a riqueza produzida no planeta, dados da UNODC. Estima-se que, só o mercado de dr**as ilícitas, movimenta cerca de 900 bilhões de dólares ao ano, equivalente a 35% do produto interno bruto (PIB) brasileiro, ou 1,5% do PIB mundial.
Cifras por si só astronômicas do tráfico de dr**as ilícitas, de armas, orgãos e pessoas, contrabando, prostituição, lavagem de dinheiro e outras atividades associadas que envolvem mega-especuladores, banqueiros e magnatas. Enquanto as elites exigem mais repressão sobre os mais pobres envolvidos nestas atividades, seguem gozando de total impunidade quando envolvidas com estas mesmas atividades.
Logo, é incorreto afirmar que, com mais repressão policial teremos o fim da criminalidade. As polícias, como estão constituídas hoje, são parte do problema e estão longe de ser a solução.
São frequentes as denúncias do envolvimento de policiais com o crime organizado, milícias, esquadrões da morte, prostituição, tráfico de dr**as e de armas, corrupção ativa e passiva. No Brasil, as corporações policiais têm mantido a lei e a ordem para que as elites continuem a usufruir de seus privilégios e seguir explorando os mais pobres.
As eleições de 2022 poderão abrir caminhos para um processo de mudança nesta conjuntura. Candidatos de esquerda, ligados às lutas sociais populares, poderão dar início a um movimento unificado entre todos, trabalhadores em geral e trabalhadores das forças de segurança, na busca por uma segurança pública cidadã, com participação popular e mantedora dos direitos humanos.
Para tanto, enfrentar os problemas da falta de segurança pública e da criminalidade, é necessário se comprometer em adotar medidas efetivas que resolvam os problemas estruturais básicos como emprego, salário, moradia, saúde, educação. Além de promover a desmilitarização das polícias e do sistema de segurança pública brasileiro combinando com a democratização e o controle popular sobre todas as forças de segurança. Com o objetivo de neutralizar a ação repressiva e assassina das corporações policiais sobre os corpos subalternizados: pobres, negros, LGBTQIA+, povos originários, quilombolas, e lideranças dos movimentos sociais.
Fiquem atentos, pois publicaremos nossas propostas para um sistema de segurança pública cidadã