SobreViver

SobreViver SobreViver: o que acontece depois do estupro é um projeto com objetivo de dar voz as mulheres que sofreram violência sexual. Seja muito bem-vindx! Como?

Muito prazer, somos o Coletivo Capitus! O Projeto Sobre(viver): o que acontece depois do estupro, foi criado por nós e hoje é apoiado pelo Programa VAI (Programa de Valorização a Iniciativas Culturais) pertencente a Secretaria Municipal da Cultura. O objetivo da página é ajudar mulheres que foram violentadas a se expressarem. Recebendo depoimentos via inbox ou por e-mail ([email protected]

m) contando como foi ter sobrevivido. Queremos também alertar a sociedade da importância da discussão deste assunto sob uma nova óptica, pouco explorada: todo o processo que acontece depois do estupro. Importante frisar que os depoimentos serão postados todos de forma anônima e mediante autorização.

Galera, o A Bordar Espaço Terapêutico criado e mantido por mulheres maravilhosas foi assaltado recentemente e, com isso,...
10/06/2019

Galera, o A Bordar Espaço Terapêutico criado e mantido por mulheres maravilhosas foi assaltado recentemente e, com isso, elas tiveram um grande prejuízo. Vamos colaborar para que este espaço continue brilhando? Ajudem com o que puderem, agradecemos

Somos quatro psicólogas periféricas que lutam para manter um espaço terapêutico que promova saúde mental de um jeito que a periferia se identifique.

04/06/2019

Em meio a tanta violência achamos formas de continuar vivendo. A Thaís Ostasevic, compartilhou conosco essa poesia que ela criou para sobreviver.

"Dizem por aí feminismo pra quê?
Feminismo pra quem?
Vamos citar hoje um dos motivos
E o tema vai para os abusos sofridos

Feminismo pra Maria, Mariana, e Thais
Abusadas na infância cresceram infeliz
Feminismo para Cristina, Fernanda e Iasmin
Ainda adolescentes foram abusadas sim
Feminismo para Marta, Lucia e Carla que já em idade adulta também foram abusadas

Feminismo para nós e para elas
que foram abusadas foram silenciadas
Para todas nós que crescemos caladas
E dentro das nossas entranhas nos sentimos culpadas

Foi a roupa, foi a bebida, foi o olhar
Ela merecia
NÃO MERECIA
mas sentia que sua voz não valia
Calada cresceu sem poder contar
sem poder falar
pois a culpa, o machismo, fez ela carregar
E hoje foi só um dos motivos
Que faz a gente gritar
SIM AO FEMINISMO"

10/03/2019

[Gatilho] [TW] [Estupro]

Relato XIV

"Fui estuprada em fevereiro de 2018 e não superei
E nem sei se vou superar
Sou lé***ca, namorava com ela há 2 meses e fomos num bar pro aniversário de um amigo dela e a gente foi no banheiro, começamos a nos beijar e ela disse que queria fazer uma rapidinha, falei que não queria e ela falou que ia ser rápido e não ia doer, falei que não queria e ela me bateu, fiquei paralisada, ela tirou minha calça e minha calcinha, colocou 1, 2 dedos e depois a mão, tava em pânico e não consegui reagir, não sei quanto tempo passou e ela disse que eu tinha gozado e que era a vez dela, falei de novo que não queria e ela me batia e falava que ia ser rápido, tirou a roupa dela e segurou minha cabeça com força e colocou nela, não entendo pq não consegui reagir a nada. Quando tudo aquilo acabou vi que tava sangrando, falei pra ela e ela disse "se limpa porque a gente tem que ir embora"
No caminho de volta ela tentou me convencer de que o que tinha acontecido era normal e que sangrei pq minha menstruação desceu, no dia seguinte ela terminou comigo dizendo que eu não tinha nada mais pra oferecer.
Eu devia saber que isso ia acontecer porque antes disso ela me passou herpes ge***al. Nosso namoro foi complicado ela me batia e gritava o tempo todo, me fazia sentir culpada sempre e fui aceitando pq gostava dela
Eu devo ser muito burra pra ter aceitado tudo isso
Contei pra alguns dos nossos amigos o que tinha acontecido no bar e a maioria ficou neutro porque nós somos mulheres, as vezes me sinto bem e as vezes queria ter morrido naquele dia.
Só queria esquecer tudo isso"

Pessoal, neste sábado dia 09/03 estarei no CEU Vila Rubi, zona sul de SP falando sobre “Cultura do Estupro”. Fui convida...
07/03/2019

Pessoal, neste sábado dia 09/03 estarei no CEU Vila Rubi, zona sul de SP falando sobre “Cultura do Estupro”. Fui convidada pelo projeto Masculinidade Quebrada❤️Colem lá

Assistam ao nosso mini-documentário - Sobre(viver): o que acontece depois do estupro. Ele foi feito com muito carinho po...
11/08/2018

Assistam ao nosso mini-documentário - Sobre(viver): o que acontece depois do estupro. Ele foi feito com muito carinho por todxs os envolvidos

Mini-documentário idealizado pelo Coletivo Capitus que mostra depoimentos reais de mulheres que sofreram violência sexual. O objetivo é mostrar como elas sob...

Venham prestigiar mais uma exibição do documentário "Sobreviver, o que acontece depois do estupro". Dessa vez o espaço q...
29/06/2018

Venham prestigiar mais uma exibição do documentário "Sobreviver, o que acontece depois do estupro". Dessa vez o espaço que nos receberá é o Centro Cultural Grajaú. Que f**a pertinho da estação Grajaú. Venham e nos diga o que acharam. É gratuito!

Endereço: Centro Cultural Grajaú
R. Prof. Oscár Barreto Filho, 252 - Parque America

12/06/2018

[Gatilho] [TW] [Estupro]

Relato XVIII

Quando era pequena eu era uma menina alegre, que gostava de cantar e falar com todo mundo, mas isso mudou quando meu próprio irmão que achava que podia confiar, começou a agir estranho. Ele falava pra mim que nós íamos brincar, claro que eu acreditava, mas ele começou a passar a mão em mim. E assim ele começou a abusar de mim, eu chorava, gritava e ele tampava minha boca. Minha mãe e meu pai trabalhavam eu f**ava sozinha com ele. E quando ele parava ele falava que se eu contasse isso pra alguém ele iria me matar, eu fiquei com medo e confusa eu amava meu irmão, como ele poderia ter feito isso?

Eu fui crescendo e os abusos permaneciam, até que minha irmã nasceu e minha mãe ficou em casa, um alívio. Eu era pequena não sabia por que ele fazia isso. Eu, na maior parte do tempo, f**ava trancada no meu quarto com medo, minha mãe falava pra eu ir brincar, mas eu tinha medo. Achava que todos iam fazer isso comigo. O tempo passou eu fui crescendo, minha irmã também, eu finalmente achava que isso tudo havia acabado, mas estava enganada. Minha mãe saiu e deixou eu e minha irmã com ele, e ai tudo recomeçou. Ele me puxava pro quarto eu gritava segurando na minha irmã e então ele disse que se eu não fosse com ele, ele ia pegar ela, tive medo ..ela não podia passar por isso. Então eu fui, ele começou a me machucar então quando terminou e viu que minha mãe chegou ele me ameaçou e falou em voz alta: Toma essas moedas vai lá comprar doce com sua irmã. Eu peguei e sai. Eu ganhei um diário e escrevi nele sobre tudo e, no final dele, escrevi o nome do meu irmão e "eu amo ele, mas ele me abusa".

Passou o tempo e minha mãe olhou pra mim com meu diário, ela olhou pra mim e falou: O que você quis dizer com isso? Ele te abusa? Ele pede pra você arrumar algo, é isso?

Eu falei que não e foi aí que ela entendeu, sem saber o que fazer ela ligou pra minha vó, ela chorando foi falar com meu irmão, então minha vó chegou e foi falar com ele. Então minha mãe olhou pra mim e falou que eu não podia falar isso pra ninguém e que eu teria que perdoar. Eu balancei a cabeça que sim, então ela me abraçou. Quando meu pai ficou sabendo, ele me perguntou como isso aconteceu, porque não a contei. Eu falei que ele me ameaçou e falei sobre o que ele falou sobre minha irmã, então meu irmão apareceu e falou que não, que ele nunca faria nada com minha irmã, Então meu pai olhou pra mim nervoso e me culpou falou que era culpa minha. E ai fiquei pensando porque? Porque minha culpa? Porque ele fez isso comigo? Eu sou a irmã dele também, não sou?

O tempo passou, eu cresci e tive que conviver com ele na mesma casa até hoje, mas é claro eu nunca fico sozinha com ele. Nas escolas era solitária não falava com ninguém, não conseguia, a timidez e o medo das pessoas tomou conta de mim e até hoje vivo com isso. Não consigo ser uma garota normal que sai e tem amigas, eu simplesmente vivo em um mundo onde não tenho amigas. E vivo escutando das minhas tias: "Essa garota não faz parte da família, não é possível, ela é muito tímida".

Eu já ouvi meu irmão falar pra eu se matar, falou que eu não iria fazer falta pra ninguém. E eu já tentei senti uma depressão forte e tentei me matar. Eu sentei no chão do meu quarto e comecei a chorar com uma lâmina na mão, meu pai viu mas ele simplesmente ignorou isso e saiu. Eu tentei, mas não consegui eu nunca seria perdoada por Deus, então rezei várias vezes pedindo pra Deus me ajudar e me levar com ele.

E até hoje em dia é assim que eu vivo, em um mundo solitário onde sei que nem minha própria família gosta de mim.

10/06/2018

[Gatilho] [TW] [Estupro]

Relato XVII

Por 2 vezes sofri abusos, isso é algo que eu carrego dentro de mim e sei que eu jamais vou conseguir me livrar desse trauma. Ninguém da minha família sabe de nada, sofri e sofro todos esses anos calada, pois nunca tive coragem de contar a ninguém!

A primeira vez foi na época da escola, comecei a namorar um cara mais velho que eu, em uma visita a casa dele, se aproveitou que a mãe dormia na casa de cima e abusou de mim. Me trancou no quarto, tampou minha boca com um pano e ligou o som. Enquanto ele tirava minha roupa eu resmungava tentando pedir socorro, mas era em vão (ninguém conseguiria me ouvir com aquele pano na boca e aquela música alta). Ele fez o que queria, abusou de mim de todas as formas possíveis e o que mais doía era a tortura psicológica, eram as palavras que ele dizia enquanto consumava o ato, que só de lembrar eu me sinto suja, me sinto usada.

Depois de dias que isso aconteceu (sim,se passaram dias e eu não tive coragem de contar a ninguém) meu pai sempre foi um cara durão e eu tenho certeza que se ele soubesse disso tudo, a história acabaria com tragédia. A desculpa que esse ser sem alma me deu foi:

"VOCÊ É MUITO GOSTOSA E EU SOU HOMEM,TENHO MINHAS NECESSIDADES, E NO MOMENTO A VONTADE DE TER VOCÊ FALOU MAIS ALTO. SÓ DE PENSAR EM TE PEGAR A FORÇA, JÁ ME DEIXAVA LOUCO". Depois disso eu nunca mais vi essa pessoa.

A segunda vez foi com um ex-namorado que por ouvir um "EU NÃO POSSO TER RELAÇÕES COM VOCÊ" (pois tinha passado por um processo cirúrgico há 10 dias) ele simplesmente se revoltou e abusou de mim. Não preciso nem dizer como isso me trouxe péssimas lembranças do passado, pois eu já havia passado por isso. Isso também me trouxe problemas sérios com a cirurgia e ouvir do medico:

"ESSA MULHERADA ASSANHADA DE HOJE EM DIA NÃO AGUENTA FICAR SEM S**O, NÃO É? PREFERE COLOCAR A SAÚDE EM RISCO DO QUE SE CONTROLAR?" Ouvir isso fez eu me sentir culpada.

Anos se passaram e, desde a primeira vez que sofri o abuso, eu nunca mais fui a mesma. Volta e meia isso sempre me vem no pensamento e junto com o medo, tristeza e a angústia vem um sentimento de revolta. Tem 10 anos desde o primeiro ocorrido e, até hoje, ninguém da minha família sabe. Sei que mesmo após muitos anos a minha família ainda sim iria sofrer se soubesse de tudo isso.

Só quem passa por isso sabe o trauma que nós carregamos para a vida toda.

Hoje vamos discutir um tema que, a partir de agora, também será utilizado na prática dentro da nossa fan page: A importâ...
08/06/2018

Hoje vamos discutir um tema que, a partir de agora, também será utilizado na prática dentro da nossa fan page: A importância do aviso de gatilho.

Recebemos de uma amiga esta informação, até então desconhecida para nós. Trigger Warning (às vezes abreviado para a sigla TW), traduzido como aviso de gatilho, são notif**ações usadas em publicações que podem desencadear fortes emoções latentes.

Ou seja, nós produtores de conteúdo, podemos avisar previamente nosso público sobre o conteúdo que eles estão prestes a ler/ver. E isso se encaixa perfeitamente na nossa proposta.

Quer saber mais? Deixamos aqui uma matéria bem interessante sobre o tema

Trigger Warning (às vezes abreviado para a sigla TW), traduzido como aviso de gatilho, são notif**ações usadas em publicações que podem desencadear ...

07/06/2018

Relato XVI

Aos 9 anos de idade, após perder meu pai, minha mãe foi trabalhar em SP e f**amos pra trás até ela se estabilizar e voltar pra nós buscar, foi um período longo e sofrido. Nessa época um "amigo" de infância da minha mãe "criado junto" praticamente com ela e os irmãos, pessoa que tinha livre acesso a nossa casa começou a me molestar. Ele entrava durante a noite na nossa casa, me retirava da cama e introduzia o dedo no meu â**s. Por várias noites acordei na sala sentada no colo dele sentindo uma dor infernal. Não sabia o que estava acontecendo, mas tinha verdadeiro terror assim que a noite se aproximava. Isso se repetiu até meus 11 anos.

Foi quando eu, por medo que ele fizesse também com minhas irmãs menores, comecei a dormir muito pouco, na verdade quase nada. E o resultado disso se refletia na escola, era extremamente agressiva com as outras crianças. Tomei coragem e falei pra minha mãe, pior coisa que poderia ter feito, ela me deu uma surra tremenda e disse: "Era pra eu aprender a não levantar falso testemunho contra uma pessoa praticamente da família!". Me calei desde então, mas como ele soube do que havia acontecido me deixou em paz, até meus 13 anos, quando reapareceu tentando outra abordagem. Eu não era mais uma criança indefesa né, ele tentava me agradar com presentes, dinheiro, etc. Nunca aceitei nada!!!!

Nos mudamos de Estado. Quando eu já era mãe de uma menina voltei a minha antiga cidade, visitar minha família. Minha filha tinha 3 anos, ele já estava velho, ainda assim me lembro como se fosse ontem. Eu estava almoçando na varanda do me avô com minha menina, assim que o vi subindo entrei em estado de choque, derrubei o prato e saí correndo pra dentro de casa. Minhas tias foram atrás sem entender, eu só conseguia pedir que elas pegassem minha menininha pra mim.Terror de pensar que ele pudesse tocar nela. Depois de muito choro, daqueles que lavam a alma, eu consegui contar todo o mal que ele, o amigo de infância deles, me causou. Elas, minhas tias, choraram comigo e deram uma surra nele.

O estrago já estava feito, sou a única das minhas irmãs que os seios não se desenvolveram, e por anos imaginei que foi porque ele não deixou, quando estava nascendo ele amassou, sugou, machucou. Tenho hemorroidas desde criança, devido as penetrações com os dedos. Hoje consigo olhar pra trás e agradecer por ter sobrevivido, mas por muito tempo só desejei a morte, ainda depois de adulta.

Porque será que ele me escolheu???

Graças a Deus que foi a mim e não uma das minhas irmãs menores. Até a isso hoje consigo ser grata, elas não sobreviveriam a esse abuso. Sou mãe, tenho filhas e sempre ouço o que elas têm a me dizer. Nunca, jamais duvido da palavra delas, estou criando mulheres fortes e independentes.

E se posso deixar uma dica às mães com certeza será essa:

OUÇAM SUAS FILHAS (OS)!! SEJAM CAPAZES DE OUVIR UM PEDIDO DE SOCORRO, AINDA QUE QUE ELE SEJA FETO COM OUTRAS PALAVRAS OU MESMO NENHUMA.

05/06/2018

Relato XV

Fui abusada pelo meu pai, desde sempre. Não tenho muitas memórias de infância, é tudo meio nebuloso. Lembro dele mostrando o p***s quando eu tinha uns 8 anos. Lembro dele me tocando, me forçando a masturbar-lo quando eu era adolescente. Ele destruiu minha auto confiança, escondi isso durante anos. Há 3 anos tive um surto psicótico, pânico e depressão severa. Minha psiquiatra diz que foi devido a situação de estresse que sempre vivi. Antes de adoecer, nunca tive acompanhamento sobre os abusos. Nunca consegui me relacionar com homens, sem o mesmo perfil abusivo. Meu ex-marido me batia e eu achava que era normal. Consegui me libertar da culpa. Hoje encontrei um homem que me respeita como mulher. Foi um longo caminho até ver que a culpa não era minha, nem dos abusos nem das agressões durante meu casamento.

Nossa exposição estará na estação Brás da CPTM até o dia 21/07
03/06/2018

Nossa exposição estará na estação Brás da CPTM até o dia 21/07

Endereço

São Paulo, SP
03046-010

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