Sarau Asas Abertas

Sarau Asas Abertas Levamos arte, especialmente a escrita, para dentro de instituições prisionais do estado de SP, sejam adultos ou menores. Nosso trabalho é gratuito. E gratuito.

Buscamos, através da arte, abrir diálogo entre a sociedade e internos do sistema prisional do estado de SP, sejam adolescentes em medida sócio-educativa ou adultos em regime semi-aberto ou fechado. Acreditamos na arte como conciliadora e promovedora da inserção e conhecimento de si. Asas Abertas é o projeto da Paideia, de Jaime José Teixeira Queiroga. Fazemos saraus de até 3 horas dentro das insti

tuições e todos têm a oportunidade de mostrar sua arte. Levamos, também, estudantes interessados em discutir com seriedade e respeito a situação do preso (a). Venha conhecer este trabalho.

Sábado faremos poesia e roda de conversa sobre literatura e arte dentro do cárcere na Biblioteca São Paulo.Dia 25, das 1...
21/11/2023

Sábado faremos poesia e roda de conversa sobre literatura e arte dentro do cárcere na Biblioteca São Paulo.
Dia 25, das 14 às 15:30h.
Meu irmao Marcos, ou , estará presente falando, cantando e declamando.
Esta foto foi tirada por , no Museu da Língua Portuguesa em 2022, no sarau Língua Afiada, em que fomos a convite e honra por Sérgio Vaz ( ). Obrigado, mestre.
Prestação de contas: Asas Abertas recebeu cachê para este evento e ele será destinado para os palestrantes do dia.

Dia 25 de novembro, na Biblioteca Cruzeiro do Sul, 2630, ao lado do metrô Carandiru.O cachê do evento será distribuído p...
08/11/2023

Dia 25 de novembro, na Biblioteca Cruzeiro do Sul, 2630, ao lado do metrô Carandiru.
O cachê do evento será distribuído para os palestrantes convidados, todos egressos do sistema carcerário.

Penitênciária feminina em São Miguel Paulista, ontem.Obrigado, Dra.Lívia.Foram doados 45 livros novos para a biblioteca ...
26/10/2023

Penitênciária feminina em São Miguel Paulista, ontem.

Obrigado, Dra.Lívia.
Foram doados 45 livros novos para a biblioteca da unidade.

Conversei com as mulheres, fizemos poesias, rimos e noa abraçamos. E aprendi muito.

Obrigado!
Sarau Asas Abertas

Fundação CASA Ruth PistoriTem tempo que estou pra por esta foto. É sempre difícil (e lindo) voltar numa unidade para men...
03/09/2023

Fundação CASA Ruth Pistori

Tem tempo que estou pra por esta foto. É sempre difícil (e lindo) voltar numa unidade para meninas aprisionadas, ou em medida socioeducativa, segundo o ECA.
Peço perdão a Oliveira, Gih Trajano, Zica e Miriam pelo atraso. Falha minha, reviravoltas minhas, revoltas minhas. Mas sei que também acontecem com vocês.
Doamos 95 livros neste dia. Diretamente para elas.
Declamamos poesias, contamos nossas histórias e a ouvimos. E elas queriam falar. E precisavam. E também precisavam chorar. O que eu não esperava é que entre nós, os adultos, tínhamos muita correnteza acumulada. Obrigado, meninas.
Nosso sarau, conversa, mãos dadas, choros, risos, cantos e olhares durou mais de 3 horas. Infelizmente, daquelas meninas, algumas já eram conhecidas de outras entradas. A parte boa é que, num país que não cansa de matar e calar seus jovens, ainda estão (espero) vivas e vivxs.
É sempre humanamente arriscado, controverso, forte, único e necessário entrar numa unidade prisional feminina, seja adolescente ou adulta.
Obrigado, ; .trajano; e por este dia. E também pelo de hoje, quando me recordei do que é estar nestes ambientes. Obrigado por não desistirem. Obrigado por conseguirem sair de lá, mas, por mais controverso, ficarem com elas, eles e elxs. E comigo.
Que as meninas sejam felizes. Que o país as veja como flores, não como desterro.
Salve a liberdade de um abraço apertado.
Sarau Asas Abertas
Desde 2013 em unidades prisionais

“Com efeito, acima das diferenças que separam um quadro de um hino, uma sinfonia de uma tragédia, há neles um elemento c...
10/04/2023

“Com efeito, acima das diferenças que separam um quadro de um hino, uma sinfonia de uma tragédia, há neles um elemento criador que os faz girar no mesmo universo. Uma tela, uma escultura, uma dança são, à sua maneira, poemas. E essa maneira não é muito diferente da do poema feito de palavras. A diversidade das artes não impede sua unidade. Ao contrário, destaca-a.”

A poesia ostenta todas as faces. O poema está presente naquilo que vai para além da linguagem. O poético é uma experiência de romper o si para ser o outro. É como uma escrita e uma leitura que se usa ou não de palavras. Na terça-feira, dia 18 de abril, o Laboratório Artes e Micropolíticas Urbanas convida a todes para conversar sobre as poesias que moldamos com nossas vidas e os viveres que moldamos com nossas poesias, tomando como inspiração os textos de Octavio Paz (Poesia e Poema, introdução do livro O arco e a lira) e Michel Foucault (A escrita de si).

Com participação de
Jaime Queiroga (), projeto criado em 2013 levando literatura e poesia para unidades prisionais e socioeducativas em São Paulo.
Alaor Alves (), um Ser que se faz poeta através e apesar das adversidades da vida, ou até mesmo por elas. Integrante da poesia marginal paulista e filósofo destruidor de muros.

Gratuito e aberto ao público, o Grupo de Estudos Escrita | Escritura Poéticas de Si acontece em formato online, pelo Google Meet. O Grupo de Estudos do LAMUR é um convite ao encontro coletivo para construir saberes plurais sobre escrever com as cidades segundo a perspectiva do co-laborar, pensando o verbo como um estar com | fazer com interessados em Escrita | Escrituras. A ação integra a pesquisa Fortalezas Sensíveis: Escritas com as Cidades, organizada por integrantes do Laboratório e pares convidados.

As referências | materialidades para os sete encontros do Grupo de Estudos Escrita | Escritura podem ser acessadas via link inserido na bio do LAMUR.

Escrita | Escritura, poéticas de si

Quando: 18/4, às 19h

Onde: Online, via Google Meet

Organizadores: Beatriz Nogueira (), Natalie Lopes ( ) e Leandro Costa ().

Arte: Raul Soagi ().

Penitênciária Adriano Marrey Ontem, 22/03/23, estive, mais uma vez, submersa nas profundezas da Odisseia de todos nós. L...
23/03/2023

Penitênciária Adriano Marrey

Ontem, 22/03/23, estive, mais uma vez, submersa nas profundezas da Odisseia de todos nós. Laboratório vivo, não para colher histórias e g***r com elas quando me livrar das grades da carne ao cruzar o portão no fim do dia, mas para escutá-las e, juntos, tratá-las com respeito, honra e lealdade. Triangulação pouco compreensível para muitos.
Ali mergulhamos na missão de encontrarmos um ritmo para partilhar a voz - criação de um corpo banhado em fineza sensorial para compreender o que cada Ser presente necessita neste dia. Uma sala aparentemente banal ganha uma função muito clara. Somos tratados pelo remédio da presença, do olho a olho, da alegria, do improviso, do silêncio, do embate, da palavra que jorra e, pelo choque com a doença, acontece a cura. Cura minha, cura tua.
De que? Daquilo que fomos destinados a trabalhar nessa existência: traumas, vícios, quedas, repetições, incompreensões. Certamente, cairemos mais uma vez, faz parte, sempre mais aptos à Vida retornaremos, com experiências a mais, com chagas a menos, processo de maestria de Si. Porém, como enxergamos apenas as sombras da dança que és a Vida, caímos na tentação de supormos que uma queda significa A Queda, o resumo da tal Odisseia. Ando aprendendo que isso também faz parte. Não sinto a dor de milhares que hoje estão privados de suas liberdades corporais e nem pretendo compreendê-las ou saná-las através de um discurso, sei meu lugar. O que se faz naquela sala é tratar aquilo que nos une, que nos iguala: o desespero de um Ser profundamente ferido, seja lá a sua história, honramos essa dor que insiste em te aprisionar, vamos dar passagem a essa voz em clausura. Aquilo que não passava de ruídos desconexos passa a ser balsamo para nossos ouvidos, melodia subjetiva, individual e, portanto, universal, ritmada pelos ciclos agora compreendidos. Escutando e dançando com nossas vozes há tempos abafadas nos tornamos filósofos, curandeiros da Alma. Naquele espaço entro em processo de criação de uma linguagem, um novo tom, um possível som. O corpo vibra e se cura pela reencarnação de nossas células mortas pela descrença no processo da existência. Ontem fui dormir não aliviada, mas viva, e sei que eles também.

Texto e foto de

O tempo não é relativo. A fumaça pro ar é saudação a novos dias.Penitênciária Adriano Marrey. Nem sempre dá para apenas ...
17/03/2023

O tempo não é relativo. A fumaça pro ar é saudação a novos dias.
Penitênciária Adriano Marrey.
Nem sempre dá para apenas ouvir. O Asas Abertas nunca foi um trabalho de poesia, embora ela também faça parte. Nunca entrei em cadeia para a caridade. Sempre entrei para ouvir e aprender sobre mim mesmo. Cada história, cada parco ou largo sorriso, um "tamo junto", "tou orando por ti" diz mais sobre mim do que os encarcerados. Do que se constrói o meu mundo quando um aprisionado é capaz de enxergar a tristeza ou alegria em mim? É preciso desconstruir a percepção do material quando um ser, num lugar privado, te recebe, te abraça e dá a sua blusa encardida e furada pra eu chorar.
Nunca saí melhor do que entrei, seria falta de respeito com eles sair melhor. Às vezes nem saio. E no dia que não entrar, paro o trabalho. O trabalho que me define como Jaime José Teixeira Queiroga.
Cada encarcerado me livra da vontade de continuar rastejando. E também de querer voar apenas sozinho. E têm muitos que acham que estão.
Sei do meu ego. Sei das quedas e das traições. Conheço cheiro de cadeia. Pouco sei de poesia. Ainda não sei da fé no outro, mas tenho certeza da necessidade de não encontrar a resposta do porquê nunca saí melhor, mas sempre precisar voltar.
Lealdade é mais importante que o amor.
Jaime JT Queiroga
Sarau Asas Abertas

Penitênciária Adriano Marrey Txt e fotos de Beatriz Nogueira É preciso estar disposto para acolher a extinção do ser mer...
24/02/2023

Penitênciária Adriano Marrey

Txt e fotos de Beatriz Nogueira

É preciso estar disposto para acolher a extinção do ser meramente pensante por adesão a ideias pré-concebidas e se abrir para a investigação do ser que sente, como uma espécie de arqueologia do sentir, que suspende as falsas verdades doutrinadas e se deixa mergulhar nesse Outro que sempre terá uma memória viva para te narrar. Quem está disponível para se modificar? Ó precioso Cronos, tu permites? Quem pode ter tempo para escutar o grito manso de 2 mil homens?
Em 31/01 iniciamos os trabalhos de 2023 com nossos irmãos na Penitenciária Adriano Marrey II.
Cigarro, grades, olhares, vistoria, agentes, respeito, flores, asfalto, grades, biblioteca, cadeiras em círculo, vazio, silêncio, espera, a chegada, silêncio, irmãos conosco, poesia, filosofia, humano, não humano, dança, batuques, troca de olhares, paz, almoço, retorno, sonhos esparramados, fim, retorno, cela, grades, solidão, solitude, luz, escuridão, casa.
O embaralho de palavras que me chove à mente quando penso no dia 31, abre caminhos para infinitas memórias. Eis a raiz da minha vontade de comunicar não sobre, mas com as vidas encarceradas. Acima de tudo, nunca esqueçamos: são vidas encarceradas. O que pode um corpo em clausura? Lembremos: libertar a palavra não é mero capricho, não é caridade. É condição primordial para se sustentar em Terra, para que as (também nossas) vidas encurraladas não desistam da criação de Si. Liberar a palavra é o maior ato de resistência que enxergo para o século XXI. Libertar a palavra também significa a possibilidade de invenção de novas memórias de Si, porquê não? É percepção do poder do discurso antes engasgado, truncado e distanciado da individualidade. Liberar com os vivos e por aqueles que não tiveram tempo. Essa é a tal ação micropolítica que acredito. É salvação coletiva, é reconhecimento do humano para além do bem e do mal, é criação ética de si, é consciência e não servidão voluntária de nossas sombras e, somente por isso, emancipação e transvaloração de falsas ideias e valores um dia criados pelos donos da palavra até agora dita. Estar lá com eles é escola, é grito manso, é escuta, é aprendizado e, acima de tudo, é o acordar de um sono profundo.

Dos dias em que só o outro consegue captar a necessidade de estar com pés no chão mas a poesia do Existir comungando com...
06/10/2022

Dos dias em que só o outro consegue captar a necessidade de estar com pés no chão mas a poesia do Existir comungando com o outro.
Um dia, cheirávamos a odor de cadeia, mas neste dia em liberdade, mãos cerradas mas unidas, consagrando que o cárcere não nos tirou a honra, a irmandade e o recomeço.
Para meus irmãos e irmãs encarceradas. Para Sérgio Vaz e Mari. Para minha mãe. Para João Carlos Kaká, o meu "Cientista", Alaor, Kiko Bob, Gih Trajano, Mirian, Levi e Oliver Oliveira e os 9 anos de Sarau Asas Abertas.

Foto da minha querida nova irmã Vivi, ou

Penitênciária em Itapecerica da SerraCDP (Centro de Detenção Provisória) masculina de Itapecerica da Serra.Fomos convida...
21/09/2022

Penitênciária em Itapecerica da Serra

CDP (Centro de Detenção Provisória) masculina de Itapecerica da Serra.
Fomos convidados pela unidade para participarmos do dia da cidadania no centro.
Até que tentamos fazer poesia, mas não deu. Fizemos um banquete de sentimentos. A dor de ver tantos jovens entrando pela primeira vez no cárcere e outros voltando. A agonia nossa que foi engolida pelos apertos de mãos, os "obrigado, senhora, or olhar nóis", "dá a mão aí, senhor" , " essa letra aí mexe com a gente, senhora, celoko!".
Que dizer de um encarcerado que te consola? Que dizer de um encarcerado que te benze, onde uma cela com 30 homens entram em silêncio e nos dão de presente ficarem te abraçando, em momento de absoluta paz e aconchego? Que dizer da paz num abraço coletivo numa cadeia?
A poesia é a desculpa. Somos viciados ao ver um pavilhão nos abençoar com sorriso. Pois eles, em pleno sofrimento, dão a caridade de nos sorrir.
O que dizer de Trajano, que depois de tanta neuurose, tanta angústia, tanto desacreditar que sofreu - e ainda-, entra numa cadeia, passa por 12 portas de ferro para ver aqueles humanos? Os cheiros, lamentos, a luz (ou a falta dela), o boi, a gaiada, o varal da roupa, não mudaram. E ela não mudou, apesar de dizer que não fala de amor, derrubou um teto inteiro de abandono e foi e deve e merece ser apaludida de pé por eles e óbvio que por mim.
E Priscila Oliveira, a professora tímida que ganhou o respeito não pela caneta, mas pq pega na mão de um homem preso, olha nos olhos e se apaixona pela grandeza na humildade de um calça bege e blusa rasgada, pede licença para saber a história, divide um copo de água, e ri abertamente em forma de agradecimento pela mão estendida por ela ter ido lá dar voz a eles em seu trabalho. Já a chamava de doutora pelo respeito, a chamo agora pela honra. Não suma de nós.
Sarau Asas Abertas
Arte e literatura COM encarcerados

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