25/05/2026
Angolanas e Angolanos, Africanas e Africanos,
Caros compatriotas na diáspora, Distintos membros da comunidade diplomática, Por ocasião do Dia de África, celebrado a 25 de Maio, data que marca a criação da Organização da Unidade Africana, hoje União Africana, endereço uma calorosa saudação a todos os povos africanos, no continente e na diáspora.
Este ano, a União Africana assinala 63 anos de existência, reafirmando o legado histórico do Pan-africanismo, da solidariedade entre os povos e da permanente aspiração a uma África unida, integrada, próspera, pacífica e soberana.
O Dia de África representa mais do que uma efeméride histórica. Constitui um momento privilegiado de reflexão sobre os caminhos percorridos, os desafios ainda presentes e, sobretudo, sobre o papel que África é chamada a desempenhar numa ordem internacional em acelerada transformação.
O actual contexto global caracteriza-se por profundas mutações geopolíticas, instabilidade económica, disputas estratégicas por recursos críticos, alterações climáticas, insegurança alimentar, conflitos armados, transformação tecnológica, transição energética e reconfiguração das cadeias globais de produção e valor.
Perante esta realidade, África enfrenta desafios complexos, mas também dispõe de uma oportunidade histórica singular: consolidar-se como actor influente da governação global, afirmando-se como sujeito pleno das relações internacionais e parceiro incontornável na construção das soluções para os desafios comuns da humanidade.
O continente africano possui extraordinários activos estratégicos: uma população jovem e dinâmica, vastos recursos naturais, elevado potencial agrícola, crescente capacidade empreendedora, mercados em expansão e uma localização geoestratégica de elevada relevância.
A Agenda 2063 da União Africana oferece a visão estruturante de uma África integrada, desenvolvida e conduzida pelos seus próprios cidadãos, capaz de projectar uma voz forte, credível e respeitada na arena internacional.
Neste contexto, torna-se imperativo que os países africanos intensifiquem os esforços em prol da transformação estrutural das suas economias, apostando na industrialização, na diversificação produtiva, na inovação científica e tecnológica, na qualificação da juventude, no fortalecimento institucional e na integração económica continental.
África não pode permanecer excessivamente dependente da exportação de matérias-primas sem valor acrescentado local.
O futuro do continente exige investimentos consistentes na produção industrial, na agricultura sustentável, na ciência, na tecnologia, nas infra-estruturas, na segurança energética e alimentar, bem como na economia digital.
A Zona de Comércio Livre Continental Africana e os projectos emblemáticos da Agenda 2063 constituem instrumentos decisivos para converter o potencial africano em prosperidade tangível para os povos do continente.
Paralelamente, a cooperação Sul-Sul deve assumir lugar central na estratégia de desenvolvimento e inserção internacional africana.
O fortalecimento das relações com a América Latina, Caraíbas, Ásia, Médio Oriente e demais parceiros do Sul Global — sem excluir uma cooperação construtiva com o hemisfério norte — deve assentar em princípios de respeito mútuo, benefício recíproco, transferência de conhecimento, financiamento sustentável e defesa de uma ordem internacional mais equilibrada, inclusiva e representativa.
Para Angola, o Dia de África possui significado particularmente profundo. A nossa história está intimamente ligada às lutas africanas pela libertação, pela autodeterminação, pela paz, pela reconciliação e pela dignidade dos povos.
A diplomacia angolana manter-se-á firmemente comprometida com a promoção da paz e segurança regionais, com o aprofundamento da integração africana, com o fortalecimento do multilateralismo, com o diálogo entre as nações e com a defesa dos legítimos interesses estratégicos do continente.
Angola acredita numa África capaz de falar com voz própria, negociar em bloco, proteger os seus interesses, influenciar os grandes debates globais e participar, de forma justa e efectiva, nos mecanismos de governação internacional.
Uma África que não aguarde passivamente pela prosperidade, mas que a construa com visão, responsabilidade, disciplina colectiva e confiança nas suas próprias capacidades.
Neste Dia de África, renovamos a convicção de que o século XXI pode, efectivamente, afirmar-se também como o século de África.
Mas esse futuro dependerá da nossa unidade, da nossa capacidade de cooperação, da qualidade da nossa liderança, da valorização do capital humano africano e da determinação em transformar os recursos do continente em desenvolvimento sustentável, inclusão social e bem-estar para todos os nossos povos.
Que este 25 de Maio renove em cada africano o compromisso inabalável com os ideais da unidade, da paz, da integração, da soberania e da prosperidade partilhada.
Viva o Dia de África.
Viva a Unidade Africana.
Viva Angola.
Viva África.
MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES em Luanda ais 25 de Maio de 2026.-
O MINISTRO
TÉTE ANTÓNIO