09/10/2026
DOMINGOS SIMÕES PEREIRA PEDE AOS MILITARES QUE RESPEITEM A NORMALIDADE CONSTITUCIONAL NA GUINÉ-BISSAU.🇬🇼‼️
O presidente do PAIGC, em Bragança para uma conferência, reagiu ao adiamento das eleições de dezembro e disse temer que a Guiné-Bissau siga o caminho dos países do Sahel.
O líder do PAIGC manifestou preocupação com a possibilidade de os militares permanecerem no poder e defendeu sinais concretos de regresso à ordem constitucional.
O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, manifestou, esta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, em Bragança, Portugal, a esperança de que os militares não permaneçam indefinidamente no poder na Guiné-Bissau, apelando ao respeito pelos princípios da reposição da normalidade constitucional.
“Se as entidades que controlam o país querem um voto de confiança e uma oportunidade, devem alinhar-se com os princípios da reposição da normalidade constitucional”, afirmou Simões Pereira, em declarações à agência de notícias Lusa, ao ser questionado sobre o risco de a Guiné-Bissau seguir o percurso de países do Sahel que passaram por golpes de Estado.
A declaração surge num contexto de instabilidade política, depois de as autoridades de transição terem anunciado a inexistência de condições para a realização das eleições gerais previstas para 6 de dezembro de 2026.
Questionado sobre o adiamento do processo eleitoral, Simões Pereira afirmou que ainda não tinha conhecimento oficial da decisão no momento em que prestou declarações. Acrescentou que apresentará a posição do PAIGC depois de consultar as estruturas do partido, de que é presidente.
O dirigente considerou, contudo, que a realização das eleições já enfrentava dificuldades devido ao calendário eleitoral, uma vez que o prazo para a apresentação das candidaturas tinha terminado na terça-feira, 6 de outubro.
“Era só uma questão de confirmação política daquilo que tecnicamente já estava ultrapassado”, afirmou.
Simões Pereira manifestou ainda receio de que a Guiné-Bissau siga o exemplo do Níger, do Mali e do Burkina Faso, países que passaram por golpes militares e processos de transição política nos quais os militares permaneceram no poder.
O presidente do PAIGC foi detido na sequência da tomada do poder pelos militares na Guiné-Bissau e libertado em julho de 2026, tendo-se deslocado a Portugal para tratamento médico.
Segundo as declarações reproduzidas pela Lusa, o dirigente afirmou não saber quando poderá regressar a Bissau. Disse também que não lhe foram comunicadas eventuais condições associadas à sua libertação, que considera poder ter sido condicional ou negociada.
Relativamente à decisão judicial que atribui uma indemnização de 30 milhões de francos CFA, aproximadamente 46 mil euros, a cinco políticos detidos na sequência da crise política, incluindo Simões Pereira, o dirigente considerou que a decisão confirma as críticas à legalidade das detenções.
“Esta decisão por um tribunal da CEDEAO vem confirmar a leitura que se faz, mesmo a nível internacional, e igual àquela que nós já tínhamos: a prisão foi, não só ilegal, como arbitrária”, declarou.
As declarações foram feitas à margem de uma conferência subordinada ao tema “Juventude e Participação Cívico-Política”, realizada na Universidade Politécnica de Bragança (UPB), a convite do Núcleo de Estudantes Guineenses.
Durante o encontro, foi também abordado o impacto da instabilidade política nas oportunidades dos jovens guineenses, sobretudo no acesso ao emprego e nas perspetivas de regresso ao país após a formação académica.
O presidente do Núcleo de Estudantes Guineenses, Rajik Mendes, defendeu a necessidade de os jovens continuarem a acreditar no futuro da Guiné-Bissau, reconhecendo, porém, que a falta de oportunidades leva muitos estudantes a permanecer em Portugal.
O reitor da UPB, Orlando Rodrigues, lamentou igualmente as dificuldades em estabelecer um diálogo institucional com as autoridades guineenses, referindo que iniciativas de cooperação para o desenvolvimento do ensino superior na Guiné-Bissau não tiveram continuidade.
Bissau, 09 de outubro de 2026
Fonte: Agência Lusa / Digital Mídia Global TV