20/03/2026
🇬🇼ADILÉ SEBASTIÃO REAGE ÀS ACUSAÇÕES DO PRESIDENTE DA FFGB🇬🇼
Guiné – Bissau Futebol Clube: nota sobre os desesperados da FFGB
O Presidente da FFGB acusou-me e a mais algumas individualidades que contestam a sua liderança de preparar um atentado contra a sua vida.
Quero apenas dizer que o quero vivo, de muita boa saúde e muito feliz ao lado das pessoas que ama. Aproveito para desejar um eterno descanso à sua/nossa mãe hoje trazida à ribalta, sabe-se lá porquê. Enfim.
A minha discordância com o senhor Presidente da FFGB é no campo das ideias – que não tem – para o desenvolvimento do nosso futebol. Lutarei sempre contra a sua incompetência, sua desonestidade - arraigada num padrão de roubo sistemático de recursos da FFGB para proveito próprio. As acusações levianas demonstram o desnorte que o paralisa e do qual, brevemente, nos veremos livres.
Vou dar-lhe devida oportunidade de provar o que sustenta a sua acusação, em sede própria.
Por ora, vejamos os vossos disparates.
1 – A CONFERÊNCIA QUE NÃO FOI
Assistiu-se hoje a uma extensa preleção. De conferência de imprensa, pouco teve. Foi notória a tentativa de condicionar um dos mais experimentados jornalistas na sala, Alisson Cabral, como quem espera que o silêncio compre a dignidade. A minha solidariedade para mais uma vítima da intolerância.
Falaram muito. E, ao falarem, confirmaram o que nós já sabíamos: andaram a mentir o tempo todo sobre o processo de aquisição do terreno de Nhacra.
Mentiram ao povo guineense. Mentiram à FIFA. A citação dos representantes do vendedor, finalmente, conseguiu tirá-los do covil. O povo não é tolo.
2 – O TERRENO DE NHACRA: A MENTIRA DESMONTADA
Durante meses, o senhor Presidente jurou a pés juntos que o terreno estava pago. Relatórios foram enviados à FIFA com essa afirmação. Entrevistas foram dadas. A confiança foi vendida.
Hoje, perante as câmaras, já não foi possível mentir. A dívida existe. Os 30 milhões em falta são um facto. E a justif**ação apresentada – que o vendedor se comprometeu a pagar a desmatação – é tão frágil que só pode insultar a inteligência de quem ouve.
A FIFA deu 150 milhões para comprar um terreno. A FFGB reteve 30 milhões. E agora quem não recebeu é que tem de pagar seja o que for? Onde é que isto faz sentido?
A questão é simples: o vendedor recebeu, ou não, a totalidade dos 150 milhões? Se não recebeu, onde estão os 30 milhões?
3 – O AUTOCARRO: A DÍVIDA QUE NÃO SE APAGA
Sobre o autocarro, perderam tempo a explicar institutos jurídico-financeiros para tentar negar o que é óbvio. Falaram de letras, de créditos, de cartas. Mas não tiveram a hombridade de admitir o essencial:
O dinheiro que devia pagar o autocarro caiu no buraco deixado pelo descoberto bancário.
A linha de crédito de 80 milhões, facilitada pelo banco para gestão corrente, foi tapada com os 90 milhões depositados a 9 de março. E a Letra de Crédito de 144.000 USD (aproximadamente 85 milhões FCFA), essa, continua por pagar.
O que o senhor Presidente não disse, mas os factos revelam, é que acordaram liquidar essa dívida na próxima semana, com a subvenção da FIFA no âmbito do primeiro desembolso de 2026 do FORWARD 3.0 destinado a fundos operacionais.
Ou seja: vão usar dinheiro que devia formar jovens, pagar viagens, preparar seleções, pagar salários e respetivas contribuições à Segurança Social, para tapar um buraco que nunca devia ter existido. E vão fazê-lo contrariando todas as regras da FIFA.
4 – A SEGURANÇA SOCIAL: O ROUBO AOS TRABALHADORES
Mas o mais grave estava por dizer. E já que o senhor Presidente gosta de se fazer de vítima, permita-me que acrescente mais um capítulo a esta novela:
O armado em vítima Presidente da Federação tem retido, sistematicamente, os valores respeitantes às contribuições para a segurança social, descontados aos trabalhadores da FFGB, sem os entregar à instituição competente.
Sabem em quanto já vai?
775.698.000 FCFA – setecentos e setenta e cinco milhões, seiscentos e noventa e oito mil francos CFA.
Este é o gestor que reclama aplausos. Este é o homem que se diz perseguido. Este é o Presidente que, enquanto desvia 85 milhões do autocarro, 30 milhões do terreno, e agora quase 800 milhões da segurança social, tem o desplante de apontar o dedo a quem exige contas.
Os trabalhadores descontaram. Confiaram. Acreditaram que o dinheiro deles, descontado mês após mês, estava a ser entregue para garantir a sua reforma, a sua saúde, a sua dignidade.
Afinal, estava a ser usado para quê? Para tapar que buracos? Para alimentar que esquemas? Isto é burla. É abuso de confiança.
5 – O PERFIL DE UM SAQUEADOR
Vamos somar, para que o povo entenda a dimensão do saque:
· Autocarro: 85.000.000 FCFA desviados (existem, mas não foram usados para o fim devido; a dívida ao banco continua).
· Terreno de Nhacra: 30.000.000 FCFA retidos (o vendedor não recebeu).
· Segurança Social: 775.698.000 FCFA descontados aos trabalhadores e nunca entregues.
Total: 890.698.000 FCFA – quase 900 milhões de francos CFA.
Novecentos milhões. Do povo. Dos trabalhadores. Do futebol.
Este é o patriota que põe o país em primeiro lugar, o superior interesse de todos, bla-bla-bla.. sabe quanto ajudaria esse montante ao nosso Estado?
O senhor Presidente ainda tem coragem de falar em atentados contra a sua vida? A única vida em perigo é a do futebol guineense, que o senhor está a matar aos poucos, com cada desvio, com cada mentira, com cada conferência de imprensa onde trata o povo como tolo.
6 – AS PERGUNTAS QUE ELE NÃO RESPONDE
Já que a preleção serviu para confundir, e não para esclarecer, deixo aqui o essencial:
A. Onde estão os 85 milhões de FCFA doados pela FIFA para adquirir o terceiro autocarro?
B. Para onde foram esses 85 milhões?
C. O vendedor de Nhacra recebeu, ou não, a totalidade dos 150 milhões? Se não recebeu, onde estão os 30 milhões?
D. Onde estão os 775.698.000 FCFA descontados aos trabalhadores para a segurança social?
E. Quem autorizou a utilização desse dinheiro para outros fins?
E. Os trabalhadores vão receber os seus descontos, ou o senhor Presidente espera que eles também aceitem ser pagos com “desmatação”?
7 – O DESPREZO E A INDIFERENÇA
O senhor Presidente pode continuar a atacar-me. Pode expulsar-me do futebol. Pode inventar listas. Pode chamar-me inimigo. Pode tentar condicionar jornalistas. Pode encenar conferências que mais parecem aulas de direito bancário para analfabetos.
A mim, resta-me o desprezo.
Desprezo por quem trata o dinheiro do povo como se fosse seu. Desprezo por quem mente à FIFA, ao Estado, aos Clubes e aos cidadãos. Desprezo por quem rouba os trabalhadores e depois se faz de vítima. Desprezo por quem, confrontado com a verdade, responde com ataques pessoais e acusações levianas.
Quanto à indiferença, essa é fácil: o senhor Presidente não me preocupa. Quem me preocupa é o futebol guineense, refém de uma direção que o saqueia e depois tenta convencer-nos de que o problema são os outros.
O povo não é tolo. Os clubes não são parvos.
Os 85 milhões do autocarro não apareceram. Os 30 milhões de Nhacra continuam em falta. Os 775 milhões da segurança social não foram entregues. A dívida ao Coris Bank está lá. E a verdade, essa, não se mata com conferências de imprensa nem com listas de sete pessoas.
Ela vem. Sempre vem. E quando vier, o senhor Presidente saberá que o meu único crime foi ter-lhe pedido contas.
Com a paciência de quem sabe que o tempo fará justiça.
Note: Print da Posição Integrada da Conta da FFGB onde foi feito o financiamento APÓS a liquidação: continuamos a dever a LC relativa ao autocarro.
Por Adilé Sebastião
Bissau ao Minuto
“Uma luz ao fundo do túnel”