01/09/2026
// Nota de imprensa
PS ALIJÓ DEFENDE RESPOSTA IMEDIATA À VINDIMA E ESTRATÉGIA DE LONGO PRAZO PARA SALVAR A VITICULTURA DO DOURO
Alijó deve assumir um papel de liderança na discussão regional sobre a crise da viticultura, defende o PS Alijó, que considera preocupante a ausência de uma posição perante uma crise que ameaça o rendimento de centenas de famílias e a própria economia do concelho.
A crise da viticultura do Douro deixou há muito de ser um problema conjuntural. É uma crise estrutural, marcada pela acumulação de stocks, pela dificuldade de escoamento da produção e pela perda de rentabilidade dos viticultores.
O próprio Plano de Ação para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da Região Demarcada do Douro reconhece este desequilíbrio e aponta para a necessidade de combinar respostas imediatas com medidas estruturais de médio e longo prazo.
PARA O PS ALIJÓ, NÃO É POSSÍVEL ESPERAR PELA CONCRETIZAÇÃO DAS MEDIDAS ESTRUTURAIS ENQUANTO OS VITICULTORES ENFRENTAM A VINDIMA DE 2026.
O PS Alijó considera que a prioridade é garantir que a uva produzida este ano encontra solução e que nenhum viticultor f**a sem comprador depois de ter suportado durante todo o ano os custos de produção.
Nesse sentido, considera necessária uma resposta extraordinária que inclua:
• A implementação imediata da recomendação aprovada pela Assembleia da República ao Governo para apoiar a uva destinada à destilação. A Assembleia da República já se pronunciou sobre esta matéria, recomendando ao Governo a adoção de medidas de apoio à destilação de uva, mas, até ao momento, essa recomendação não foi concretizada;
• O Governo não pode continuar a adiar uma resposta quando a vindima já começou na Região Demarcada do Douro e a incerteza entre os viticultores quanto ao escoamento da sua produção é uma realidade. A medida deve ser operacionalizada com urgência, permitindo retirar pressão do mercado nesta vindima e dar uma resposta concreta aos produtores que não encontram comprador para a sua uva;
• Apoio aos pequenos viticultores mais vulneráveis, particularmente aqueles que enfrentam maiores dificuldades de comercialização;
• Levantamento urgente da dimensão real do problema, identif**ando produtores sem comprador, áreas em risco de abandono, custos de produção e preços efetivamente recebidos;
• Mobilização do Governo para uma resposta conjunta para um problema que é regional e tem impacto nacional;
Para o PS Alijó, a recomendação aprovada pelo Parlamento não pode f**ar no papel. Se a Assembleia da República já identificou a necessidade de uma medida extraordinária e a vindima está em curso, o Governo tem de agir agora. Cada dia de atraso aumenta a incerteza dos produtores e reduz as possibilidades de encontrar soluções para a produção deste ano.
O PS Alijó considera ainda que devem ser avaliadas medidas municipais de emergência, à semelhança do que já foi feito noutros municípios da região, para apoiar os pequenos viticultores e contribuir para a manutenção da atividade agrícola e económica no território. Existem modelos de apoio implementados noutros municípios da região e até noutras regiões vinícolas que certamente não resolverão os problemas mas mitigarão parte das preocupações do setor. É inaceitável que o Município de Alijó ainda não tenha apresentado um pacote de medidas extraordinário para o setor, tal como os vereadores do PS já propuseram em reunião de Câmara .
A RESPOSTA À EMERGÊNCIA NÃO PODE, CONTUDO, SUBSTITUIR UMA ESTRATÉGIA DE MÉDIO E LONGO PRAZO.
O PS Alijó reconhece mérito em algumas das propostas no Plano de Ação, mas considera que o arranque da vinha não pode ser sequer considerado sem que se conheça exatamente a natureza e a dimensão do problema e se esgotem outras soluções antes de partir para medidas drásticas.
O reforço da capacidade das cooperativas, a redução de custos, a valorização dos vinhos do Douro e do Porto e o reforço da fiscalização e da rastreabilidade são outras das medidas que considera ter um efeito relevante a médio e longo prazo. A garantia da previsibilidade na contratação da uva, com contratos celebrados atempadamente e onde estejam definidas quantidades, condições e formas de pagamento é um instrumento fulcral para a sustentabilidade do agricultor.
É igualmente necessário apostar numa estratégia plurianual de promoção e conquista de novos mercados, capaz de aumentar o consumo e o valor dos vinhos do Douro.
Para o PS Alijó, esta estratégia deve ser acompanhada por uma modernização do setor cooperativo, por maior capacidade de concentração e comercialização da produção e por uma relação mais equilibrada entre produtores e restantes agentes da cadeia de valor.
O produtor não pode continuar a ser o elo mais fraco da cadeia. Sem viticultores não há vinho, não há paisagem, não há atividade económica e não há futuro para o Douro.
É NESTE CONTEXTO QUE O PS ALIJÓ INSTA O MUNICÍPIO DE ALIJÓ A ASSUMIR O PAPEL QUE LHE DEVERIA CABER NA DISCUSSÃO REGIONAL.
Alijó é um dos principais concelhos produtores da Região Demarcada do Douro e foi o concelho com maior produção de vinho em 2025. A viticultura representa ainda mais de 60% da superfície agrícola utilizada do concelho e o setor primário tinha, em 2021, um peso de cerca de 27% no emprego local . Perante este peso, o PS Alijó considera que o Município deve liderar a construção de uma posição conjunta dos municípios durienses, apresentando propostas concretas e defendendo os interesses dos viticultores de Alijó e de toda a região.
A CIM Douro deverá abordar precisamente uma ação conjunta em torno desta matéria. Contudo, o PS Alijó lamenta que esta discussão só esteja a ser realizada no momento em que a vindima já decorre na região e que o Município não tenha lançado o assunto mais cedo, apesar dos vereadores do PS terem colocado sucessivamente na agenda o problema e questionado sobre medidas concretas de apoio aos viticultores.
Mais preocupante, considera o PS Alijó, é a demora na tomada de posições: “é difícil compreender que Alijó, sendo um dos maiores produtores de vinho do Douro e tendo sido o maior produtor em 2025, não defenda os seus agricultores, as suas famílias e a economia local”, considera o PS Alijó.
Para a estrutura concelhia do PS “não basta reconhecer que existe uma crise. É preciso agir. Esta vindima precisa de respostas agora e o Douro precisa de uma estratégia para os próximos anos. Alijó, pelo seu peso na produção e pela importância que a viticultura tem na sua economia, não pode f**ar a assistir à discussão. Deve estar a liderá-la.”.
Para o PS Alijó, defender a viticultura é defender o emprego, o rendimento das famílias, a paisagem, o comércio local, a coesão territorial e o futuro do concelho.
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📸 Arquivo "Revista de Vinhos"