24/06/2026
A situação da BioAdvance em Vila Verde é o reflexo de um sistema que, perante a pressão e o escrutínio, opta pela opacidade e pelo "jogo do empurra" de responsabilidades.
Como comunidade, não podemos aceitar que o nosso território, a saúde das nossas famílias e a preservação do Estuário do Mondego sejam sacrif**ados em nome de um modelo industrial de alto risco, instalado sem a devida conformidade legal.
É inaceitável que, desde a primeira reportagem televisiva que expôs as irregularidades, o Presidente da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes, não tenha assumido a liderança no esclarecimento cabal aos munícipes. Um verdadeiro comandante é o último a abandonar o barco, e é precisamente esse sentido de responsabilidade e proteção dos seus cidadãos que falta. Não vale a pena, neste momento crítico, tentar sacudir a água para o Partido Socialista que ocupava a câmara anteriormente. Pedro Santana Lopes candidatou-se e foi eleito com a promessa clara de herdar o concelho para fazer melhor; assumir essa herança implica assumir a responsabilidade pelos atos de governação atuais, e não fugir das questões incómodas.
A realidade é técnica e fria: documentos de 6 de março de 2026 demonstram que a BioAdvance labora sem a cobertura legal necessária, com processos estruturantes — como a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), o Licenciamento Industrial (PCIP), a gestão de recursos hídricos e a segurança operacional (RPAG) — indeferidos. Esta é uma situação de ilegalidade administrativa absoluta que exige o embargo imediato da atividade.
Enquanto as entidades como a APA e a CCDR-Centro permitem que o processo se arraste sob uma névoa de incerteza, e o executivo municipal se exime de uma posição firme, a população de Vila Verde, da Marinha das Ondas e de toda a Figueira da Foz continua a exigir o respeito pela sua história e pelo futuro que queremos construir. A nossa postura baseia-se na transparência e no princípio da precaução: esta indústria não tem lugar num ecossistema frágil e junto a zonas habitacionais. A solução técnica existe — a desmontagem e relocalização para áreas industriais preparadas — mas falta a coragem política para a executar.
Rejeitamos este modelo de gestão que ignora as pessoas e as consequências reais na qualidade de vida figueirense. A Figueira da Foz merece ser gerida por quem coloca o interesse público acima de interesses instalados, e por quem tem a hombridade de encarar os problemas de frente, sem desculpas e sem hesitações.