16/02/2026
Ponto 4 de 8 da comunicação enviada ao Ministério da Defesa Nacional e Presidência da Republica em 4 e 5 de fevereiro de 2026.
Queixa à Provedoria de Justiça, irregularidades na sua atuação e falsas alegações transmitidas pelo Exército Português.
Em 2021, apresentei uma queixa à Provedoria de Justiça, baseada apenas em um relatório que elaborei na altura, uma vez que só em fevereiro de 2022 tive acesso a parte da documentação relativa ao meu processo militar.
Acreditei que a Provedoria atuaria com rigor, imparcialidade e sentido de justiça.
Infelizmente, a atuação desta instituição revelou se profundamente dececionante. A forma como a Instituição Provedoria de Justiça tratou o meu caso foi, no mínimo, vergonhosa, marcada por falta de rigor, ausência de análise crítica e aceitação cega das informações fornecidas pelo Exército.
A experiência foi tão negativa que perdi totalmente a confiança nesta instituição e afirmo que não voltarei a recorrer à Provedoria de Justiça.
Em 3 de abril de 2023, após as diligências realizadas junto do Exército, a Provedoria enviou me uma resposta por email. Nesse documento, é possível ler:
“Destas pesquisas resultou que o processo relativo ao acidente ocorrido em novembro de 2011 não se encontra ainda concluído por não comparência de V. Exa. a exames e consultas médicas entendidas como essenciais ao apuramento dos factos e determinação da sua situação clínica.”
E ainda:
“Analisado o esclarecimento que nos foi prestado, verif**a se que, por último, e em 2022, foi convocado para consultas/exames clínicos a realizar em Lisboa (…)”por ter recusado ir as consultas.
Com base nestas informações fornecidas pelo Exército, a Provedoria decidiu arquivar o processo interno, sem mais questionar me ou contestar da decisão uma autentica vergonha.
Esta conclusão é, sem margem para dúvidas, uma das maiores vergonhas institucionais que já presenciei. Não responsabilizo totalmente a Provedoria, pois reconheço que esta instituição não tem poderes executivos, apenas pode recomendar. No entanto, tem o dever mínimo de questionar, confrontar e verif**ar as informações que recebe e isso não foi feito.
Vamos aos factos:
1. Entre 2014 e 2015, quem recusou prestar cuidados médicos?
Foi o RG3 Funchal e a Zona Militar da Madeira que recusaram assumir as despesas de deslocação e estadia para consultas no HFAR Lisboa, apesar de o processo estar em averiguações.
Eu não compareci às consultas porque não tinha meios económicos e porque não existia qualquer despacho que me obrigasse a suportar esses custos.
A Provedoria não questionou o Exército sobre isto.
Ou seja o Exército me colocou para a rua e depois queria que eu fosse às consultas em Lisboa.
2. Porque não compareci às consultas consideradas “essenciais”?
Porque o próprio Exército, através do Gabinete de Oficiais de Justiça do RG3, ZMM recusou apoiar as deslocações, contrariando a lei e os deveres da Administração Militar.
A Provedoria não investigou esta contradição.
3. Em 2022, recusei apresentar me nos serviços médicos?
Sim! Mas com relatório médico, devido a uma lesão e à necessidade de cirurgia. Enviei esse relatório médico ao Gabinete do CEME e ao RG3 Funchal, solicitando alteração das datas das consultas. Nunca recebi resposta.
A Provedoria deveria ter recebido esta informação, recebeu? Se não recebeu, deveria tê la exigido.
Em vez disso, aceitou a versão falsa e de má fé apresentada pelo Exército Português.
4. A Provedoria baseou se apenas numa narrativa unilateral
A Provedoria aceitou como verdade absoluta aquilo que lhe foi transmitido por gabinetes militares, incluindo gabinetes de generais, como se isso fosse garantia de veracidade.
Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário, foram prestados esclarecimentos falsos, incompletos e manipulados, com o único objetivo de afastar responsabilidades.
Instituições que funcionam assim, que tratam processos como querem e bem entendem, não servem o cidadão.
Não defendem direitos.
Não garantem justiça.
Não confrontam abusos.
Não protegem ninguém.
5. A verdade está nos documentos
Os factos existem, estão documentados e provam que:
• eu não compareci às consultas porque o Exército não cumpriu as suas obrigações
• em 2022 apresentei relatório médico e pedi alteração das datas das consultas
• o Exército ignorou esse pedido
• a Provedoria não confrontou estas contradições
• o processo só foi reconhecido como acidente em serviço em 2024, mais de 10 anos, excepto o processo psiquiátrico, que ate ao momento não esta reconhecido como em serviço ( digo ainda não está conhecido porque esse processo tem muito que se diga ainda)
6. Sobre a Provedoria de Justiça e o SEF , tenho de fazer uma comparação!
A atuação da Provedoria no meu caso foi tão fraca, tão superficial e tão desprovida de utilidade que, honestamente, preferia que esta instituição tivesse sido extinta, e que o SEF tivesse permanecido, porque pelo menos o SEF tinha obrigações concretas de proteger quem entrava em Portugal, tinha funções claras, responsabilidades definidas e consequências reais quando falhava.
A Provedoria, tal como está, não resolve nada, não protege o cidadão e não confronta instituições do Estado quando estas mentem ou manipulam informação.
Se o objetivo é ter uma instituição que apenas arquiva processos com base em relatórios unilaterais, então não serve para nada.
E no meu caso, ficou claro que não foi a Provedoria que falhou apenas, foi todo o sistema que permite e continua a permitir que o Exército Português apresente informações falsas sem qualquer escrutínio.
7. A minha posição final
Digo e repito, quem errou vai ter de assumir responsabilidades. Se alguma instituição quiser avançar judicialmente, melhor ainda, estou 100% disponível para apresentar todos os factos, toda a documentação e toda a verdade.
A Provedoria de Justiça, pela forma como tratou este processo, demonstrou que não está à altura da função que desempenha. E, da minha parte, espero nunca mais ter de recorrer a esta instituição.