08/06/2026
Cada vez mais empresários investem no agronegócio em Portugal e Espanha
Mais população, maior pressão sobre a produção alimentar e menos terra arável: esta é a tríade que ajuda a explicar o crescente interesse dos investidores pelo agronegócio.
Entre 2000 e 2024, o mercado agrícola em Portugal e Espanha refletiu um setor em clara expansão, marcado por valorização consistente e volatilidade relativamente contida. Estes indicadores revelam a maturidade do mercado e a sua atratividade para o capital institucional, que procura ativos resilientes, com
histórico sólido e perspetivas de valorização futura.
A agricultura na Península Ibérica afirma-se, assim, como uma classe de activos estratégica para a diversificação de carteiras de investimento. Segundo a CBRE, empresa que analisa o sector imobiliário, esta àrea tem atraído volumes crescentes de capital, tendo ultrapassado os 4,1 mil milhões de euros em investimento institucional entre 2022 e 2024, e mais de 400 milhões de euros apenas até maio de 2025.
A CBRE identifica centenas de investidores nacionais e internacionais com estratégias de investimento em agribusiness, entre os quais se destacam Fundos Especializados em Agribusiness, Investidores Industriais, Family Offices e Fundos Generalistas. Neste universo, os Investidores Industriais representam uma fatia
relevante do capital, enquanto os Fundos Especializados, os Family Offices e os Fundos Generalistas ganham progressivamente peso, cada um com diferentes tickets de investimento, estruturas de transação e preferências de culturas.
Entre 2021 e 2025, foram transacionados cerca de 6 mil milhões de euros em ativos agrícolas entre Portugal e Espanha, com particular destaque para terras de regadio de elevado valor, sobretudo em zonas como o Alqueva e a Andaluzia. O contexto confirma que este mercado se tornou mais profissionalizado,
com produtos e estratégias adaptados a diferentes perfis de investidor.
A atractividade do setor também se explica pelo seu perfil de risco-retorno. De acordo com o índice NCREIF, que mede o desempenho do setor agrícola nos Estados Unidos, o farmland tem historicamente apresentado retornos competitivos e menor volatilidade do que classes como equities, REITs ou corporate bonds. Esse comportamento reforça a perceção da agricultura como um activo de longo prazo, capaz de combinar estabilidade, rendimento e proteção relativa em ciclos de mercado mais exigentes.