02/06/2026
Boa noite, Águas Santas.
Hoje não venho falar de números nem de cargos.
Venho falar de pessoas.
Venho falar de uma freguesia que me moldou, que me levantou, que me feriu e que me curou — e que, mesmo quando me falhou, nunca deixou de ser casa.
Há quase 30 anos, numa pequena praceta, nasceu algo simples: a vontade de cuidar.
Cuidar do lugar onde vivíamos.
Cuidar uns dos outros.
Cuidar daquilo que ninguém cuidava por nós.
Assim nasceu a Associação de Moradores da Praceta António Gonçalves Lage, com a Fátima Rodrigues ao meu lado.
Não nasceu perfeita.
Não nasceu grande.
Mas nasceu verdadeira.
E quando algo nasce verdadeiro, toca as pessoas.
Outras zonas da freguesia pediram ajuda. Fomos. Refundámos a associação. Fizemos o que estava ao nosso alcance — e muitas vezes fizemos o que não estava. Nascia a Associação de Moradores e Amigos de Águas Santas.
Depois veio o Rio Leça.
E com ele veio a dor de ver um rio doente, esquecido, tratado como se não fosse de ninguém.
Mas era nosso.
Sempre foi.
E por isso lutámos.
Chamámos quem podia ajudar. Explicámos. Mostrámos. Insistimos.
Em 31/07/2017 tivemos a visita das deputadas Catarina Martins e Maria Rola do Bloco de Esquerda.
O sistema não mexeu, mas nós continuámos.
Porque às vezes não lutamos porque acreditamos que vamos vencer.
Lutamos porque não conseguimos ficar calados.
Depois veio a parte mais dura: a saúde a falhar, companheiros a desistir, portas a fechar.
E eu fiquei sozinho.
Sozinho com a minha freguesia.
Sozinho com a sensação de que, se eu parasse, tudo aquilo que tínhamos construído podia desaparecer.
E foi nesse silêncio que tomei a decisão mais importante da minha vida cívica:
recomeçar.
Em 2023, fundei o Movimento Cívico por Águas Santas.
Comecei com quase nada, mas com a Fátima Rodrigues, novamente comigo, dei o passo.
Uma página no Facebook.
Uma vizinha ao meu lado. O João Pedro, fiel e jovem amigo, o António, o Tiago, o Hugo, sempre a incentivarem o nosso trabalho.
Uma vontade enorme de não deixar a minha, nossa terra, cair no esquecimento.
E então… as pessoas começaram a chegar.
Primeiro dezenas.
Depois centenas.
Hoje somos, mais de 1800.
1800 pessoas que acreditam que Águas Santas merece mais.
1800 pessoas que não têm medo de dizer a verdade.
1800 pessoas que sabem que a mudança começa sempre com alguém que se recusa a desistir.
Ligámo-nos ao SOS Rio Leça. Unimos forças. Unimos freguesias. Unimos histórias.
Já tentaram calar-nos.
Já tentaram intimidar-nos.
Mas quem vive para servir a sua terra não se cala.
Porque isto não é política.
Isto é pertença.
Isto é amor.
Isto é casa.
No final de 2025, juntámo-nos também a Milheirós.
Hoje caminhamos juntos, com o Movimento Cívico por Milheirós, com o António Silva, com quatro palavras que não são um slogan — são um compromisso:
Verdade.
Respeito.
Dedicação.
Competência.
Esta é a minha história.
Mas, acima de tudo, é a história de todos os que acreditam que uma freguesia é mais do que ruas e prédios.
É uma família.
E enquanto houver alguém nesta família que precise de ser ouvido,
eu estarei aqui. Sempre.