Politics by Nuno

Politics by Nuno Filosofia e história política: ideias, partidos, figuras e o legado que moldou o mundo.

O segundo semestre de 2026 consolida uma nova configuração política na América Latina. Após a vitória da direita na Colô...
10/08/2026

O segundo semestre de 2026 consolida uma nova configuração política na América Latina. Após a vitória da direita na Colômbia e a instabilidade no Peru, o ciclo eleitoral no Brasil torna-se o principal termómetro regional. A região oscila entre pragmatismo económico e a persistência de populismos de diferentes matizes.

**Colômbia e Peru: o regresso da ordem e da segurança**
Na Colômbia, o governo de direita eleito em maio de 2026 prioriza o combate ao crime organizado e a recuperação da confiança dos investidores. A narrativa de “paz com segurança” substituiu o discurso mais social de Petro. No Peru, a sucessão de crises institucionais abriu espaço a candidatos que prometem estabilidade e mão firme, refletindo o cansaço com a fragmentação política.

**Brasil: o grande prémio**
O Brasil, maior economia da região, enfrenta um cenário polarizado. O debate entre continuidade do lulismo e o regresso de forças bolsonaristas (ou sucessores) gira em torno de três eixos: segurança pública, crescimento económico e alinhamento internacional. A vitória de um candidato mais conservador reforçaria a onda regional de direita; uma vitória de centro-esquerda manteria a fragmentação ideológica da América do Sul.

**Pragmatismo económico vs. populismo**
- **Pragmatismo**: Foco em estabilidade macroeconómica, atração de investimento estrangeiro, redução de dívida e abertura comercial (especialmente com EUA e Ásia).
- **Populismo**: Continua presente tanto à direita (nacionalismo económico e anti-elite) como à esquerda (redistribuição e anti-imperialismo). Em 2026, o eleitorado parece privilegiar resultados concretos sobre ideologia pura.

**Impactos regionais:**
- **Integração**: Avanços no Mercosul e na Aliança do Pacífico dependem do alinhamento ideológico entre Brasil, Argentina, Colômbia e Chile. Uma América Latina mais conservadora pode facilitar acordos com os EUA e o Pacífico, mas dificultar a coordenação com regimes de esquerda.
- **Comércio**: Revisão do USMCA e pressão americana contra a China influenciam cadeias de abastecimento. Países mais pragmáticos tentam equilibrar relações com Washington e Pequim.
- **Segurança**: O crime organizado transnacional (dr**as, mineração ilegal e tráfico de armas) tornou-se a principal preocupação comum. Cooperação policial e militar regional tende a aumentar, independentemente da cor ideológica dos governos.

Em agosto de 2026, a América Latina mostra sinais de um realismo político emergente. O eleitorado parece punir governos que não entregam segurança e estabilidade económica, independentemente da bandeira. A grande questão para o resto do ano é se esta onda conservadora se traduzirá em reformas estruturais ou se permanecerá apenas uma reação cíclica ao ciclo anterior de esquerda.

As eleições presidenciais na Zâmbia, marcadas para 13 de agosto de 2026, representam mais um teste à democracia e à gove...
03/08/2026

As eleições presidenciais na Zâmbia, marcadas para 13 de agosto de 2026, representam mais um teste à democracia e à governação no sul de África. O país, rico em cobre e com cerca de 20 milhões de habitantes, vive um momento de grande pressão económica e política.

**Contexto zambiano:**
- O Presidente Hakainde Hichilema (UPND), no poder desde 2021, tenta a reeleição. O seu governo renegociou dívida externa pesada com a China e o FMI, mas enfrenta críticas por crescimento lento, desemprego jovem e acusações de autoritarismo.
- A oposição (PF e outros) acusa o governo de favorecimento e repressão. A campanha tem sido marcada por tensão social e promessas de maior soberania económica.

**Legados comparativos:**
- **São Tomé e Príncipe** (julho 2026): Mostrou que pequenas democracias lusófonas conseguem alternância pacífica, mas permanecem extremamente vulneráveis a choques externos.
- **Etiópia** (Abiy Ahmed): Exemplo de governação autoritária-desenvolvimentista que entrega infraestruturas e crescimento, mas a custo de liberdades políticas e estabilidade étnica.

**Influência externa na Zâmbia e na região:**
- **China**: Maior credor e investidor (minas de cobre, infraestruturas). A dívida chinesa continua a ser um tema sensível.
- **Ocidente**: Pressão por governação transparente e direitos humanos (EUA, UE, FMI).
- **BRICS**: A entrada da Zâmbia no grupo (2025) reforça a diversificação de parceiros, mas levanta questões sobre alinhamento geopolítico.

**Reflexão mais ampla sobre África em 2026:**
O continente vive uma transição complexa: desejo de soberania económica versus necessidade de financiamento externo. A Zâmbia, como muitos outros países, ilustra o dilema africano — equilibrar democracia, estabilidade e desenvolvimento num ambiente de forte concorrência entre grandes potências.

As eleições de agosto podem reforçar ou enfraquecer o modelo “democracia com desenvolvimento” na região. O resultado terá impacto não apenas na Zâmbia, mas em todo o corredor do cobre do sul de África.

Julho de 2026 foi um mês revelador sobre o estado atual da ordem internacional. Os principais eventos — Cimeira da NATO ...
31/07/2026

Julho de 2026 foi um mês revelador sobre o estado atual da ordem internacional. Os principais eventos — Cimeira da NATO em Ancara, High-Level Political Forum da ONU e o ciclo eleitoral na América Latina — mostraram um mundo onde a multipolaridade não é mais uma previsão, mas uma realidade em acelerado teste.

**1. NATO em Ancara: Fim da Era de Expansão Ilimitada**
A cimeira na Turquia consolidou a transição para uma Aliança mais transacional. A pressão de Trump 2.0 para elevar os gastos de defesa para 5% do PIB expôs as fissuras transatlânticas. A Europa é cada vez mais forçada a assumir maior responsabilidade própria, enquanto a NATO abandona gradualmente a lógica de alargamento ilimitado.

**2. ONU e HLPF: Limites do Multilateralismo**
O High-Level Political Forum revelou o atraso dramático nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A tensão Norte-Sul no financiamento climático e o paralelismo com o AI for Good Summit destacaram como a tecnologia se tornou um novo campo de batalha geopolítica. A ONU continua relevante como fórum, mas perde capacidade de imposição efetiva.

**3. África: Democracia Frágil e Influência Externa**
As eleições em São Tomé e Príncipe e a consolidação de Abiy Ahmed na Etiópia reforçaram um padrão: estabilidade frequentemente prevalece sobre alternância democrática. A China consolida presença económica, a Rússia ganha terreno em segurança, enquanto o Ocidente luta com menor influência.

**4. América Latina: Entre Segurança e Polarização**
O avanço da direita na Colômbia e o ciclo eleitoral no Brasil e Peru mostram um continente cansado de experimentos radicais. Segurança pública tornou-se a prioridade número um, acima de ideologias.

**Reflexão Final: Realismo vs. Liberalismo**
Julho de 2026 confirmou o triunfo parcial do realismo geopolítico sobre o idealismo liberal. As instituições multilaterais (NATO, ONU) adaptam-se com dificuldade a um mundo de grandes potências concorrentes.

**Lições para a Europa e Portugal:**
- Não se pode depender exclusivamente dos EUA para segurança.
- O Sul Global exige mais do que discursos — exige resultados concretos em clima e desenvolvimento.
- A multipolaridade premia países com estratégia clara e capacidade de negociação.

O segundo semestre de 2026 promete continuar este teste: a ordem internacional não colapsou, mas está a ser profundamente reescrita. A grande questão que permanece é se as democracias ocidentais conseguirão adaptar-se com rapidez suficiente ou se a iniciativa continuará a passar para atores mais assertivos como China, Rússia e potências regionais emergentes.

O segundo semestre de 2026 marca um intenso ciclo eleitoral na América Latina. Após as presidenciais na Colômbia (31 de ...
24/07/2026

O segundo semestre de 2026 marca um intenso ciclo eleitoral na América Latina. Após as presidenciais na Colômbia (31 de maio), a região vive um momento de redefinição entre segurança, pragmatismo económico e os limites do populismo.

**Colômbia**: Federico Gutiérrez (direita) venceu Gustavo Petro ou seu sucessor, marcando o regresso da centro-direita ao poder. A vitória reflete o cansaço da população com o aumento da violência e a lentidão das reformas sociais. O novo governo promete “paz com segurança” e maior alinhamento com os EUA.

**Brasil**: Lula completa o mandato com aprovação moderada. As eleições de 2026 colocam novamente o país dividido entre o lulismo e o bolsonarismo renovado. Segurança pública e economia (inflação e desemprego) dominam o debate.

**Peru**: Instabilidade crónica. O país viveu múltiplas crises institucionais em 2025-2026. As eleições presidenciais de 2026 surgem num contexto de forte rejeição ao establishment político e crescimento de candidatos outsiders.

**Tendências regionais:**
- **Segurança como prioridade**: Crime organizado, gangs e narcotráfico dominam as agendas eleitorais. Populações preferem candidatos “duros” na segurança.
- **Pragmatismo vs. Populismo**: Cansaço com experimentos radicais (esquerda) e nostalgia autoritária (direita). Cresce o voto por candidatos centristas ou tecnocratas.
- **Impacto económico**: Inflação controlada, mas crescimento baixo. Debate sobre USMCA (revisão em 2026) influencia México, Colômbia e Peru, com pressão americana por maior alinhamento contra a China.

**Contexto cultural**: A Copa do Mundo 2026 (EUA-México-Canadá) serve como pano de fundo emocional, reforçando identidades nacionais e distraindo temporariamente das crises políticas.

Em julho de 2026, a América Latina oscila entre desejo de estabilidade e persistente polarização. O ciclo eleitoral revela um continente cansado de extremos e à procura de modelos que conciliem crescimento económico com coesão social.

A China é, desde o início dos anos 2000, o parceiro comercial e investidor mais importante de África. Em 2026, a presenç...
21/07/2026

A China é, desde o início dos anos 2000, o parceiro comercial e investidor mais importante de África. Em 2026, a presença chinesa no continente ultrapassa os 300 mil milhões de dólares em investimentos acumulados, principalmente através da Iniciativa Belt and Road (BRI).

**Dimensões principais da influência chinesa:**

- **Infraestruturas**: Construção de portos (Djibouti, Mombasa, Lagos), estradas, barragens e linhas ferroviárias (ex.: Addis Abeba–Djibouti, TAZARA). A China financia e executa cerca de 60% dos grandes projetos de infraestrutura em África.
- **Recursos naturais**: Maior comprador de petróleo, minerais (cobalto, cobre, lítio) e madeira. Empresas chinesas controlam ou participam em dezenas de minas na RDC, Zâmbia, Angola e Guiné.
- **Financiamento e dívida**: Empréstimos concessionais e comerciais. Vários países (Angola, Zâmbia, Djibouti, Etiópia) têm dívida significativa com Pequim. Críticas de “debt-trap diplomacy” surgem quando a China assume controlo de ativos (ex.: porto de Hambantota no Sri Lanka serviu de precedente).
- **Presença militar e segurança**: Base militar em Djibouti (primeira base chinesa no estrangeiro), envio de tropas para missões de paz da ONU e crescente cooperação de segurança com vários governos. O Africa Corps russo e a China competem e cooperam em alguns teatros.
- **Modelo político**: Política de “não ingerência” nos assuntos internos — contrasta com o Ocidente, que condiciona ajuda a reformas democráticas e direitos humanos. Este modelo atrai governos autoritários ou em transição.

**Impactos positivos e negativos:**
- **Positivos**: Acelerou o desenvolvimento de infraestruturas, criou empregos (embora muitos sejam ocupados por trabalhadores chineses) e aumentou o comércio bilateral (mais de 300 mil milhões de dólares/ano).
- **Negativos**: Dívida insustentável em vários países, impactos ambientais, condições laborais precárias, transferência limitada de tecnologia e acusações de corrupção em contratos.

**Contexto 2026**:
Com a desaceleração económica chinesa e a pressão americana/europeia por “desrisco”, Pequim tem sido mais seletiva nos novos financiamentos, privilegiando projetos estratégicos (minerais críticos para a transição verde). Países africanos começam a renegociar dívidas e a diversificar parceiros (Índia, Turquia, Golfo).

Em 2026, a China não é apenas um parceiro económico — é um ator geopolítico central em África. Oferece uma alternativa ao modelo ocidental, mas cria novas dependências. O futuro do continente dependerá da capacidade dos governos africanos de negociar melhor, diversificar parcerias e transformar investimentos estrangeiros em desenvolvimento sustentável real.

O High-Level Political Forum (HLPF) da ONU, realizado entre 6 e 15 de julho de 2026 em Nova Iorque, é o principal mecani...
18/07/2026

O High-Level Political Forum (HLPF) da ONU, realizado entre 6 e 15 de julho de 2026 em Nova Iorque, é o principal mecanismo de revisão dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A edição de 2026 revelou um progresso global insuficiente, com apenas 17% dos indicadores dos ODS em boa trajetória (Relatório ONU 2026).

**Principais destaques:**

- **Progresso dos ODS**: Retrocesso grave no ODS 13 (Ação Climática). Temperaturas globais bateram novo recorde em 2025 (+1,7°C). Avanços modestos no ODS 7 (energia limpa) e ODS 9 (indústria e inovação), mas estagnação na redução da pobreza e fome (ODS 1 e 2).
- **Financiamento Climático**: Forte tensão Norte-Sul. Países em desenvolvimento exigem o cumprimento da promessa de 100 mil milhões de dólares anuais (ainda não totalmente cumprida) e a ativação do fundo de “perdas e danos”. O Global South critica a insuficiência de recursos e a condicionalidade das ajudas ocidentais.
- **Cruzamento Clima-Segurança-Migração**: O relatório “Climate, Peace and Security” da ONU alerta que o clima agrava conflitos em 23 países vulneráveis. Secas no C***o de África e no Sahel impulsionam migrações forçadas (mais de 1,5 milhões em 2025-2026). A Europa enfrenta pressão migratória crescente ligada a eventos climáticos extremos.

**Ligação com o AI for Good Summit (7-10 julho):**
Realizado paralelamente, o cimeira da IA para o Bem destacou o potencial da inteligência artificial no combate às alterações climáticas (previsão de eventos extremos, otimização de energia, agricultura de precisão). No entanto, levantou preocupações geopolíticas: concentração de tecnologia nas mãos de poucas empresas (EUA e China) e risco de “colonialismo digital” nos países em desenvolvimento.

Em julho de 2026, o HLPF mostrou que o desenvolvimento sustentável não avança sem justiça climática. A tecnologia (IA) pode ser parte da solução, mas também um novo campo de rivalidade geopolítica. O desafio central permanece: transformar compromissos internacionais em ação concreta antes que os limiares climáticos sejam irreversíveis.

A Cimeira da NATO realizada em Ancara, Turquia, nos dias 7 e 8 de julho de 2026, foi um marco simbólico na evolução da A...
08/07/2026

A Cimeira da NATO realizada em Ancara, Turquia, nos dias 7 e 8 de julho de 2026, foi um marco simbólico na evolução da Aliança Atlântica. Realizada num país membro com relações complexas com a Rússia e a China, a reunião ocorreu sob forte influência de Donald Trump no seu segundo mandato.

**Principais pontos da cimeira:**

- **Metas de defesa**: Trump pressionou fortemente para elevar a meta atual de 2% do PIB para 5% até 2035. Após negociações intensas, os Aliados comprometeram-se com um objetivo intermédio de 3,5% até 2030, com planos nacionais de aumento gradual. Vários países europeus (Alemanha, França, Itália) mostraram resistência, enquanto Polónia, Países Bálticos e Reino Unido apoiaram a pressão americana.

- **Relação com Trump 2.0**: Tom claramente transacional. Trump repetiu que “os europeus têm de pagar a sua proteção” e condicionou o compromisso pleno dos EUA ao aumento de gastos europeus. Esta postura acelerou o debate sobre “autonomia estratégica” na Europa.

- **Ucrânia**: Transição oficial de “apoio militar ilimitado” para “apoio à reconstrução e dissuasão”. Com o cessar-fogo frágil em vigor desde finais de 2025, a NATO evitou promessas concretas de adesão, optando por um pacote de segurança bilateral e continuidade de fornecimento de armas defensivas.

- **Tensões internas**: Divergências visíveis entre a Turquia (crítica a algumas sanções à Rússia), Hungria (bloqueios frequentes) e o núcleo duro atlântico. A adesão da Suécia e Finlândia já consolidada, mas novos alargamentos parecem congelados.

**Europa: mais responsabilidade própria vs. dependência dos EUA**

A cimeira de Ancara simbolizou o fim da era de expansão ilimitada da NATO. Num mundo multipolar, a Aliança continua essencial para a segurança coletiva, mas a Europa é cada vez mais pressionada a assumir maior responsabilidade na sua própria defesa.

Portugal comprometeu-se a atingir os 2% do PIB em 2028, mantendo uma posição equilibrada entre atlântico e europeísmo. A dependência dos EUA em inteligência, dissuasão nuclear e projeção global persiste, mas cresce a consciência de que a Europa não pode continuar a delegar a sua segurança exclusivamente aos americanos.

Em julho de 2026, a NATO sobrevive e adapta-se, mas já não é a mesma organização expansiva do pós-Guerra Fria. A multipolaridade obriga a uma Aliança mais pragmática, transacional e focada em dissuasão em vez de alargamento ilimitado.

O Conselho Europeu de 26 e 27 de junho de 2026, realizado em Bruxelas, marca o principal momento de decisão política da ...
30/06/2026

O Conselho Europeu de 26 e 27 de junho de 2026, realizado em Bruxelas, marca o principal momento de decisão política da União Europeia no primeiro semestre de 2026. Realizado poucos meses após o Dia da Europa (9 de maio), o encontro reflete a tensão permanente entre a memória histórica da integração como projeto de paz e o pragmatismo geopolítico exigido por uma Europa rodeada de crises.

**Principais temas da agenda:**

- **Alargamento**: Avanço simbólico nas negociações com Ucrânia e Moldávia. A Comissão propôs abrir mais capítulos em 2026, mas vários Estados-membros (França, Países Baixos, Dinamarca) exigem reformas prévias mais profundas. A Bósnia-Herzegovina e a Geórgia continuam estagnadas. O alargamento é visto como ferramenta estratégica contra a Rússia, mas gera resistência interna por receios de custos e instabilidade.

- **Balcãs Ocidentais**: A cimeira com os líderes dos seis países (Sérvia, Albânia, Montenegro, Macedónia do Norte, Bósnia e Kosovo) reforçou o “Plano de Crescimento” da UE (€6 bilhões até 2027). No entanto, bloqueios bilaterais (Kosovo-Sérvia, Bulgária-Macedónia do Norte) continuam a atrasar o processo. A UE tenta equilibrar integração com pressão para normalização de relações.

- **Defesa e Segurança**: Avanço na Estratégia de Segurança e Defesa da UE. Acordo para aumentar gastos conjuntos (meta de 2% do PIB em defesa até 2030) e reforço da cooperação com NATO. A guerra na Ucrânia acelerou a consciência de que a Europa precisa de maior autonomia estratégica, mas dependência dos EUA em matéria de inteligência e dissuasão nuclear continua forte.

**Memória histórica vs. Pragmatismo geopolítico:**
- O discurso oficial continua a invocar a paz pós-1945 e a Declaração Schuman. No entanto, a realidade de 2026 é dominada por pragmatismo: contenção da Rússia, concorrência com a China e gestão de migrações.
- Desafios internos: polarização entre governos de direita (Itália, Hungria, Eslováquia) e centro-esquerda, dificuldades orçamentais e fadiga de alargamento.
- Portugal mantém posição pró-europeia e pró-alargamento, defendendo coesão territorial e maior solidariedade entre Norte e Sul.

Em junho de 2026, a UE navega entre o ideal federalista de “cada vez mais união” e as pressões realistas de um mundo multipolar. O Conselho Europeu reforçou que a integração continua a ser a melhor ferramenta de estabilidade, mas a sua capacidade de resposta rápida ainda depende de consenso entre 27 Estados-membros. O legado do Dia da Europa permanece vivo, mas enfrenta o teste da realidade geopolítica.

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