11/07/2012
A magia da marca Açores
O terceiro painel da convenção foi dedicado ao aumento da competitividade das exportações para criar novos mercados. Jorge Ritta, Presidente da Federação Agrícola dos Açores, começou por referir que o sector da agricultura é o mais forte da região. Mais de 90 por cento da produção neste sector no que se refere, por exemplo, ao leite e à carne é introduzida no mercado nacional. Contudo, Jorge Ritta admitiu que há um longo caminho a percorrer para melhorar a competitividade, apesar das indústrias do sector se apresentarem mais modernizadas. Para o Presidente da Federação Agrícola, um dos entraves ao crescimento das exportações prende-se com os custos elevados dos transportes, uma situação que deve ser alterada de modo a potenciar a competitividade. Produzir com qualidade e valorizar a "marca mágica Açores" é um dos objectivos a seguir e, por fim, Jorge Ritta apelou à participação de todos para passarem uma mensagem positiva da agricultura já que é o sector mais importante da região.
Também presente no terceiro painel da convenção, esteve Luís Vicente, director-geral da união de cooperativas Unileite. Foi referido que os Açores produziram 30 por cento do total do leite recolhido em 2011. Ao todo, foram produzidos 148 milhões de litros de leite. Luís Vicente sustentou que o tempo de transporte entre as fábricas da Unileite e o cliente final são um dos entraves ao crescimento mas também a abolição de quotas leiteiras é uma ameaça que traz muitas incertezas ao sector. António Trindade, Presidente e CEO da Porto Bay Hotéis e Resorts, SA foi o terceiro orador do painel "Aumentar a competitividade das exportações para criar novos mercados". Começou por referir que o seu negócio é vender emoções, experiências e convivências e que Portugal está entre os 20 países mais visitados de todo o mundo.
No entanto, António Trindade frisou que o mercado turístico está ameaçado devido à entrada de novos concorrentes e produtos. Para tentar competir com a concorrência, a marca Açores devia ser divulgada de igual modo por todos os sectores e a política fiscal e a legislação deveriam ser repensadas. Para atrair novos mercados, António Trindade disse que os Açores devem ser inovadores na apresentação dos produtos. Por fim, Manuel Caldeira Cabral da Universidade do Minho sustentou que os países não irão crescer a médio e longo prazo sem investimento ao contrário do que algumas ideologias pretendem hoje afirmar. No entanto, Manuel Caldeira Cabral disse que a economia portuguesa está a mostrar uma forte capacidade de reacção por parte das exportações mas que deverá haver uma alternativa ao ajustamento externo que poderá passar pela diminuição das importações.
Manuel Caldeira Cabral revelou que a correcção do défice da balança corrente e de capitais pode ser feita através do aumento de mais de 60 por cento das exportações e da diminuição de 15 por cento do consumo. A boa notícia para os Açores, segundo Manuel Caldeira Cabral, é que a região não está especializada em sectores afectados negativamente pela emergência dos países asiáticos e deixou algumas ideias para melhorar a competitividade: esforço da diversificação de mercados; valorizar produtos de exportação e certificação de produtos para entrar em novos mercados, como por exemplo, o americano e o inglês.