Conversas Da Aldeia Na Aldeia

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A tertúlia de 25 de outubro de 2025 realizou -se em casa da nossa convidada e também tertúliana, Maria Fernanda Pires Pe...
27/10/2025

A tertúlia de 25 de outubro de 2025 realizou -se em casa da nossa convidada e também tertúliana, Maria Fernanda Pires Pereira, nascida em 08-02-1962, que pertence à família "Fiel".

O seu avô paterno, António Augusto, foi uma criança entregue na "roda dos expostos" juntamente com um enxoval e um bilhete com o seu nome. Da "roda" de Penafiel foi acolhido pela família do Dr Moreira em Jugueiros, onde cresceu e trabalhou como empregado. E assim surge o nome "Fiel".

O seu pai José Augusto Pereira trabalhava como afinador de teares na fábrica de tecidos de Armil e nos tempos livres negociava madeira. Na hora de almoço levavam -lhe a pé a refeição quente. Ele era um "bon vivant". Hoje, temos uma rua em Jugueiros em sua homenagem: rua Zé do Fiel.

A mãe Aurora Pires era costureira de profissão enquanto viveram em Travassós.

Quando se mudaram para a Perlonga em 1958, a sua mãe aprendeu proativamente a escrever, pois na nova casa, abriram no piso inferior uma "venda com tasco", onde vendiam mantimentos, artigos do dia-a-dia, serviam bebidas, refeições simples e era necessário saber escrever para poder apontar o nome dos fregueses.

Dessa casa tem recordação da retrete de madeira, que os irmãos emigrantes em França, com uma visão mais modernizada, transformaram com restos de diferentes azulejos. Tiveram direito a sanita e a banheira. Para os banhos, a água era aquecida numa panela de ferro de 3 pernas na lareira. Por vezes, a água do banho continha alguma caruma mas mesmo assim já era uma grande evolução.

Era a ajudar a mãe na "venda da Rorinha do Fiel" que passava os seus dias. Gostava particularmente da época da pesca. A venda ficava mais animada com o entra e sai de pescadores. Também ajudava com alguns afazeres agrícolas e vendia a semente de erva na feira de Fafe, para onde se deslocavam a pé.

A mãe fez questão que estudasse. Achava que ela não conseguiria desenvolver trabalhos mais duros devido à sua aparente fragilidade.

Fruto de uma gestação tardia (a mãe tinha 46 anos quando a Fernanda nasceu), foi batizada apenas com uma semana de vida, por temerem que não sobrevivesse. Acrescia ainda o facto de já ter falecido um irmão seu de apenas 4 anos.

Frequentou a escola primária do Assento em Jugueiros, na mesma turma que os rapazes, com a professora Teresa Monteiro. Dizia muitos palavrões, que aprendeu pela convivência com os fregueses na venda dos pais. No exame da 4°classe era necessário apresentar um trabalho de lavores femininos. Como nunca teve muito jeito para estas tarefas, alguém lhe fez o trabalho para expor.

Mais tarde, seguia na carreira da "Ferreira das Neves" até Felgueiras, onde estudou no ciclo até ao quinto ano (atual 9°). Como não havia liceu em Felgueiras, deu continuidade aos seus estudos em Guimarães.
Sentiu um grande impacto em passar de um meio rural para um meio urbano. As diferenças eram muitas, desde o estilo de vida, a forma de vestir e de falar, o acesso a serviços, etc.

Ponderou ser enfermeira mas o destino havia traçado outra rota.

Começou a trabalhar nos escritórios da antiga Lasac por volta de 1983 e logo depois passou para a área de exportação. Começou a frequentar um curso de francês na Aliança Francesa. Na escola já havia aprendido inglês.

Como não havia transporte público, tirou carta e comprou uma motorizada. Também não existiam opções de alimentação e como tal precisava levar marmita.

As viagens eram repletas de peripécias. Quando chovia tinha de fechar a viseira do capacete, mas depois ficava embaciado e não tinha visibilidade suficiente. Se o abrisse ficava toda molhada.
Colocava a cesta de almoço na traseira da motorizada e como as estradas estavam em tão mau estado, por vezes perdia pelo caminho parte do farnel, que saltava fora da cesta com os solavancos sentidos.

Entretanto conseguiu comprar um carro usado muito velho. Um Mini Cooper. Mas, não foi por isso que as peripécias terminaram. Cada vez que precisava ligar o carro, tinha de o empurrar.

Depois, com a ajuda financeira dos irmãos, comprou um carro que já não era azarado.

Ao fim de 5 anos mudou -se para a Codizo onde trabalhou durante 21 anos. Aqui nasceram amizades que ainda hoje se mantêm.
Passou pela Martiape, por um agente, e agora trabalha numa empresa holandesa.

O seu trabalho incluía viajar. A sua primeira viagem foi a Nova York. Na época, aquela função era predominantemente desempenhada por homens pois implicava ir para um país diferente com uma língua diferente, sem horários, sozinhos e a lidar com várias pessoas diferentes.

Contudo, não se sentia intimidada por isso. Aliás, sempre teve uma forma de estar, avançada para a sua época.

Percorreu as feiras de exposições em diversos países, desde França, Dubai, Milão, Las Vegas, Madrid, Tókio, Canadá,etc.

Em momento algum se sentiu desrespeitada pelos seus pares.

Durante essas viagens surgiram alguns imprevistos. Usavam o mapa em papel como guia e nem sempre corria bem.

Estamos a falar de uma mulher à frente do seu tempo. Usava calças desde os 9 anos de idade, estudou, andou de mota, teve um carro e uma profissão fora do tradicional.

A nossa anfitriã recordou-nos ainda de um período controverso em Jugueiros, que envolvia política e religião.

Tanto o padre Mário da Lixa como o padre Augusto de Jugueiros (amigos) eram contra o regime e contra a guerra. O padre Mário que esteve na guerra do Ultramar foi preso pela PIDE em 1970. Eram bastante revolucionários. Apelavam nas missas para que os homens não fossem para a guerra.

O padre Augusto era progressista. Fez em 1969 um referendo para decidir se deveria ou não existir a visita pascal. Durante 7 anos não se realizou. O padre considerava que era uma medida apenas para angariar dinheiro, sem qualquer fundamento.

Mesmo após o 25 de abril, continuava a existir uma pequena minoria que não aceitava a liberdade.

O padre Augusto foi transferido para Lustosa em 1975 e alguns membros dessa minoria foram até à sua nova paróquia para o insultar e caluniar em frente aos atuais paroquianos.

Como resposta, foi espalhado pela freguesia, uma carta de Lustosa dirigida ao "povo de Jugueiros".

Para substituir o padre Augusto, chegou o padre José Carlos. Era um apaziguador que chegou num momento de grande tensão entre os paroquianos. Mesmo assim, chegou a ser sequestrado.

Nessa época, Jugueiros foi notícia em diversos jornais, tal eram os incidentes causados pela minoria que detinha poder.

A procissão da Santa Águeda, um evento de grande notoriedade na época, chegou a sair sem padres.

A nossa tertúlia terminou com um delicioso lanche, acompanhado de muitas gargalhadas e "cheese".

Participaram nesta tertúlia, para além da nossa convidada: Miguel Sousa e a filha Sara, Ernesto Sampaio, Libânia Moura, Pascal Pereira, Piedade Torres e Cátia Marinho.

Em memória do Sr. Agostinho da Ardada, que generosamente partilhou connosco uma parte da história da sua vida.✨As suas p...
18/10/2025

Em memória do Sr. Agostinho da Ardada, que generosamente partilhou connosco uma parte da história da sua vida.✨As suas palavras continuarão presentes em Conversas Da Aldeia. Que descanse em paz 🙏🏻

A tertúlia de 5 de julho de 2025 teve como nosso convidado o Sr. Joaquim de Oliveira Ferreira, nascido em 11-07-1943, co...
06/07/2025

A tertúlia de 5 de julho de 2025 teve como nosso convidado o Sr. Joaquim de Oliveira Ferreira, nascido em 11-07-1943, conhecido como "Padroeiro".

Este encontro realizou-se na oficina onde o nosso convidado exerce o seu ofício - sapateiro.

Nasceu no lugar: Bouças do Arco em Serzedo. Foi para a escola com 7 anos e frequentou a escola de Talhós em Vila Fria durante 1 ano, depois concluiu a escolaridade obrigatória já em Serzedo com o exame da 3 classe (tornou-se obrigatório frequentar a escola da freguesia onde se vivia).

Filho de Eduardo Ferreira, que trabalhava na fábrica das formas e ganhava 5 coroas e de (A)Marília de Oliveira, que apesar de nunca ter frequentado a escola sabia ler e escrever. São 24 irmãos. Recorda o nome de todos, com exceção dos que faleceram no nascimento.

Quando terminou a escola, começou a trabalhar em Pombeiro com o Sr. Manuel Cuca como seu mestre do ofício, sapateiro. Trabalhou aí dos 11 aos 15 anos. Não tinha horário de trabalho. Enquanto houvesse trabalho, tinha que ficar no ofício. Teve dias de se levantar às 6h30 e chegar a casa depois da meia-noite.

Por intermédio do seu pai, despediu-se e começou a trabalhar no José Leite (Zé Leite), em Serzedo. Para além de ser mais perto, já tinha horário de trabalho definido (tinha entrado em vigor a semana inglesa - de segunda a sábado de manhã).

Fez recruta em Aveiro e especialidade em Santa Margarida. Integrou a cavalaria 7. Aos 20/21 anos foi mobilizado para ir para Moçambique, para a região de Nampula (uma das regiões mais conflituosas). Esteve mais de 3 anos na guerra, da qual não gostou nada. A sua mãe era quem lhe escrevia. Ainda hoje tem as roupas dessa época.

Quando regressou da guerra teve que procurar pelos seus pais, pois haviam mudado de casa. Chegou a viver nos Fundões, Serzedo (onde agora passa a autoestrada).

Durante algum tempo foi trabalhar para a área da construção civil, com o empreiteiro Domingos Rocha. Mas pouco tempo depois, regressou ao trabalho de sapateiro com o antigo patrão, Zé Leite onde trabalhou mais de 30 anos.

Chegou a ir "a salto" para França para trabalhar. Na primeira tentativa foi preso na fronteira de Chaves. Esteve pouco tempo em França porque não gostou (entre 1968 e 1969).

Reformou-se aos 48 anos.

Conheceu a sua esposa, porque passava à sua porta quando ia trabalhar. Casaram em 1969 e mudou-se para Jugueiros, terra onde vivia a Sra. Maria Alexandrina Lemos Sampaio. Hoje, têm 2 filhos, 5 netos e 4 bisnetos.

Começou a trabalhar por conta própria com o apoio da mulher. Como ela trabalhava na Fábrica de Armil das 6h às 14h, tinha a tarde livre para o ajudar. Já tinha os contactos dos clientes outrora do Zé Leite e deu continuidade ao seu ofício até aos dias de hoje (há 32 anos).

Recebe clientes (cavaleiros, GNR, Brigada de trânsito, etc.) de todo o país.Transforma o pneu em sola. As botas são totalmente personalizadas. É preciso tirar 5 medidas diferentes. Aquando as provas é utilizada a descalçadeira para, literalmente, descalçar a bota.

Sempre gostou de aprender. E como tal, frequentou as novas oportunidades e o ensino noturno na escola secundária de Felgueiras, completando o 12 ano com mais de 60 anos (confessou que por vezes usava copianços).
Integrou ainda a universidade sénior de Felgueiras, onde se estreou no teatro. Diz ter ficado mais nervoso com o teatro do que com a guerra.
Aprendeu a tocar cavaquinho.

Foi catequista em Jugueiros, durante muitos anos. Partilhou algumas das peripécias que aconteceram com a freira, irmã Maria do Rosário, devido às limitações visuais da mesma.

Recordou saudosamente a sua carrinha azul, "pão de forma" que acabou por vender. Era uma referência em Jugueiros.

Fez parte do movimento contestário contra o regime, apoiando os padres progressistas, Padre Mário e o Padre Augusto. Criaram um jornal e cantavam na missa músicas com letras censuradas.

Relembrou o episódio de quando regressava da igreja, em grupo, e foram "atacados" com fezes, que alguém lhes atirou. Diz que só tiveram tempo de ouvir um dos elementos do grupo (Sr. Armando Fontes, que tocava violão) gritar: "aí vem chumbo". E ficaram todos sujos e mal cheirosos.

Gosta de desporto. É um amante da pesca. Nos dias de hoje, gosta de pescar na Ferradosa em São João da Pesqueira, na companhia da sua esposa.
Integra a equipa de Felgueiras de Boccia Sénior, onde já conquistaram alguns troféus.

A ORIGEM DO NOME PADROEIRO:
Os seus avós paternos viviam na quinta do Padrão em Vila Fria. Quando o trabalho da quinta estava orientado, a avó vendia sardinhas pelas portas e utilizava uma buzina para se fazer anúnciar. Os locais diziam "lá vem a Maria do Padrão". Com o passar do tempo, encortaram para "Maria Padroeira". E foi assim que nasceu o apelido padroeiro pelo qual o Sr. Joaquim é hoje conhecido.

Nesta quinta , foram muitas as aventuras vividas. Roubava pessegos à noite e chegou a encontrar pedras tumulares junto a um penedo. O engenheiro, dono dessa quinta, era mexicano. Diz-se ter sido um dos beneméritos dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras.

Foi uma tarde muito animada e de boa disposição, que terminou com um delicioso lanche preparado pela Sra. D. Alexandrina.

Para além do nosso convidado e da sua esposa, participaram nesta tertúlia: Miguel Sousa, Sara Sousa, Libânia Moura, Pascal Pereira, Ernesto Sampaio, Fernanda Pires, Cátia Marinho.

A tertúlia de 24 de maio de 2025 teve como nosso convidado o Sr. João Baptista Leite Pereira, nascido em 20-11-1958.Este...
25/05/2025

A tertúlia de 24 de maio de 2025 teve como nosso convidado o Sr. João Baptista Leite Pereira, nascido em 20-11-1958.

Este encontro realizou-se em Corvete - Jugueiros, lugar que o viu nascer e onde viveu até aos 9 anos.
É filho de António Pereira (nascido em Corvete) e D. Maria (de Chelos). Tem um irmão mais novo, 8 anos.

O seu pai era moleiro de profissão e todas as manhãs saía com as mulas (três) para entregar a farinha. Também o seu tio e outro vizinho, Sr José Pinto, exerciam a mesma função, mas cada um deles tinha os seus clientes.

Frequentou a escola de Gondim (escola velha) e o caminho que percorria era direto pelas Barrias. Apenas nos dias de grandes cheias é que precisava seguir pelo caminho de Corvete (mais distante).

A escola era dividida entre manhãs e tardes pelos meninos e pelas meninas. Chegou a levar algumas reguadas da professora. Quando os rapazes tinham aulas de manhã, na parte de tarde ia com as cabras para os montes da família, em Corvete.

Sentia-se um privilegiado, pois ao contrário de alguns meninos da escola, nunca andou descalço, teve sempre sapatos.

Em casa usava lamparinas à noite. A cozinha tinha um lar para defumar os salpicões e outros enchidos.

Na matança do porco a sua função era queimar / chamuscar o porco. Nas vindimas, pisava as uvas no lagar. O avô por vezes dava-lhe vinho e ele adormecia.

A sua mãe começou a ter problemas de saúde e os gastos médicos eram elevados, o que levou o seu pai a emigrar para França. Passados 2 anos, o resto da família juntou-se ao seu pai.

O pai trabalhava num horto e a mãe numa fábrica de móveis.

Apesar de ter 9 anos, foi colocado na turma dos 7 anos de idade. Os pais saíam para o trabalho e ele ficava responsável pelo irmão. Entregava-o na ama antes de ir para a escola e apanhava-o no regresso a casa. Não teve grande dificuldade em adaptar -se à língua, conseguindo integrar-se com facilidade.

O maior impacto foi a mudança de viver num pacato e pequeno lugar como Corvete para viver numa grande cidade como Paris. Quando alguém tem tendência a comparar Portugal à França, ele tem o cuidado de alertar que não se pode comparar o incomparável, ou seja, não podem comparar um pequeno lugar em Portugal com uma grande cidade em França. São dimensões muito diferentes e incomparáveis.

Os seus pais faleceram quando tinha 19 anos, ficando tutor do irmão mais novo. Esta fatalidade obrigou-o a crescer muito depressa e trouxe-lhe muitas responsabilidades. No entanto, também o ensinou a viver mais intensamente a sua vida.

Profissionalmente viajava bastante. Trabalhou durante muitos anos na área da contabilidade e mais tarde na área da informática.

Sempre foi um apaixonado por espetáculos, teatro, musicais, etc. Foi através do marido que conheceu o grupo de teatro amador, que hoje integra.

O grupo "Compagnie Sable et Sel" tem cerca de 9 anos de existência. Escrevem, encenam e representam os textos de própria autoria.

Foi através da apresentação ao público da peça "Rue des Chimeres", em formato teatro no jardim, realizada em casa da nossa tertúliana Piedade Torres, que tivemos a oportunidade de conhecer o talento da representação do nosso convidado.

Foi uma tarde muito animada e de boa disposição.

Participaram nesta tertúlia: Libânia Moura, Pascal Pereira, Piedade Torres, Fernanda Pires, Cátia Marinho.

Obrigada ao Jean Baptiste por conseguir encontrar um tempinho para conversar connosco, num dia tão agitado.

O nosso tertúliano Miguel Sousa foi entrevistado pelo jornal Semanário de Felgueiras. Nas fotos abaixo têm a entrevista ...
13/04/2025

O nosso tertúliano Miguel Sousa foi entrevistado pelo jornal Semanário de Felgueiras. Nas fotos abaixo têm a entrevista do passado dia 11 de abril. Recomendamos a sua leitura. Vale a pena👌🏻

06/04/2025

A tertúlia de 5 de abril de 2025 foi realizada ao ar livre, para celebrar a Primavera.

O lugar escolhido foi em Corvete -Jugueiros, nos jardins da nossa anfitriã Piedade Torres, que ao longo dos anos o tem vindo a transformar num lugar encantador.

Contamos com a presença de um convidado especial, o geógrafo/botânico Estevão, que nos deu a conhecer algumas das espécies pelos seus nomes científicos.

Tendo em conta que estamos na estação das flores, passamos a nossa tarde entre as "orelhas de elefante", as "Angélicas", as "giestas" (1 qualidade branca e 6 amarelas), as inúmeras "camélias" (de várias cores e tamanhos), "azevinhos", árvores de fruto, o pinheiro que nasceu sob o tronco de outro pinheiro, o reflorescimento das típicas flores de campo, etc. foi uma tarde muito enriquecedora.

Junto às margens do rio, partilhamos um delicioso lanche e ainda tivemos a oportunidade de provar a mussaka (prato grego), que muito se recomenda.

E como não poderia deixar de ser, o grupo aproveitou para conversar sobre os tempos, as pessoas e as memórias.

Para além do nosso convidado, participaram nesta tertúlia Piedade Torres, Fernanda Pires, Libânia Moura, Cátia Marinho, Pascal Pereira e a esposa.

A tertúlia de 15 de março de 2025 teve como nosso convidado o Sr. José de Castro Teixeira, nascido em 29-06-1945, conhec...
16/03/2025

A tertúlia de 15 de março de 2025 teve como nosso convidado o Sr. José de Castro Teixeira, nascido em 29-06-1945, conhecido como o Zé do carro.

Este encontro realizou-se na casa do nosso convidado, que nos recebeu com um delicioso lanche.

Nasceu nas Casas Novas, no lugar do Assento em Jugueiros. Frequentou a escola até à terceira classe e depois foi trabalhar com o seu pai que era caseiro na quinta da D. Aryte e Dr Manduca e mais tarde da filha Dra Yara.

Dois anos depois, regressou à escola, para completar a quarta classe, pois Salazar decretou como obrigatório a quarta classe ou os 13 anos de idade.

Foi sua professora, a D. Angélica. Costumavam esperar a meio caminho pela professora, que vinha a pé do Ramalhal pelo lugar da Cruz (caminho secular que caiu em desuso e foi fechado) e que tinha medo de fazer o percurso sozinha. Mas como por vezes ela lhes dava réguadas, então eles não a iam esperar.

Quando terminou a escola regressou ao trabalho na quinta, até à idade militar.

Fez recruta em Braga, especialidade em Tomar e tirou o IOO em Santa Margarida. Foi mobilizado para ir para Macau mas uma das companhias que estava em Angola tinha sofrido muitas baixas e foi necessário substituí-los.

Foi para Angola com 21 anos. Foi de barco, no "Vera Cruz", que circulava a 50Km/h, onde seguiam 3000 soldados e cerca de 200 tripulantes, numa viagem que durou 11 dias.

Ficou 28 meses em Angola, entre 1967 e 1969. O seu número mecanográfico era o 68835 e a companhia independente 110096. Acabou por tirar a carta de condução em Angola.

Quando chegaram, cortaram capim na mata para servir de cama. Ficaram destacados para o alto da Madureira (a 300 km de Luanda). Tinham como ponto de abastecimento Nambuangongo. O veículo mais comum era o jipão. O lugar que ocupava era sentado em cima do pneu suplente.

Foram muitas as emboscadas que lhes prepararam. Conseguiram detectar 3 minas e desativa-las.

Haviam muitas fazendas (de café , bananas, laranjas....) abandonadas, pois os donos portugueses já tinham sido expulsos. Como eram grandes áreas frequentemente havia emboscadas nestas zonas.

Ao atravessar o rio, juntamente com uma secção de 7 homens, avistou um morro e rebentaram uma granada (como não havia carregadores eram os próprios soldados que transportavam o material). Descobriram que nesse morro estavam 3 jornaleiros que eles anteriormente haviam dado comida e que os estavam agora a trair.

A sua alcunha de guerra era o "assassino da Madureira".

Chegaram a enterrar pelo caminho vários corpos que encontravam. Mataram uma cobra com mais de 8 metros.

Depois de lavar a farda tinham de a vigiar enquanto secava, senão poderia ser roubada.

Esporadicamente tinham licença (folga) para ir até Luanda, mas se houvesse feridos que ocupassem o transporte já não podiam ir. Aproveitavam para beber uma cuca (garrafa cerveja grande) ou meia cuca (garrafa pequena).

Caçavam javali para cozinhar. Mas eram tantos que só dava um "cibo" a cada um.

Abasteciam- se com barris de vinho, bidões de azeite, cebolas, batatas, conservas, frutas, etc. Eram lançados de paraquedas e enquanto isso tinham de proteger o avião.

Uma das vezes o paraquedas de ananases não abriu e despenhou -se no chão. Um dos soldados foi comer esses restos e o alferes castigou-os a todos. Como castigo, todo o pelotão foi para Santa Eulália buscar camas.

Às terças e sábados havia correio. A sua madrinha de guerra era a Dra Yara.

Ia perguntando aos colegas se conheciam algumas raparigas e chegou a escrever a 9 raparigas diferentes. Mas, duas delas trabalhavam juntas e descobriram. Levou um raspanete delas.

Nos dias de hoje, ainda recorda diariamente os dias vividos em Angola.

"O indivíduo vai à guerra, o primeiro a disparar é o que se safa. Se deixar o outro disparar, o tipo é morto".

No regresso a Portugal traziam 42 urnas com eles. Desembarcaram em Lisboa e foi de comboio até Tomar fazer o espólio, para devolver a roupa. Ainda teve de pagar um cadeado novo e uma camisola interior.

Entretanto, foi trabalhar com o seu pai que havia emigrado para França para o departamento 94. Trabalhava à peça. Fazia estruturas para aplicar nas obras. Quanto mais fazia, mais ganhava.

Foi "a salto" para França. Seguiu até Monção de autocarro. Depois apanhou um táxi até S. Gregório por 100 merreis. Vigiava a guarda fiscal e atravessava o rio (na água). Do outro lado do rio havia uma taberna onde uma "abuela" fazia o câmbio da moeda.

Esteve em França de 1969 a 1973.

Depois tornou-se "passador" de muitos que até hoje optaram por não regressar a Portugal.

Nestas aventuras, chegou a pedir boleia e alojamento a estranhos.

Quando regressou a Portugal, construiu a sua casa e trabalhou como empregado de táxi. Conduzia um Oxford. Entretanto, comprou a praça ao taxista António Fadica por 310 contos (incluía a praça e o táxi Mercedes 190). Ainda hoje tem o radar utilizado para comunicações nessa época, que lhe custou 200 contos.

O frete mais longe que fez, foi uma viagem à França. Teve alguns fregueses que aproveitavam os semáforos vermelhos para sair do táxi e não pagar.
Durante mais de 50 anos, foi o taxista oficial dos domicílios do centro de saúde de Jugueiros. À data de hoje ainda mantém contacto com alguns dos enfermeiros.

Foi também como taxista que levou muitas pessoas para curar as suas "maleitas".

Foi uma tarde muito animada e de boa disposição.

Participaram nesta tertúlia: Miguel Sousa, Libânia Moura, Pascal Pereira, Piedade Torres, Fernanda Pires, Cátia Marinho e por parte do nosso convidado: a esposa Jandira, o filho Pedro e a neta Fatinha.

A tertúlia de 1 de fevereiro de 2025 teve como convidada uma das nossas tertúlianas, a D. Piedade.Previamente à nossa te...
02/02/2025

A tertúlia de 1 de fevereiro de 2025 teve como convidada uma das nossas tertúlianas, a D. Piedade.

Previamente à nossa tertúlia realizamos uma visita às Barrias, que nos deixou deslumbrados com as abundantes quedas de água. Seguimos para a Taberna do Portão, onde realizamos o nosso encontro, acompanhados de saborosos petiscos.

Maria Piedade Pereira Torres, nasceu em 21 março 1947 e viveu no Barreiro até idade adulta.

Uma mulher de espírito livre, casou cedo com apenas 19 anos, para poder viver a sua vida sem as restrições impostas pela sua mãe.

Foi mãe de 2 filhos e trabalhou em diversas áreas, desde enciclopédias até à corticeira. Interessada por línguas estrangeiras, hoje fala para além de português, o inglês, o francês, o espanhol. Compreende o italiano, tem noções de alemão e japonês.

Por forma a acompanhar a evolução da sua carreira profissional foi vivendo em diversas cidades, tais como: Algés, Lisboa e Cascais.

As artes também fazem parte do seu percurso, chegando a integrar um grupo de teatro. E foi através da fotografia que conheceu uma grande paixão que lhe mudou o rumo da sua vida.

Foi esta mudança que a trouxe para o norte do país, ficando a viver em vila do Conde.

As primeiras memórias nortenhas, são a prova do vinho verde nas festas de Matosinhos (ao que parece de fraca qualidade) e a surpreendente quantidade de palavrões usados. Hoje, diz que afinal os palavrões são vírgulas e que também ela já os utiliza.

O mundo profissional trouxe-a até Felgueiras acabando por ao longo do tempo criar uma rede de amigos que lhe deu a conhecer Jugueiros, nomeadamente Corvete.

Quando visitou Corvete na expectativa de comprar uma casa com um "quintalito", ficou apaixonada pela vista sobre o rio. E iniciou assim, 4 anos de obras que transformaram um lugar cheio de silvas (onde o diabo perdeu as botas, como dizia a sua mãe) em um lugar de uma beleza ímpar.

Em 2007 mudou -se oficialmente para Corvete e tem vindo a cuidar do seu jardim e da sua horta com muito amor e dedicação.

Hoje, é avó de 7 netos e bisavó do pequeno Atlas. Anualmente, recebe-os para um animado encontro de netos.

Diz que tem sido muito acarinhada neste cantinho de Portugal que escolheu para viver e privilegiada por ter um grupo de amigos que são família.

Participaram nesta tertúlia: Miguel Sousa, Ernesto Sampaio, Libânia Moura, Pascal Pereira, Piedade Torres, Cátia Marinho, Emanuel Gomes, António Costa e a amiga pessoal da nossa convidada: Fernanda Pires.

No passado dia 15 de dezembro, no âmbito da festa de Natal dos catequizandos da Paroquia de Jugueiros, um grupo de joven...
19/12/2024

No passado dia 15 de dezembro, no âmbito da festa de Natal dos catequizandos da Paroquia de Jugueiros, um grupo de jovens fez uma apresentação que abordava as principais diferenças da época Natalícia vivida entre eles e a dos seus avós.
Desde logo, todos os avós abordados referiram que no seu tempo quem trazia as prendas era o Menino Jesus e não o Pai Natal, e valorizava-se mais o convívio familiar e a partilha, ao contrário dos dias de hoje dominado pelas novas tecnologias, que “afastam” as famílias da Ceia de Natal.

No Natal deles, alguns já comiam o bacalhau, por vezes demasiado salgado ou mal confecionado por falta de recursos. Só o facto de não comerem o alimento de todos os dias – a sopa – substituída por arroz, massa, misturada com pão para dar mais quantidade, galinha, etc. era já uma alegria.
O pão também era presença frequente, ainda que limitado na quantidade. Os doces também eram escassos, sendo mais comum a aletria, formigos e rabanadas. O pão-de-ló era só para algumas famílias.

As músicas natalícias eram apenas as que se cantavam a caminho da missa do Galo, ou no caso de algum elemento da família saber tocar um instrumento, alegrava o convívio familiar com pequenos trechos musicais.

Relativamente às prendas, colocadas por vezes no calçado (socas) das crianças, eram comuns os rebuçados, bolos, bolachas, bijus, pinhões, etc., ou outra necessidade que fizesse falta em casa, como um utensilio, loiça (garfo, colher, …), peça de roupa, calçado, e muito esporadicamente um brinquedo como uma boneca de trapos. O ponto de entrada das prendas era também a chaminé da lareira.

As decorações de natal eram mais singelas, composto por uma coroa do advento e sobretudo na realização de um presépio, com o pormenor de a farinha pretender imitar o efeito da neve sobre a cabana do presépio.

Todos iam à missa do Galo, enchendo as igrejas, celebrando em comunidade o nascimento do menino Jesus, sendo também uma oportunidade de sair à noite até mais tarde. No percurso, mais ou menos difícil pelos caminhos em terra, serviam-se de velas ou pilhas para iluminar o percurso.

Apesar das dificuldades de então, todos recordam com nostalgia essa época, sobretudo pela alegria que sentiam, pela simplicidade, pelo convívio familiar, pela ajuda ao próximo e a gratidão das pequenas coisas.

Catequizandos: Teresa, Beatriz M, Dinis, Francisco, Duarte, Afonso N, Martim, Sofia, Afonso C, Beatriz L, Madalena, Alexandra.
Catequistas: Carla Ribeiro, Rita Pereira.
Estiveram presentes os tertulianos: Pascal Pereira e Libânia Moura.

A tertúlia de 16 de novembro de 2024 teve como nossa convidada a D. Ana Pereira de Lemos Sampaio, prestes a completar os...
17/11/2024

A tertúlia de 16 de novembro de 2024 teve como nossa convidada a D. Ana Pereira de Lemos Sampaio, prestes a completar os seus 93 anos (dia 22/11).

Este encontro realizou-se na casa da nossa convidada, no lugar da Cruz, que nos recebeu com um delicioso lanche.

Nasceu em Travassós, é filha de Maria Lemos Sampaio e Carlos Pereira, teve mais 8 irmãos. O seu pai era sapateiro de profissão e a mãe era dona de casa.

Frequentou a escola do Assento até à 3 classe. A sua mãe fez questão que todos os filhos frequentassem a escola. No recreio da escola brincavam ao jogo da pedrinha e ao jogo do botão (jogo do galo). A catequese era na casa da Leninha da venda (largo do Assento).

Ajudava a mãe nas tarefas domésticas. Recorda- se de acompanhar a sua mãe, às quartas feiras, com cestos de cebolas à cabeça, para vender na feira de Fafe. Assim como, de lavar a roupa nos lavadouros junto aos moinhos de Travassós.

Existia um grande carvalhal na Perlonga, onde a procissão da Sta Águeda costumava circular. A procissão começava no carvalhal do Largo do Assento e seguia até ao carvalhal do Largo da Perlonga.
Na casa da Botica, havia um boticário (a farmácia da época), onde faziam a recolha de sangue.

Quando terminou a escola começou a trabalhar como ama de uma criança. Era tempo de "fome do açúcar". Se a criança não comia, então a D.Ana comia por ela.

Depois, começou a servir em casas senhoriais. Na casa do Sr. Ribeiro, tinha como tarefas encher água na fonte, corar roupa,etc. Numa das vezes, esqueceu a roupa à geada e quando foi dobrar os lençóis, rasgou-os. Chegou a servir na casa dos patrões, no Porto. Tinha que ir buscar a carqueja ao hospital militar para acender o fogão de lenha.

Com apenas 11 anos foi de autocarro até Braga para ir buscar um bouquet de flores. Como não sabia a localização, mandaram-na procurar a porta com as cobras (farmácia), para pedir indicações.

Entretanto, trabalhou também em tecidos na fábrica do Vieira. Foi-lhe entregue um tear para poder trabalhar a partir de casa.

Conheceu o marido, Sr. Fernando Pinto, natural de Gondim, num cortejo de leilão de prendas. Namorou 7 meses e casou aos seus 26 anos. Ficou a viver no lugar do Estradão em S. Paulos. Teve 3 filhos, sendo que o mais velho faleceu perto dos 5 anos. Foi o marido que construiu a casa onde ainda hoje vive e mudaram -se para o Lugar da Cruz após o nascimento da filha mais nova.

Foram muitas as partilhas. Entre levar a panela de cobre para fazer marmelada e a caricata história de uma senhora de família abastada, que na varanda perguntava à criada "Oh criada, a minha bunda abana?" (e abanava o rabo) e a criada respondia "abana sim, minha senhora " e "eles olham para mim?" perguntava a patroa, "olham sim, minha senhora", respondia a criada. Foi uma tarde muito animada.

Relembrou as missas às 6h30 da manhã em Serzedo, e as ajudas aos mais pobres. O Sr. Manuel da igreja, oferecia um s**o pão ou um cobertor. A Dra Iara , oferecia na Páscoa um pão com marmelada.

Participaram nesta tertúlia: Miguel Sousa, Libânia Moura, Pascal Pereira, Piedade Torres, Cátia Marinho e a filha e genro da nossa convidada: Rosalina e Artur.

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Jugueiros
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