27/06/2026
𝗔𝗻𝘁𝗼́𝗻𝗶𝗼 𝗡𝗮𝗯𝗮𝗶𝘀
01.06.1937, 𝘈𝘭𝘱𝘦𝘥𝘳𝘪𝘯𝘩𝘢 - 27.06.2026, 𝘗𝘰́𝘷𝘰𝘢 𝘥𝘦 𝘚𝘢𝘯𝘵𝘢 𝘐𝘳𝘪𝘢
Despedimo-nos do nosso amigo António Nabais, resistente antifascista, ex-preso político e um destacado membro e entusiasta da URAP.
António Diamantino Raimundo Nabais nasceu em Alpedrinha, no Fundão, a 01 de junho de 1937.
Ainda jovem, veio para a Póvoa de Santa Iria, no concelho de Vila Franca de Xira e, como tantos rapazes da sua geração, começou a trabalhar muito cedo. António Nabais prosseguiria os estudos à noite, nessa sua incessante vontade de aprender, aprender sempre.
Também por essa altura, num concelho profundamente ligado à resistência antifascista, acabaria por Ingressar no MUD Juvenil e no Partido Comunista Português (P*P). Foi operário na MEC–Fábrica de Aparelhagem Industrial. Cumpriu o serviço militar e integrou a Força Aérea.
Foi preso pela primeira vez na Trafaria e pouco depois no Aljube. Submetido, pela PIDE, à tortura do sono, a sessões de estátua e a um longo isolamento, foi condenado em tribunal e enviado para Caxias, onde passou cinco anos preso.
A relação de António Nabais com a vida política e cultural continuaria após a sua libertação, organizando sessões com escritores, músicos e artistas na Póvoa de Santa Iria.
Ao longo das últimas décadas, após o 25 de Abril, António Nabais foi sempre um grande impulsionador da atividade cultural - na poesia e no teatro - do esclarecimento político e um militante ativo na vida da cidade e do concelho que o acolheram. Foi também nesse âmbito que se associou ao Grémio Dramático Povoense, numa ligação com quase sete décadas, e que exerceu funções autárquicas, como Presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa Iria e eleito na Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira, pela CDU.
Nunca deixou de intervir e de dar o seu contributo não só para a memória da resistência antifascista, como para a promoção dos valores de Abril, estando sempre presente em vários momentos de luta, onde destacamos a sua assídua presença nas comemorações populares do 25 de Abril, em Vila Franca de Xira e em Lisboa.
Esta dedicação e este compromisso estão bem patentes numa frase que repetia com frequência: "No dia em que a vida acabar vai ser uma chatice porque ainda tenho muito para fazer."
Aos seus familiares, amigos e camaradas, o núcleo de Vila Franca de Xira da URAP transmite as suas mais profundas condolências.
25 de Abril sempre. Fascismo nunca mais.