22/05/2026
ENTRE SILÊNCIOS E PALAVRAS: ALESSIA TERRA REVELA “A COR DA SOLIDÃO”
Sábado, 23 de Maio, marca o lançamento da mais recente obra literária de Terra, intitulada “A Cor da Solidão”, numa cerimónia a ter lugar no António Agostinho Neto, em Luanda.
Editado pela Cosmos África, o livro propõe uma imersão sensível e reflexiva sobre a solidão, explorando dimensões emocionais frequentemente silenciadas no quotidiano.
A obra apresenta Henda, uma criança de 8 anos que convive com um amigo invisível, numa narrativa que se assume como “um espelho silencioso sobre o afecto e tudo aquilo que evitamos conversar por medo de julgamentos”.
Em entrevista ao A Alvorada, Alessia Terra descreve-se como uma autora movida pela necessidade de “transformar o silêncio em emoções profundas”, transcrevendo para o papel inquietações internas que muitas vezes permanecem ocultas. Para a autora, abordar temas como solidão, dor e perda implica uma clara responsabilidade social, sobretudo numa época em que questões ligadas à saúde mental ainda enfrentam resistência e incompreensão.
“A Literatura é uma ponte que nos liga a várias emoções. Quando nos deparamos com as obras certas, conseguimos encontrar mecanismos para melhorar a nossa saúde emocional”, afirma.
“A Cor da Solidão” surge num momento de transformação pessoal e artística da autora, que define esta fase como uma “metamorfose”, marcada pela auto-descoberta e amadurecimento criativo. Curiosamente, a obra não estava inicialmente prevista para publicação neste momento, tendo sido impulsionada por circunstâncias que a autora acredita fazerem parte de um propósito maior.
Sobre o título, Alessia Terra revela uma abordagem sensorial e simbólica: “não é uma cor que se vê, é uma cor que se sente”, reforçando o carácter íntimo e subjectivo da narrativa.
O livro, de natureza narrativa com forte pendor introspectivo, percorre temas como solidão, imaginação, coragem e auto-conhecimento. A autora sublinha que a sua intenção não é explicar a solidão, mas explorá-la, evitando romantizações excessivas e privilegiando uma abordagem honesta e emocionalmente autêntica.
O processo criativo da obra teve origem inusitada: um desafio literário num grupo de leitura do Facebook levou a autora a desenvolver uma história que surgiu inicialmente de um sonho, evoluindo de um micro-conto para uma narrativa mais ampla, incentivada pela recepção de pessoas próximas.
No panorama cultural, Alessia Terra reconhece avanços no mercado literário, mas aponta ainda limitações no que toca à visibilidade e valorização de novos autores, destacando a necessidade de maior abertura e investimento no sector.
Com “A Cor da Solidão”, a artista afirma a sua identidade literária e abre caminho para novos projectos, mantendo o foco na exploração do universo emocional humano.
A obra já está disponível em pré-venda ao preço de 11.000 Kz, passando posteriormente para 14.500 Kz após o lançamento oficial.
Mais do que uma narrativa, “A Cor da Solidão” propõe um encontro íntimo com o leitor. “Não escrevo para ensinar ou conduzir, escrevo para encontrar, para ajudar a curar”, sublinha a autora, acrescentando que o mais importante não é apenas o que o livro diz, mas aquilo que desperta em quem o lê.
O evento de lançamento terá lugar no Dr. António Agostinho Neto, no dia 23 de Maio a partir das 13 horas e contará com a presença da autora, leitores e convidados ligados ao meio literário.
A Alvorada
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