18/10/2025
As listras eram visíveis, estreitos caminhos terríveis, os pulos e berros alertam quem passa, as crianças dançam e cantam, de forma característica, é perceptível quando a inocência vigora.
- Eu sou de cá, a muito que tenho este caminho, são os passos de meu pai que trilharam este caminho.
Sou dono das correntes que sopram este vento, os rios sabem o meu nome, as árvores conhecem o meu peso. A muito tempo que o tempo tem me visto por essas bandas, e o acaso não mora aqui.
Tudo tem explicação, as razões são todas chamadas pelos nomes, por vezes estranhas, mas para os velhos são coisas sabidas, os mais velhos são mesmo mais velhos.
Os costumes, os hábitos são as riquezas dos nossos antepassados, e herdar cada item destes, conhecimentos, dons, cabeças e bungingangas é dizer pai podes ir, eu consigo caminhar o resto do caminho.
As listras não eram listras, o verde e o castanho dos campos, eram as listras no olho da visita, a certeza do incerto, sem saber que o acaso tomou as suas terras e cá vive e vem cavando covas a muito tempo, num silêncio de mudos....
Há, ali um morto morrido, há pólvora espalhada, o estrondo ecoa pelos ares, a fuga dos pássaros, um antílope apressado e a culpa do culpado. O que aconteceu? Isso foi onde? As perguntas também se espalharam.
As falas terminaram, os olhos olharam e a boca gritou, as dores de não conseguir explicar... as explicações ficaram nas intervenções, só eu vi, só ele sabe porque foi ali, o antílope não fala, os pássaros só sabem assobiar... Ninguém falou o que ele dizia, as palavras eram só dele, e para piorar ele estava quieto.
Essa quietude esconde as verdades. É neto do Soba, é pessoa de verdade na ombala, é filho de quem perdeu, e a mãe já deixou morrer vários, este é o único
Tinha algumas, mas este era o único. Há julgamento, há culpado mesmo que o julgamento termine e te iliba, és culpado!
A revolta, a tristeza, a raiva... Também a culpa, não há culpa mas há culpa... Se eu não..., se... Se... Não há culpa. Só há culpa quando se quer encontrar um culpado.
As pressas lhe disseram para ir, a polícia não sabe como lhe proteger, não sabe como lhe dizer que não és..., mas também caças porquê, e aqui?
Afinal és culpado, os papéis, as informações, quem lhe permitiu? És de onde quais as cores pintam a tua pátria?
Afinal és culpado porque não sabes tomar decisões... Já foste julgado, aqui já não há necessidade e nem precisas, vamos te guardar ainda aqui até um dia precisarmos de ti ou queiramos ouvir a tua voz.
Lá já se foram 20 anos, hoje são 17 se outubro de 2025 e ainda estou por cá a espera que me encontrem. Quiçá um dia os animais falem e contem que pulou como criança fazendo um silêncio de espreitar
Obs: Se houver coincidência, lembra que Deus faz de propósito para mostrar que ela sabe das coisas e tenta nos avisar