O trabalhismo é um conceito que começa a ser estabelecido a partir da Revolução Industrial, quando começa a se organizar um movimento com vista à melhoria da condição de vida dos trabalhadores. Este movimento começa a crescer e a gerar diferentes ideologias na defesa desse ideal, tendo uma variação de abordagem em relação ao tema. Nesse espectro se encontram desde as ideologias mais brandas como a
democracia-cristã, passando pelo próprio trabalhismo, social-democracia, socialismo e chegando até as mais radicais como o comunismo e o anarquismo. A ideologia trabalhista tem início na Inglaterra, com a criação de sindicatos de trabalhadores que visam lutar pela melhoria da qualidade de suas vidas, assim como a busca da regulação da atividade trabalhadora, bem como a busca pelo estabelecimento de direitos e garantias aos trabalhadores, tendo como exemplo o fim do trabalho infantil, o direito ao descanso semanal remunerado, um limite na jornada de trabalho etc. No Brasil, o 'movimento com vista à melhoria da condição de vida dos trabalhadores' só começa a ganhar corpo no início do século XX, na parte final da República Velha, vindo a se fazer mais presente na vida nacional por volta das décadas de 1920 e 1930. A ideologia trabalhista em si ganha força através da ação política do Presidente Getúlio Vargas de estímulo à criação de sindicatos e o exercício de sua influência sobre eles e a classe trabalhadora, que acabará culminando com a fundação do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB após o fim do Estado Novo e a redemocratização do país em 1945. O conceito do trabalhismo, tal como desenvolvido na Inglaterra, sofreu uma certa “abrasileiramento”, dando ensejo a uma ideologia tipicamente nacional, e tendo como um de seus principais ideólogos o sociólogo e político Alberto Pasqualini, que tinha como base os princípios do solidarismo cristão (democracia-cristã). Definia-se o trabalhismo como expressão equivalente a de capitalismo solidarista. De acordo com essa expressão, a ideologia trabalhista reconhece o capitalismo como sistema econômico, não se opondo, portanto, à propriedade privada, mas defendendo uma intervenção do Estado na economia, de modo a corrigir os excessos do sistema capitalista, e atingir uma forma mais moderada e humana do capitalismo, dando ênfase nas políticas públicas com objetivo de melhorar a condição de vida dos trabalhadores, o que seria atingindo baseado na “conciliação de classes”. O trabalhismo sustenta então a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando a sua convivência harmônica, bem como a superação das diferenças de classe, sem violência, através da melhor distribuição da riqueza e da promoção da justiça social. Tem-se então que o trabalhismo não defende o fim do capitalismo, mas sim o abrandamento de suas consequências como o faz a democracia-cristã, porém, a diferença entre as duas ideologias é que o trabalhismo é uma ideologia que dependendo da variante assumida pelo movimento trabalhista pode ser totalmente laica, não pregando necessariamente a fidelidade aos ensinamentos cristãos.