14/03/2022
DESABAFO
Pensei muito antes de publicar esse texto, porquê sei que posso sofrer represálias e até ser punido administrativamente por isso, mas preciso falar, compartilhar o turbilhão de emoções que venho sentindo e vivendo! Não é fácil falar e expor o que estou sentindo, mas sinto que é necessário. Ultimamente tenho me sentindo muito triste, mais muito triste mesmo, com tudo o que vem acontecendo, da forma que estamos sendo tratados pelo Governo do Estado de Minas Gerais e por muitos que deveriam nos representar, apoiar e defender; sei que assim como eu muitos companheiros também estão tendo os mesmos sentimentos que são de tristeza, revolta e insatisfação. Sou policial e tenho 26 anos de efetivo serviço, trabalho em um portfólio onde a minha missão principal é não deixar que o crime de homicídio aconteça e se por ventura vier a acontecer, tentar identificar o autor e prende-lo, como também atender ocorrências de crimes violentos, realizar operações e atuar na área social. A maior parte do meu horário de trabalho eu e a minha equipe atuamos em aglomerados, onde existe muita pobreza, violência e desigualdade social... Tentamos de alguma forma ajudar as pessoas que residem nesses locais e muitas vezes acabamos realizando funções que não são nossas, com o objetivo de melhorar de alguma forma a vida das pessoas que residem nesses locais, seja prendendo um traficante ou fazendo a doação de uma cesta básica, aconselhando os jovens, encaminhando um jovem para um projeto social ou um dependente químico para uma casa de recuperação... Nesses locais muitas vezes só existe a presença do Estado através da Polícia, que ao mesmo tempo que é admirada por uma parte dos moradores, também é detestada por outra parte dos moradores destas comunidades.
Ser policial não é missão fácil, não é para qualquer um! Quando você está de serviço muitas vezes você lida com a riqueza e com a pobreza, com a fartura e com a fome, com a alegria e com a tristeza, com a vida e com a morte. Não é fácil chegar em casa e esquecer tudo o que vimos e vivemos, não é simplesmente como virar uma chave e pronto, esquecemos tudo. A maior parte dos profissionais da classe da segurança pública das Minas Gerais, se dedica ao máximo no desempenho da suas funções e muitas vezes realiza ações que colocam a sua vida em risco, a sua carreira, trabalha em locais insalubres, as vezes falta materiais, equipamentos e mesmo assim não recuam na sua missão de servir e proteger a sociedade. As vezes vejo alguns políticos, parte da sociedade e da mídia dizendo que os policiais ou militares são uma classe privilegiada, porém, gostaria de saber em quê? Porque essa classe de profissionais ao contrário do que muitas pessoas acham, são cobradas ao extremo e não possuem vários direitos trabalhistas como outras classes de trabalhadores. Nós não recebemos periculosidade, hora extra, adicional noturno, não temos FGTS, direito a seguro desemprego e outros. Se mesmo de serviço o policial se envolver em uma ocorrência e por acaso for processado, somos nós que arcaremos com as custas da contratação de um advogado. Se formos excluídos ou demitidos, não receberemos nada, ou seja, sairemos como uma mão na frente e outra atrás.
Quero deixar bem claro que as forças de segurança pública não estão pedindo aumento salarial, vantagens, penduricalhos ou tratamento diferenciado, queremos apenas que o senhor Governador do Estado de Minas Gerais Romeu Zema Neto, cumpra com o acordo que foi assinado em ATA em 2019, onde o Estado se comprometeu a pagar a recomposição das perdas inflacionárias conforme prevê a Constituição Federal, que seria pago em 03 parcelas a partir do ano de 2020, sendo a primeira parcela de 13%, no ano de 2021 seria pago a segunda parcela de 12% e no ano de 2022 seria paga a terceira e última parcela de 12% , mas o Governador só pagou a primeira parcela e se recusa a pagar as outras duas parcelas. Como podemos ver o Governador Romeu Zema não tem palavra e ainda fala um monte de mentiras para a sociedade e a mídia, dizendo que está em negociação com a classe da segurança pública e que o Estado não teria dinheiro para pagar a recomposição das perdas inflacionárias devida. Por várias vezes o governo já mudou o seu discurso para não cumprir com o que foi acordado em ATA. Porém, a suas atitudes demonstram que apesar dele dizer que o Estado não tem dinheiro e que todas as classes do funcionalismo público são tratadas iguais, não é isso que vemos em relação ao Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública!
Enfim, saiba que o Estado de Minas Gerais só foi considerado o mais seguro do Brasil pelo Ministério da Justiça, graças ao trabalho dos profissionais da classe da segurança pública e que não houve nenhum grande investimento no Estado relacionado a segurança pública. O diferencial como sempre foi a iniciativa dos profissionais nas abordagens e no atendimento das ocorrências, o tirocínio policial e o comprometimento com o trabalho, sendo que muitas vezes esses profissionais da segurança pública realizam ações que colocam a sua vida em risco, a sua carreira, trabalham em locais insalubres, as vezes falta materiais, equipamentos e mesmo assim não recuam na sua missão. Mas devido ao que o Governador vem fazendo com a classe, esses profissionais passaram a trabalhar na estrita legalidade, ou seja, não vão mais ficar se expondo, correndo riscos, ou descumprindo normas e regulamentos para prestar o serviço, irão atuar somente dentro do que for previsto e devido a isso a sociedade e a mídia já estão vendo o número de crimes como homicídios e roubos aumentarem em todo o Estado. Diante do exposto, a sociedade e o governo só tem a perder por não reconhecerem e apoiarem esses homens e mulheres que fazem de tudo para servir e proteger a todos nós. Vamos refletir!
Que o nosso Deus abençoe e proteja a todos vocês e a suas famílias, de uma maneira forte e poderosa. A honra e a glória é do Senhor!
Se você se sentiu tocado ao ler esse texto ou se concorda com ele, peço por gentileza que compartilhe para que as pessoas saibam o que está acontecendo em nosso Estado!
Marco Aurélio Venâcio Palarea
segurança publica