22/05/2019
Demógrafo afirmou que não há motivos para cortes no questionário
O demógrafo e técnico do IBGE, Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira, usou os exemplos de censos fracassados no Paraguai e no Chile, em 2012, para apresentar suas preocupações com o Censo 2020. No Paraguai houve 25% de subenumeração e os motivos foram uma crise política, a mudança de governo e a falta de recursos humanos e financeiros. No Chile teria ocorrido falta de planejamento, desorganização e mudança de questionário de última hora. “Ou seja, estamos caminhando para cometer os mesmos erros dos países vizinhos”, apontou Tadeu.
De acordo com o demógrafo, foram feitos vários te**es (internet, laboratório, prova piloto em 2018 e em março/2019) para preparar o censo 2020, além de consulta pública e conversas com os usuários. A prova piloto de agosto de 2018 contou com 150 perguntas. “O que me causa estranheza é que isso não foi problema naquele momento”, disse.
Com o novo governo veio a orientação de cortar o questionário. O número de perguntas foi reduzido para 127, com base no que não deu certo na prova piloto. A Presidente do IBGE convidou o professor Paes de Barros e ele apresentou considerações, mas acabou convencido pelos técnicos da casa sobre a justeza do questionário. Ainda assim foram retirados alguns pontos e o questionário, com 98 perguntas, foi levado à Presidente.
A resposta foi a exoneração do diretor de pesquisas e sua substituição por Eduardo Rios-Neto. Agora, Rios-Neto tem prazo até a próxima semana para apresentar sua proposta para o questionário do Censo 2020.
De acordo com Tadeu, o questionário formulado pelos técnicos do IBGE garante a qualidade, minimiza problemas com séries históricas e assegura a realização de políticas públicas. “Até agora não apareceu nenhuma argumentação capaz de afirmar o contrário”. (Foto: Antonio Carlos Cruz)