Um Esquerdista Qualquer

Um Esquerdista Qualquer Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Um Esquerdista Qualquer, Organização política, antonia belinassi, Boa Esperança.

25/05/2020
20/04/2020

A polêmica sobre Vargas tem coisas um tanto cômicas de um lado ou de outro, por entre outras razões, a compreensão deliberadamente insuficiente da coisa.

Quem é getulista ortodoxo, que leu Benayon, leu nacionalistas apologistas do período, talvez textos do Pasqualini, entre outros... olha para as acusações dos "comunistas" anti-etapistas, ou dos maoístas, e não consegue vê como elementos suficientes as questões que estes mesmos trazem. Costumam transitar nos seguintes níveis de compreensão:

• 1) Eles não leram nada, mas confiam muito na opinião daqueles que eles reproduzem posições, incluso amigos;
• 2) Eles até leram os textos de teor nacionalista e apologias ao Vargas, e fazem pouco caso de quem escreve contra; ou
• 3) Eles até leem essas críticas do maoismo, ou dos anti-etapistas, ao invés de ignorar, mas não se convencem.

Quem é da linha que acha que a teoria atualmente já superou os equívocos do "programa democrático-popular" (quiçá jurando que isso se deu desde Caio Prado Jr), ou até quem defende um programa democrático de novo tipo (como os maoistas), costumam ter oposições mais hostis a qualquer defesa do Vargas, obviamente, estes dois grupos por razões distinas.

Mas igualmente esses "comunistas" possuem três níveis de compreensão:

• 1) Eles não leram nada, mas se convenceram ou confiam muito na opinião daquelas pessoas próximas no qual reproduzem posições, amigos, colegas, camaradas;
• 2) Eles até leram as análises do PCB da época do IC sobre Vargas apontando que Vargas só era mero representante do imperialismo norte-americano (contra a República Oligárquica pró-Inglesa), ou o Fausto Arruda; ou ATÉ superaram "e evoluiram" sua teoria para algo anti-etapista (o que nem desmente o Vargas como autêntico representante do nacionalismo, mas afirma só a revolução diretamente socialista tem chances de imperar); ou
• 3) Até leram coisas além disso, e até chegaram a ler a polêmica com Benayon, mas vêem os argumentos do Benayon como insuficientes para a compreensão do que significou Vargas.

Ironicamente, ambos os lados estão certo em alguma medida, já que lê somente Benayon realmente é insuficiente para uma compreensão do período.

Mas o que ignora-se do outro lado, também, é que as informações que os comunistas veicularam sobre a Revolução de 1930, bem como sobre a própria situação do país para a Internacional Comunista (ou III Internacional), eram informações bastante imprecisas e que superestimavam as forças dos próprios revolucionários no país, assim como resumia o conflito de Vargas com a República Velha a uma mera contradição de EUA vs Inglaterra (sendo Vargas um fantoche norte-americano, e a República Coronelista um fantoche britânico).

Os norte-americanos disputavam hegemonia entre os próprios oligárquicos e financiaram pessoas que tentaram combater Vargas, e eu não estou falando da tentativa de golpe de 1954. Os EUA se inclinaram à oligaquia paulista desde o incidente de 1932!

Há claro, o argumento de que, para resolver plenamente a Questão Nacional, precisamos dá conta satisfatoriamente também da Questão Agrária, isso é, a reforma agrária, o que sou inclinado a concordar. É um argumento pertinente. O que vocês ignoram, entretanto, é que o Kuomitang, o partido nacionalista chinês, com todas as suas contradições e disputas de linha (onde os próprios comunistas pressionaram e apoiaram certas alas em detrimento de outras, por algum tempo), TAMBÉM não pautou autenticamente a Reforma Agrária na China, e isso não impediu os chineses de darem informações mais fidedignas à III Internacional sobre a situação chinesa, o que mais tarde resultou numa melhor atuação do Partido Comunista sob a liderança de Mao.

Prestes poderia ter tensionado, poderia ter exercido pressão no núcleo governalmental de 1930, e seria o segundo homem mais importante do Estado (afinal, ele foi convidado DIRETAMENTE PELO VARGAS). Ele poderia usar seu capital político e sua influência - que já era grande e poderia CRESCER - para gerar uma cisão e, senão tentar covencer ou radicalizar o próprio Vargas, carregar consigo várias pessoas que se vislumbraram com o processo (já limitado de 1930) para tocar algo muito melhor e fazer uma Revolução realmente profunda e radical, demonstrando ao povo brasileiro que "tentou compôr, mas as circunstâncias do próprio governo forçaram os comunistas e as camadas populares a romper".

Não nos mesmos termos, mas os chineses foram mestres nisso. Eles forçaram diálogos com o KMT sucessivas vezes, e aproveitaram das circuntâncias adversas, mais tarde até da própria II Guerra Mundial, para demonstrar todas as limitações dos "nacionalistas" chineses, e desmoralizá-los perante o povo conforme o KMT ia se afundando em erros e queria hostilizar os revolucionários.

Não havia revolução socialista 'soviética' iminente no Brasil de 1930. Poderia ter tido uma mais a frente, se atrelando uma posição oficial de "segundo maior homem do Estado" (oportunidade do Prestes tristemente perdida), amparando movimentos extra-institucionais e clandestinos que visassem derrubar o próprio Estado (até numa futura guerra prolongada, se necessário, semelhante ao exemplo chinês).

Mas não houve.

Não é que as orientações da IC sobre o Partido Comunista de nosso país estivessem erradas. É que o PC não amparou nenhuma informação correta, superestimou um suposto apoio norte-americano de um lado, subestimou o apoio do mesmo imperialismo do outro, deu a entender que viviamos uma situação revolucionária com vistas a implementação que logo viria do poder soviético brasileiro...

A irônia da coisa é que as análises sobre Vargas dos comunistas que fizeram isso no passado incorrem nestes mesmos erros de posição histórica que hoje alguns "comunistas" insistem em ter. Erro que o Mao Tsé-Tung nunca cometeu manejando com maestria a relação com o KMT, seja nas aproximações ou nos distanciamentos.

Demonstrar-se disposto ao diálogo, sem abandonar os princípios, e aproveitar-se quando o inimigo ceder e apresentar oportunidade de conversa. Apontar que quando o diálogo for rompido (e ele QUASE SEMPRE O É), a culpa sempre é do outro lado, que não respeita os nossos princpios inegociáveis, e nos ataca forçando um rompimento.

Conquistar legitimidade com o povo na aproximação do inimigo.

Manter legitimidade com o povo na hostilidade do inimigo.

Essas coisas foram feitas lá.

Não aqui.

Os nacionalistas chineses, mesmo cheio de contradições, mesmo não fazendo reforma agrária, mesmo em certas fases históricas perseguindo lideranças camponesas e do partido, foram tratados taticamente dessa forma na China.

O problema é que não querem atualizar os relatórios do Partido Comunista da década de 1920 e 1930, com informações mais precisas e pormenorizadas que hoje temos o privilégio (por nossa posição "histórica" distante) de vermos sob um melhor ângulo.

Eu compreendo o comunista em 1930 não saber que os EUA na verdade ampararam setores anti-varguistas e até apoiaram a contrarrevolução de 1932... Mas um comunista em 2020 não ter ciência desse balanço de forças? Não saber que essas coisas foram admitidas pelos próprios agentes históricos pró-americanos e anti-varguistas já perto de 1940?

Aí é um pouco demais.

Getulistas dogmáticos: leiam Benayon, leiam Pasqualini... Mas também NÃO se limitem em sua bibliografia.

Comunistas "flexíveis": leiam Fausto Arruda, leiam Caio Prado, Marini, os relatórios do PC à IC, mas leiam também Moniz Bandera, leiam também a gigantesca bibliografia de Nelson Werneck Sodré (o que como marxista "sodresiano" é o que mais endosso que leiam).

O debate não parou aí onde vocês querem que pare.

Há níveis mais profundos - e mais completos - de discussão.

Como diria aquele professor do "Brio":

Vocês tem o cérebro do tamanho normal, a mãe deu leite na infância a você como uma criança normal, neurônio em funcionalmento normal... Se o debate tá todo aí acessível para vocês se aprofundarem, basta vocês mergulharem e não se estancarem.

Não seja "tosquinho".

Senão, bem, qualquer um chega e "caga" na sua cabeça.

(Como estão cagando, aliás).

Texto: Bruno Torres

06/04/2020

“País de sobremesa. Exportamos bananas, castanhas-do-pará, cacau, café, coco e fumo. País laranja! (…). Os nossos economistas, os nossos políticos, os nossos estadistas deviam refletir sobre este resultado sintético da história pátria. Somos um país de sobremesa. Com açúcar, café e fumo só podemos figurar no fim dos menus imperialistas. Claro que sobremesa nunca foi essencial.”

Oswald de Andrade, 1937.

15/03/2020

A exatos 137 anos morria o filósofo Karl Marx.
Após a morte de sua esposa em 1881, Marx desenvolveu problemas de saúde que causaram seu falecimento em 1883, bronquite e pleurisia. Foi enterrado na condição de apátrida, no Cemitério de Highgate, em Londres.

Muitos dos amigos mais próximos de Marx prestaram-lhe homenagem no seu funeral, incluindo Wilhelm Liebknecht e Friedrich Engels. Este pronunciou as seguintes palavras:

“Marx era, antes de tudo, um revolucionário. Sua verdadeira missão na vida era contribuir, de um modo ou de outro, para a derrubada da sociedade capitalista e das instituições estatais por esta suscitadas, contribuir para a libertação do proletariado moderno, que ele foi o primeiro a tornar consciente de sua posição e de suas necessidades, consciente das condições de sua emancipação. A luta era seu elemento. E ele lutou com uma tenacidade e um sucesso com quem poucos puderam rivalizar. (…) Como consequência, Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado de seu tempo. Governos, tanto absolutistas como republicanos, deportaram-no de seus territórios. Burgueses, quer conservadores ou ultrademocráticos, porfiavam entre si ao lançar difamações contra ele. Tudo isso ele punha de lado, como se fossem teias de ar**ha, não tomando conhecimento, só respondendo quando necessidade extrema o compelia a tal. E morreu amado, reverenciado e pranteado por milhões de colegas trabalhadores revolucionários - das minas da Sibéria até a Califórnia, de todas as partes da Europa e da América."

04/02/2020

"Há muitas formas de matar uma pessoa: enfiando uma faca, tirando o pão, não tratando uma doença, condenando à miséria, fazendo trabalhar até arrebentar, impelindo ao suicídio, mandando para a guerra, etc. Só a primeira é proibida pelo Estado."

- Bertolt Brecht

28/01/2020

"Quando entrei no barracão, vi esqueletos vivos deitados nas beliches de três andares. Como se o som viesse através da neblina, ouvi meus soldados dizendo 'vocês estão livres, camaradas!' . Sentindo que não nos entendiam, comecei a falar com eles em russo, polonês, alemão, dialetos ucranianos, enquanto desabotoava minha jaqueta e mostrava minhas medalhas... Então falei em iídiche. Sua reação foi inesperada, eles pensavam que eu os estava provocando e começaram a se esconder. Apenas quando eu disse 'não tenham medo, sou coronel do exército soviético e judeu, viemos para libertá-los', finalmente, como se um muro caísse, eles vieram em nossa direção se jogando aos nossos joelhos e beijando as dobras de nossos casacos. Seus braços se enrolavam em nossas pernas e não podíamos nos mover, paralisados ali e quando lágrimas escorriam por nossas bochechas."

Depoimento de Georgi Elisavetski, um dos primeiros soldados comunistas a entrar no campo de extermínio de Auschwitz, em 27 de janeiro de 1945.

Passagem retirada do livro "Total War: from Stalingrad to Berlin", de Michael Jones

25/01/2020

Devemos aspirar a conjugar a nossa vida pessoal com a luta, com a edificação do comunismo. Isto não significa, por certo, que devamos renunciar à nossa vida pessoal. O Partido Comunista não é uma seita e por tal facto não pode pregar qualquer tipo de ascetismo. Numa fábrica ouvi, certa vez, uma operária dizer a outras

“Camaradas operárias, não esqueçais que desde o momento em que vos filiais no Partido, deveis renunciar ao vosso marido e aos vossos filhos.”

É evidente que as coisas não se passam assim. Não se trata de renunciar ao marido e aos filhos, mas de fazer dos filhos e do marido lutadores pelo comunismo. Há que fazer a fusão da vida privada com a vida social. E isto não ascetismo; pelo contrário, é graças à fusão da causa comum a todos os trabalhadores com assuntos pessoais, que a vida privada de cada um se enriquece . Em vez de se empobrecer, ela proporciona gratas e profundas emoções, como jamais a vida familiar pequeno-burguesa proporcionou. Saber conjugar a vida, em benefício do comunismo, com o trabalho, com a luta dos trabalhadores pela edificação do comunismo, é uma de nossas tarefas. Vós, os jovens, que agora, começais a construir a nossa vida, deveis organizá-la de modo a que nela se produza o divórcio entre a vida privada e a vida social.

- Nadezda Krupskaia (Fragmento do Discurso pronunciado no VI Congresso das Juventudes Comunistas da Rússia)

25/01/2020

Ela foi muito mais que a mulher de Lênin. Apaixonada pela política, Nadezhda embarcou numa viagem revolucionária, escreveu o primeiro texto feminista russo e impulsionou a celebração do Dia Internacional da Mulher no seu país.

10/01/2020

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.

LIBERDADE - Carlos Marighella

09/01/2020

"Eu sou um homem antigo, que leu os clássicos, que colheu a uva na vinha, que contemplou o nascer e o cair do sol sobre os campos, entre os velhos e fieis relinchos, entre os santos abençoados; que então viveu em pequenas cidades de forma estupenda impressa pela era artesanal, onde até mesmo um casebre ou uma mureta são obras de arte, e bastam um riacho ou uma coluna para dividir dois estilos e criar dois mundos. Não sei, então, o que fazer com um mundo unificado pelo neocapitalismo, ou seja, por um internacionalismo criado, com violência, pela necessidade de produção e de consumo". - Pier Paolo Pasolini

02/01/2020

Odio il Capodanno

Toda manhã, ao acordar mais uma vez sob o manto do céu, sinto que para mim é o primeiro dia do ano.
Por isso odeio estes anos novos a prazo fixo, que transformam a vida e o espírito humano em uma empresa comercial, com sua prestação de contas, seu balanço e suas previsões para a nova gestão. Eles fazem com que se perca o sentido de continuidade da vida e do espírito. Termina-se por acreditar a sério que entre um ano e outro exista uma solução de continuidade e comece uma nova história; fazem-se promessas e projetos, as pessoas se arrependem dos erros cometidos, etc. É um equívoco geral que afeta todas as datas.
Dizem que a cronologia é a ossatura da história. Pode-se admitir que sim. Mas também é preciso admitir que há quatro ou cinco datas fundamentais, que toda pessoa conserva gravadas no cérebro, datas que tiveram efeito devastador na história. Também elas são primeiros dias de ano. O Ano Novo da história romana, ou da Idade Média, ou da era moderna. Elas se tornaram tão presentes que nos surpreendemos a pensar algumas vezes que a vida na Itália começou em 752, e que 1490 ou 1492. São como montanhas que a humanidade ultrapassou de um só golpe para entrar em um novo mundo e em uma nova vida
Com isso, a data converte-se em um fardo, um parapeito que impede que se veja que a história continua a se desenvolver de acordo com uma mesma linha fundamental, sem interrupções bruscas, como quando o filme se rompe no cinema e se abre um intervalo de luz ofuscante
Por isso odeio o ano novo ano. Quero que cada manhã seja um ano novo para mim. A cada dia quero ajustar as contas comigo mesmo e renovar-me. Nenhum dia previamente estabelecido para o descanso. As pausas eu escolho sozinho, quando me sinto embriagado de vida intensa e desejo mergulhar na animalidade para extrair um novo vigor
Nenhum disfarce espiritual. Cada hora da minha vida eu gostaria que fosse nova, ainda que vinculada às horas já passadas. Nenhum dia de júbilo coletivo obrigatório, a ser compartilhado com estranhos que não me interessam. Só porque festejaram os avós dos nossos avós, etc., teremos também nós de sentir a necessidade de festejar? Tudo isso dá náuseas
Espero o socialismo também por esta razão. Porque mandará para o lixo todas estas datas que já não têm nenhuma ressonância em nosso espírito. E se o socialismo vier a criar novas datas, ao menos serão as nossas e não aquelas que temos de aceitar sem benefício de inventário dos nossos ignorantes antepassados.

Antonio Gramsci, Turín, 1º de janeiro de 1916.

Endereço

Antonia Belinassi
Boa Esperança, MG
29845-000

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Um Esquerdista Qualquer posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Compartilhar