NEPE O Núcleo de Estudos e Pesquisas Estratégicos

O Núcleo de Estudos e Pesquisas Estratégicos é um fórum permanente de promoção do livre pensamento, reunindo intelectuais das diversas áreas dos saberes, a fim de discutir os problemas locais e nacionais na perspectiva de apontar propostas e encaminhamentos para as superações de seus entraves. Contará com o apoio do Grêmio Estudantil do Instituto que f**ará responsável por envolver os estudantes e apresentar suas demandas em torno de temas específicos da juventude.

25/09/2013

ADOLESCENTE AOS 25 ANOS

Diretriz propõe extensão do período para que a maturidade emocional e o desenvolvimento hormonal esperem desenvolvimento total do córtex pré-frontal


Uma nova orientação para psicólogos americanos prega que a adolescência agora vai até os 25 anos, e não apenas até os 18 anos como estava previsto.

- A ideia de que de repente, aos 18 anos, a pessoa já é adulta não é bem verdade - disse à BBC a psicóloga infantil Laverne Antrobus, que trabalha na Clínica Tavistock, em Londres. - Minha experiência com jovens é de que eles ainda precisam de muito apoio e ajuda além dessa idade.

A mudança serve para ajudar a garantir que quando os jovens atingem a idade de 18 anos não caiam nas lacunas no sistema de saúde e educação - nem criança, nem adulto - e acompanha os acontecimentos em nossa compreensão de maturidade emocional, desenvolvimento hormonal e atividade cerebral.

Há três estágios da adolescência: dos 12 aos 14, dos 15 aos 17 e dos 18 em diante. A neurociência tem mostrado que o desenvolvimento cognitivo de uma pessoa jovem continua em um estágio mais tardio e que, sua maturidade emocional, a autoimagem e o julgamento são afetados até que o córtex pré-frontal seja totalmente desenvolvido.

O professor de sociologia Frank Furedi, da Universidade de Kent, defende que já há um grande número de jovens infantilizados e que a medida só vai fazer com que homens e mulheres fiquem ainda mais tempo na casa dos pais.

- Frequentemente se apontam as razões econômicas para este fenômeno, mas não é bem por causa disso - diz . - Houve uma perda da aspiração por independência. Quando eu fui para a universidade, se fosse visto com meus pais decretaria minha morte social. Agora parece que esta é a regra.

Furedi acredita que esta cultura da infantilização intensificou o sentimento de dependência passiva, que pode levar a dificuldades na condução dos relacionamentos maduros. E não acredita que o mundo virou um lugar mais difícil para se viver.

- Acho que o mundo não ficou mais cruel, nós seguramos nossas crianças por muito tempo. Com 11, 12, 13 anos não deixamos que saiam sozinhos. Com 14, 15, os isolamos da experiência da vida real. Tratamos os estudantes universitários da mesma maneira que tratamos alunos da escola, então eu acho que é esse tipo de efeito cumulativo de infantilização que é responsável por isso.

Fonte: http://goo.gl/Wkveif

24/09/2013

ESCOLAS ADAPTAM SEUS CURRÍCULOS


Na medida em que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passa por ajustes logísticos e pedagógicos, as escolas pegam carona nas transformações e tentam adequar o currículo do ensino médio.

De acordo com a especialista em Educação Andrea Ramal, o tipo de cobrança da prova já faz com que mais professores se esforcem para aproximar o conteúdo da realidade do aluno.

O uso de problemas práticos para aplicar conteúdos é cada vez mais comum. Projetos de investigação interdisciplinares representam outra tendência de ruptura com o modelo mais formal e disciplinar. "E ainda são necessárias mudanças na licenciatura, já que os professores não estão preparados para atuar com a matriz do Enem", aponta.

Andrea defende que o Enem não seja o único acesso às universidades. "Seria possível considerar o histórico do aluno se nós tivéssemos uma qualidade padronizada no ensino médio", avalia.

Mobilidade. Professor da Universidade Federal da Bahia, Cipriano Luckesi acredita que a chance de mobilidade dos alunos propiciada pelo sistema único de vagas também é um ponto positivo.

"Há risco de que o Sul e o Sudeste tomem vagas de outras regiões. Mas, no médio prazo, isso faz com que o nível das escolas melhore nesses lugares", prevê.

Para ele, não há problemas no uso simultâneo do exame como avaliação do ensino médio e como vestibular porque as escolas passarão a adotar gradualmente a nova matriz. "A diferença está no modo de fazer a leitura dos dados para cada fim", explica.

Sobrecarga. Já o professor Rodrigo Travitzki, doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), critica o papel duplo do Enem.

"Na seleção para o ensino superior são necessários muitos itens difíceis", pondera. "Já a avaliação deve ter itens médios e considerar todos, até mesmo quem não entrará na faculdade." Indicadores de qualidade, de acordo com ele, são melhores se desenhados para uma única função.

Para os especialistas, outras demandas para os próximos exames são a realização de mais uma prova por ano, o que aliviaria a edição anual, e o aperfeiçoamento do banco de questões - desde a formulação até o sigilo das perguntas.

Fonte: http://migre.me/gc08u

16/09/2013

BULLYING NA ESCOLA

'Atitude nas escolas é permissiva com o bullying', diz escritora

Autora do best-seller "Fale!", que acaba de ganhar edição brasileira, Laurie Anderson fala sobre o tema abordado na obra. Publicado nos Estados Unidos em 1999, livro já vendeu mais de três milhões de cópias

Para a escritora nova-iorquina Laurie Halse Anderson, a literatura é o melhor caminho para que os jovens estejam prontos para enfrentar o mundo real. E é através de um romance que ela tem ajudando milhares deles. Lançado em 1999, "Fale!" conta a história de Melinda, estudante do ensino médio que precisa lidar com problemas como bullying, abuso sexual, depressão e mudanças físicas, tão comuns a jovens de todo o mundo.

Finalista do disputado National Book Award, o livro já vendeu mais de três milhões de cópias e rendeu uma versão cinematográf**a em 2004, com o filme "O silêncio de Melinda", estrelado por Kirsten Stewart. Quase 15 anos após o lançamento, a obra acaba de ganhar uma edição brasileira pela editora Valentina. Em entrevista concedida ao GLOBO, a escritora garante que, apesar do hiato, a história está mais atual do que nunca.

O GLOBO: Já se passaram quase 15 anos desde que " Fale!" foi publicado pela primeira vez. Por que o livro ainda é tão atual?

LAURIE ANDERSON: Infelizmente, é mais atual hoje do que quando foi publicado pela primeira vez. Com os celulares e a internet, há mais maneiras para os adolescentes praticarem o bullying. Nos EUA, tivemos vários casos trágicos de meninas que f**aram tão bêbadas em festas que perderam a consciência. Enquanto estavam neste estágio, elas foram estupradas por garotos que filmaram o crime e postaram o vídeo na internet. Em seguida, essas meninas foram perseguidas, expostas a situações vexatórias e insultadas on-line. Algumas f**aram tão aterrorizadas e angustiadas que cometeram suicídio. Este tipo de ataque é revoltante e tem que parar.

De onde veio a ideia para o livro?

Quando minha filha mais velha estava começando no ensino médio, tive um pesadelo com uma jovem chorando. Quando acordei, não sabia quem era aquela menina e nem por qual motivo ela estava chorando. Então, decidi escrever sobre ela para descobrir essas coisas. Além disso, parte da história vem do meu passado. Quando tinha 14 anos, fui estuprada e tinha muito medo de contar a alguém. Para construir a história, lancei mão da minha própria experiência com a depressão e a luta para falar sobre o assunto e pedir ajuda.

Desde que "Fale!" ganhou reconhecimento em todo o mundo, você começou a receber e-mails e cartas de milhares de adolescentes. Já foi procurada por brasileiros ? O que eles relataram?

Já ouvi relatos de meninas e meninos brasileiros, que se identif**aram muito com Melinda. Em boa parte dos casos, algo de ruim havia acontecido com eles numa festa. O trauma e a memória do ataque os deixa muito deprimidos e vulneráveis. Mesmo assim, eles sentem medo de pedir ajuda.

Os modelos tradicionais de escola contribuem para o bullying? O que precisa mudar?

As turmas e as escolas devem ser pequenas o suficiente para que comportamentos prejudiciais, como o bullying, possam ser notados e combatidos. Professores e administradores devem desenvolver políticas anti-bullying consolidadas também. É preciso que os valentões sofram sérias consequências, quando machucam outras crianças. Além disso, é necessário ensinar as crianças a respeitarem e cuidarem umas das outras desde o primeiro dia em que entram na escola. Se fizermos isso, e reforçararmos estas lições a cada ano, teremos uma geração de jovens mais fortes, emocionalmente mais saudáveis e mais bem preparados para vencer na vida.

Desde que lançou o livro, notou alguma mudança neste sentido?

A boa notícia é que há menos vergonha associada ao fato de ser vítima de estupro. Acredito que essa vergonha está sendo taxada agora aos meninos que praticam o estupro. Em vez de esta atitude ser vista como uma coisa legal ou 'de macho', nos EUA, ela está f**ando mais fortemente reconhecida como algo repugnante. Também estamos f**ando mais ágeis em prender e punir garotos e homens que abusam sexualmente de meninas. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Por que as escolas ainda têm dificuldade em ouvir seus alunos da forma adequada?

Acho que existem duas razões: não há professores suficientes e a atitude nas escolas ainda é permissiva em relação ao bullying. Embora seja caro para contratar mais professores e diminuir o número de alunos por classe, não custa nada para mudar as atitudes. Só é preciso coragem.

Por que os pais ainda têm dificuldade para perceber os problemas enfrentados pelos adolescentes na escola?

Parte do problema é que os adolescentes se afastam de seus pais como se isso fosse parte natural do processo de crescimento. Eles querem ser independentes antes de estarem prontos para isso. Além disso, muitos adolescentes não contam a seus pais sobre o bullying, porque têm medo de que o assédio se torne ainda pior, se os pais reclamarem na escola.

Como os pais devem agir?

Os pais que descobrem que seus filhos estão sendo intimidados devem reagir, antes de tudo, com amor. Eles devem confortar e tranquilizar seus filhos. Em seguida, é preciso exigir que a perseguição seja interrompida imediatamente, envolvendo polícia e advogados, se necessário. Adultos nunca tolerariam intimidações por parte de outros adultos no local de trabalho ou no shopping, por exemplo. Então, não há razão para permitirmos que nossos filhos sejam tratados pior do que gostaríamos.

Por que tantos estudantes, como Melinda, têm dificuldade em se adaptar à rotina escolar?

É difícil ser um adolescente! Seu corpo está mudando, sua cabeça ainda está se desenvolvendo, e a vida pode ser muito confusa. No meio de tudo isso, eles têm que acordar mais cedo do que gostariam, ir à escola e tentar aprender alguma coisa. Acho que alguns aspectos da escola poderiam ser modif**ados para tornar tudo isso um pouco mais fácil. Mas os adolescentes também precisam perceber que a vida adulta exige fazer coisas que você não quer, como o dever de casa.

Como os livros podem ajudá-los? Que tipo de literatura eles precisam?

Os adolescentes precisam ler livros pelos quais eles possam se conectar, e não apenas os velhos clássicos empoeirados de centenas de anos atrás. Eles podem ler os clássicos na faculdade e quando se tornarem adultos. A literatura é a melhor maneira de aprender sobre o mundo e desenvolver empatia por pessoas que são diferentes umas das outras.

O que você sabe sobre adolescentes brasileiros ? Você tem algo especial para dizer a eles?

Adoro viajar, mas não tive a oportunidade de visitar o Brasil ainda. Minhas informações sobre adolescentes brasileiros é apenas o que eu sei de leitura, e peço desculpas se não compreendo a cultura do país. Acredito que os brasileiros são, em geral, mais amigáveis, extrovertidos que os americanos. Há também mais respeito pelos idosos, o que gostaria de ter no meu país. Acredito também que os adolescentes brasileiros têm mais liberdade do que os americanos. Falo sobre ir a uma boate e a festas que entram pela madrugada, por exemplo. Num mundo perfeito, as noites seriam feitas para dançar, conhecer novas pessoas e ter ótimos momentos. No mundo real, no entanto, alguns adolescentes acabam se machucando, estuprados ou atacados de outras formas. Então, peço aos jovens que cuidem dos seus amigos e certifiquem-se de que todo mundo tenha uma diversão segura.

Fonte: http://migre.me/g6YZv

12/09/2013

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

Maiores universidades estão longe do topo em ranking de qualidade

Das três gigantes do setor privado, só Unip e Uninove estão entre as cem melhores

As três maiores universidades do país em quantidade de alunos na graduação estão longe do topo na lista de melhores do país no RUF (Ranking Universitário Folha), publicado na segunda-feira.

As gigantes privadas Unip, Universidade Nove de Julho (as duas de SP) e Estácio de Sá (no Rio) têm juntas mais de 400 mil alunos.

Isso representa quase 7% do total matriculado no ensino superior do país --entre universidades, faculdades e centros universitários.

A Uninove (70ª) e a Unip (76ª) estão entre as cem melhores universidades do país. A Estácio de Sá (104ª) está no final da lista.

Quando a análise é focada no mercado de trabalho, os resultados são diferentes.

A Unip, por exemplo, está entre as dez melhores do país de acordo com a avaliação dos 1.681 profissionais de recursos humanos consultados pelo Datafolha no RUF.

Quem contrata avalia bem tanto a universidade quanto a Unesp (Universidade Estadual Paulista). Apesar de haver 70 universidades entre elas no ranking geral de universidades, na avaliação de mercado elas estão empatadas em nono lugar.

Para Marília Ancona Lopez, vice-reitora da Unip, o fato de a universidade ocupar a nona posição no ranking de mercado é satisfatório.

"A avaliação do mercado é uma medida indireta dos outros quesitos", afirmou.

De acordo com o matemático Renato Pedrosa, coordenador do grupo de estudos sobre ensino superior da Unicamp, é compreensível que as maiores sejam privadas.

A expansão do ensino superior do país está sendo conduzida principalmente pela rede particular, que concentra 85% das matrículas.

"O que é preocupante é que as grandes instituições de ensino superior do Brasil têm fins lucrativos", analisa.

Entre as cinco maiores do país há apenas uma pública, a USP, com 67.131 alunos.

Ela está classif**ada como a melhor universidade e lidera três dos cinco indicadores do RUF: pesquisa, mercado de trabalho e inovação.

Fonte: http://goo.gl/a1VmBF

11/09/2013

MAIS MÉDICOS

Artigo do professor Luciano Rezende, do IFF Bom Jesus, publicado hoje no Jornal da Ciência da SBPC.

No Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia em que trabalho está faltando cartucho de tinta para carregar os pincéis (utilizados para se escrever nos quadros, em substituição ao antigo giz). Portanto, se eu (enquanto professor) saísse por aí gritando que falta até tinta nos pincéis para s...

04/09/2013

INCLUSÃO DO AUTISTA

Educadores e pais debatem visões para incluir autista


Um debate entre pais, especialistas e educadores discutiu ontem (3) à noite no auditório da Folha as formas de inclusão de pessoas com autismo --com visões divergentes sobre a opção de educar as crianças em escolas regulares ou especiais.

O MEC (Ministério da Educação) defende ser inconstitucional a manutenção das escolas especiais, uma vez que o país é signatário de convenção internacional que determina a educação inclusiva.

A defensora pública Renata Tibyriço disse que, apesar de a Justiça já ter determinado que o Estado deve prestar atendimento educacional adequado para pessoas com autismo, não houve avanços.

Ela diz receber muitos casos de mães que tentam colocar filhos autistas em escolas regulares, mas que, por notarem deficiências para a inclusão deles, optam por matriculá-los em escolas especiais.

"Sou a favor da inclusão, mas infelizmente temos situações em que a escola especial acaba sendo a alternativa porque não existe outro serviço adequado oferecido pelo poder público."

Representando as escolas especiais, Maria Elisa Granchi Fonseca, supervisora de atendimentos a autistas da Apae, diz haver casos severos de autismo que exigem um atendimento específico.

"Não podemos cortar da família o direito de opção, de escolher em que tipo de escola colocar a criança."

A jornalista Silvia Ruiz, mãe de uma criança recém-diagnosticada, afirmou que há um desenvolvimento muito maior quando elas estão em escolas regulares e interagem com outras crianças.

Silvia defende que qualquer escola pode se capacitar para desenvolver um projeto pedagógico eficiente para a inclusão do autista.

O debate foi mediado pelo jornalista Jairo Marques e teve presença de Berenice Piana (uma das responsáveis pela aprovação da lei que iguala os direitos de autistas aos de outros deficientes).

Outro participante, o psicanalista Manuel Vazquez Gil destacou que um educador deve ter um plano pedagógico adequado às particularidades de cada criança.

(Folha de S.Paulo)
Veja mais em: http://migre.me/fWXE8

02/09/2013

HOMENAGEM A DITADORES

Brasil tem quase mil escolas com nomes de presidentes da ditadura.

Das 3.135 unidades escolares públicas que homenageiam ex-dirigentes da República, 976 pertencem aos cinco generais que comandaram o regime militar.


Na Escola Municipal Presidente Médici, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, boa parte dos alunos tem pouco a dizer sobre o general que governou o país de 1969 a 1974. "Minha vó falou que ele era um sanguinário", conta uma aluna do 8º ano. "O professor de Geografia disse que ele não era uma boa pessoa", afirma uma colega de sala, de 14 anos, quando perguntada sobre o gaúcho ditador, responsável pelo período de maior recrudescimento à liberdade de expressão na ditadura militar brasileira. Dentro da unidade, porém, há um mural com fotos do homenageado e, segundo professores, o nome do colégio é usado para abordar o assunto em sala.

- Durante a aula, temos que explicar o período Médici deixando que eles tenham o seu próprio olhar sobre o ex-presidente, com senso crítico. Nossa função é fazer o aluno se colocar nesse debate. Explicar a razão da homenagem e contextualizá-la com a época - argumenta Gabriella Fernandes Castellano, professora de História.

Inaugurada em 1975, com a presença do próprio Médici, a unidade em Bangu é uma das 160 escolas públicas de ensino básico e pré-escolar no país batizadas com o nome do ditador. Um levantamento feito pelo GLOBO mostra que há no Brasil 976 colégios municipais, estaduais e federais com os nomes dos cinco presidentes do Regime Militar, de 1964 a 1985 (f**aram fora da conta os ministros da junta que chefiou o país de agosto a outubro de 1969). Só o marechal Humberto Castello Branco, que governou de 1964 a 1967, é homenageado em 464 unidades. Ao todo, o país tem 3.135 escolas com nomes de ex-presidentes.

Tributo ao 'carrasco de Vargas'
Além dos chefes de Estado, pessoas importantes durante o período também batizam instituições de ensino. Chefe da polícia política durante a ditadura de Getulio Vargas, Filinto Müller foi senador e presidente da Arena, o partido que deu sustentação política ao Regime Miltar. Ele dá nome a dez colégios brasileiros, como a Escola Estadual Senador Filinto Müller, uma das mais tradicionais de Diadema, na Região Metropolitana de São Paulo.

Assim como na unidade municipal em Bangu, onde quase um terço do corpo docente pediu a mudança do nome há cerca de dois anos, parte da comunidade escolar do colégio em Diadema também tentou rebatizar o prédio.

- A comunidade cogitou trocar o nome porque ele teve relação com a ditadura, mas se entendeu que, apesar disso, há uma identidade muito forte em torno do nome e, assim, decidiu-se preservá-lo - explica o professor de História e Geografia Bruno do Nascimento Santos, que lecionou na unidade durante sete anos.

Muitos alunos de Diadema também ignoram o passado do homenageado. Na saída da escola, nenhum estudante abordado pela equipe de reportagem conhecia a história de Filinto, muitas vezes chamado de "carrasco de Vargas", acusado de fazer prisões arbitrárias e ordenar sessões de tortura. Em 1936, ele foi o responsável pela prisão de Olga Benário Prestes, militante comunista e mulher de Luiz Carlos Prestes, e por sua deportação para um campo de concentração na Alemanha nazista.

- A escola nunca abriu um debate para falar quem foi ele. Não sei, acho que foi um senador - arrisca uma estudante de 17 anos.

A direção da unidade reconheceu, por meio de um comunicado, que não existe na escola um projeto pedagógico específico para tratar sobre a história de seu homenageado.

Por ironia do destino, uma página do Facebook com o nome do colégio, atualizada por professores e alunos, faz uma defesa ideológica ao comunismo tão combatido por Filinto. "Acho que o socialismo talvez possa trazer este acesso à cultura de massa. Fazer como o Mao Tse-Tung fez com a China", diz a descrição da página na rede social.

Os pais de alguns dos alunos reconhecem que o passado do patrono não é boa influência, mas não veem razão para mudar o nome da escola.

- Os estudantes não sabem disso, já que passou tanto tempo. Acho que um nome não interfere na educação deles - pondera o motorista Samuel de Oliveira, de 45 anos, pai de uma aluna.

O presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, deputado estadual Adriano Diogo (PT), planeja apresentar um projeto de lei para modif**ar o nome da escola pública em Diadema.

- Isso é a eternização da ditadura militar no Brasil. Enquanto não for revisto, a ditadura não acabou - critica ele.

De acordo com a advogada Rosa Cardoso, da Comissão Nacional da Verdade, o tema das escolas com nomes de pessoas ligadas à ditadura militar ainda não foi amplamente discutido. Mas ela garante que a questão fará parte das recomendações ao final dos trabalhos do grupo. A advogada, porém, alerta para os perigos que podem surgir nesse debate.

- Não podemos ter visão totalitária às avessas e mudar nomes só porque são de direita. Mas se houver provas de que são nomes de criminosos, devem ser mudados. E devem ser mudados por movimento da sociedade civil.

A coordenadora pedagógica da Escola Presidente Costa e Silva, em Botafogo, Fabíola Fernandes Martins, é contra a mudança. Inaugurada em 1970, um ano após a morte do marechal gaúcho, a instituição tem, no pátio do recreio, perto de murais com desenhos infantis e uma mesa de totó, um busto do ex-presidente, responsável pelo Ato Institucional número 5 (AI-5), que deu poderes absolutos ao Regime Militar e possibilitou o fechamento do Congresso Nacional. Hoje, 45 anos depois do decreto, Costa e Silva é homenageado em 295 escolas.

Quando a equipe do jornal foi à escola na Zona Sul do Rio, a unidade não estava funcionando, devido à greve de professores, e, portanto, não havia alunos para entrevistar. Mas Fabíola garante que orienta os estudantes a traçar um quadro comparativo do Brasil com regimes de outros países, para que tirem suas conclusões.

- Temos que ter cuidado para não haver uma generalização negativa contra a carreira militar. Procuramos apresentar os fatos históricos, sem contudo, despertar o ódio às Forças Armadas.

Presidente da Associação Nacional dos Professores de História (Anpuh), Rodrigo Pato de Sá Motta enxerga na situação uma excelente oportunidade pedagógica:

- É bom para mostrar que escola também é espaço de disputa política e aproveitar para politizar um pouco mais as aulas. A decisão de mudar o nome passa pela comunidade escolar. Mas não adianta nada mudar o nome e todos continuarem sem saber quem foi a pessoa. O mais importante é fazer a discussão - argumenta o professor de História da UFMG.

(Gutavo Uribe e Leonardo Vieira/O Globo)
http://oglobo.globo.com/educacao/brasil-tem-quase-mil-escolas-com-nomes-de-presidentes-da-ditadura-9782672

02/09/2013

COMBATE AO RACISMO

MEC terá ações de combate ao racismo e promoção de ensino da cultura afro.

Representantes de entidades públicas e privadas, especialistas na temática racial e instituições federais de educação vão elaborar propostas.


Ministério da Educação (MEC) decidiu criar uma política de combate ao racismo e de valorização da cultura afro-brasileira na educação. De acordo com portaria publicada na edição desta sexta-feira do Diário Oficial da União, os materiais didáticos e paradidáticos e os eixos fundamentais da educação deverão contemplar temas ligados a questões étnico-raciais, ensino de história e cultura africana e promoção da igualdade racial.

O quesito raça e cor também passará a ser incluído nos questionários do censo escolar aplicado pelo governo. As instituições federais vinculadas ao MEC e as secretarias terão prazo de 90 dias para propor medidas necessárias para incorporar os requisitos definidos na portaria.

A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) coordenará a organização das propostas. Ainda de acordo com a portaria, poderão ser convidados para a formulação das propostas representantes de órgãos e entidades públicas e privadas, bem como especialistas sobre a temática étnico-racial.

Cotas
Na última quarta-feira, o ministro Aloizio Mercadante fez um balanço sobre a política de cotas para alunos de escolas públicas nas instituições federais de educação superior, que está em vigor há um ano. Segundo o ministro, um terço das universidades federais e 83% dos institutos federais destinam 50% das vagas para a política de cotas, meta prevista apenas para 2016.

A meta para o primeiro ano, era a reserva de 12,5% das vagas e o índice foi superado. Nas universidades federais, 32,5% de todas as vagas ofertadas foram destinadas aos cotistas e nos institutos federais, 44,2% foram preenchidas por esses estudantes.

(Portal Terra)
http://noticias.terra.com.br/educacao/mec-tera-acoes-de-combate-ao-racismo-e-ensino-da-cultura-afro,b4c0c0b982fc0410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

30/08/2013

SAÚDE PÚBLICA

Quase 70% dos brasileiros estão acima do peso

Quanto maior a escolaridade, menor o índice de obesidade. O consumo abusivo de álcool é maior entre os homens que as mulheres


Os brasileiros estão engordando. Mais da metade da população com mais de 18 anos tem sobrepeso (51%) e 17% são obesos, o que representa um a cada seis indivíduos. O aumento desde 2006, quando começou a análise do Ministério da Saúde, foi de oito pontos percentuais para o sobrepeso e de seis, para a obesidade. O Rio de Janeiro até supera a média nacional: já são 71,9% dos cariocas lutando contra a balança, sendo que 19,5% deles são obesos.

Ano passado, o índice de sobrepeso já indicava 48,5%. Em 2006, o sobrepeso atingia 43% da população e a obesidade chegava a 11%.

Os números são da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2012, feita com base em 45 mil entrevistas feitas por telefone residentes nas 27 capitais. O levantamento é feito anualmente desde 2006 e apresenta indicadores da saúde do brasileiro, como excesso de peso e obesidade, alimentação, sedentarismo e consumo de álcool. O IMC é calculado dividindo peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros.

O sobrepeso atinge mais os homens (54,4%) que as mulheres (48,1%). Na obesidade, ocorre o oposto: 18% nas mulheres e 16% nos homens sofrem com os problemas. A capital mais gorda é Campo Grande: 56% está acima do peso. Na outra ponta estão São Luís e Palmas, com 45% a população com sobrepeso. No Rio de Janeiro, o índice é de 52%. O obesidade é mais grave em Rio Branco (21% da população) e menos frequente em São Luís (13%). No Rio, o índice é de 19%.

A obesidade atinge principalmente as pessoas com até oito anos de estudo. Quanto maior a escolaridade, menor o índice de obesidade. Entre as pessoas com mais anos de estudo, há mais consumo regular de frutas e hortaliças, e menos ingestão de carne com excesso de gordura, refrigerantes, feijão e leite com teor integral de gordura. No caso do refrigerante, a variação de um grupo ao outro é menor. Apenas 22,7% da população ingere a porção diária de frutas e hortaliças recomendada pela Organização Mundial da Saúde, de cinco porções ou mais. Por outro lado, houve aumento no consumo recomendado de frutas e hortaliças.

- Nossa dieta natural é bem equilibrada. Arroz, feijão, salada, bifinho. O problema é que estamos substituindo por outros alimentos - avaliou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, acrescentando que, ainda assim a obesidade é menor que em outros países, como Uruguai (19,9%), Argentina (20,5%), Paraguai (22,8%), Chile (25,1%) e Estados Unidos (27,7%).

- A hora é agora. Se agente não agir afora, corremos o risco de chegar a patamares de excesso de peso e obesidade de outros países, como Chile e Estados Unidos -acrescentou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Quanto mais jovem, menos obeso
Quanto mais jovens, maior a tendência de estar no peso ideal e praticar atividades físicas. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 28% está acima do peso. O índice chega a 60,8% na faixa etária que vai dos 45 a 54 anos. O mesmo ocorre com a obesidade, que chega a 23,4% na população entre 55 e 64 anos.

Há fatores genéticos relacionados à obesidade, mas o presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Mario Kedhi Carra, alerta que o sobrepeso já traz problemas para a saúde, como maiores riscos de doenças cardiovasculares e diabetes. O especialista também lembra que a pesquisa foi realizada apenas com adultos, mas diz que o foco da atenção está nas crianças.

- O departamento de obesidade tenta sensibilizar colégios para dar informação sobre alimentação às crianças. Pois vivemos num ambiente "obesogênico", ou seja, que tem impõe tal comportamento, a partir da sedução das lanchonetes de comida rápida e da variedade de produtos processados.

A atividade física é maior entre os homens que as mulheres. Não há grandes variações por s**o no hábito de assistir televisão mais de três horas por dia. No total, a frequência de atividade física durante o tempo livre vem aumentando dede 2009, quando estava em 29,9%. Hoje está em 33,5%.

- O Vigitel é uma ferramenta muito poderosa para identif**ar fatores de risco dos brasileiros - destacou Joaquín Molina, representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Abuso do álcool
O consumo abusivo de álcool é maior entre os homens que as mulheres e mais grave quanto maior a escolaridade. Entre os homens com 12 anos ou mais de estudo, 31,9% apresentaram consumo abusivo nos 30 dias anteriores à pesquisa, contra 24,3% entre os homens com até oito anos de estudo. Para o homem, é considerado consumo abusivo ingerir cinco doses ou mais. Entre as mulheres, quatro doses ou mais.

A capital que mais abusa do álcool é Salvador: 27%. Em melhor situação está Rio Branco (13%). No Rio, o índice é de 19%. A faixa etária que mais abusa é que vai dos 24 aos 35 anos (24,7%).

Os homens e as pessoas com mais anos de estudo são as que mais dirigem após ingerir qualquer quantidade de álcool. O problema é pior em Florianópolis (16%) e menos grave em Belém (4%). No Rio, é de 5%. Segundo Padilha, o baixo índice do Rio se deve à intensidade das operações da Lei Seca na cidade.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2011, 43.256 pessoas morreram no trânsito. Acidentes de trânsito são inclusive a segunda causa de internação por trauma no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2012, foram 161.707 internações com custo de R$ 215 milhões. Ao todo, 78% das vítimas são homens.

A pesquisa também mostrou que 77,4% das mulheres entre 50 e 69 anos realizaram uma mamografia nos dois anos anteriores ao levantamento. O índice estava em 71,1% em 2007. As curitibanas foram as mulheres que mais fizeram o exame (90%). João Pessoa f**a na outra ponta: 61%. Entre as cariocas, o número chega a 84%.

Nos três anos anteriores à pesquisa, o papanicolau foi feito por 82,3% das mulheres entre 25 e 64 anos. Entre as paulistanas, o índice é de 90%, o maior do país. Em Maceió, é de apenas 71%, o menor do Brasil. No Rio, é de 79%.

(André de Souza e Flávia Milhorance / O Globo)
http://oglobo.globo.com/ciencia/quase-70-dos-brasileiros-estao-acima-do-peso-9715554

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