18/05/2026
Feliciano Cardoso de Camargo e sua incessante busca por ouro
De acordo com Waldemar Almeida Barbosa, o bandeirante paulista Feliciano Cardoso de Camargo foi o tipo de sertanista aventureiro, daqueles que não conseguiram fixar-se em lugar nenhum. Depois de encontrar ouro no Quilombo, lugar situado no atual município de Piracema, lá ficou por cerca de um ano e resolveu explorar um pouco mais adiante com o intuito de encontrar ouro. Feliciano e seu primo Estanislau de Toledo Piza percorreram cerca de cinco léguas até descobrirem um ribeiro a que deram o nome de Tamanduá, e outro córrego que denominaram Rosário. A chegada de Feliciano e Estanislau à Tamanduá, ocorreu em 1739. Segundo Barbosa, o local imediatamente encheu-se de mineiros vindos de São José, de São João Del Rei e principalmente do Quilombo, cujas minas ficaram abandonadas.
Em conversa com colegas que estudam a história do Centro-Oeste Mineiro, chegamos à conclusão de que o professor Waldemar Almeida Barbosa cometeu um equívoco ao creditar a descoberta de ouro por Feliciano Cardoso de Camargo ao “Quilombo situado há algumas léguas da Serra de Itatiaiaussu, ao sul de Itaguara”, atualmente no município de Piracema. A distância de cinco léguas, que o autor afirma que existe entre esse Quilombo de Piracema e Tamanduá, não coincide com a realidade, pois a distância correta é de quinze léguas. Portanto, acreditamos que o Quilombo que Feliciano Cardoso de Camargo tenha encontrado ouro seja o Quilombo que atualmente está situado no município de Carmo da Mata. A distância do Quilombo de Carmo da Mata a Tamanduá (atual Itapecerica) é de aproximadamente cinco léguas. Observando a carta geológica Oliveira na escala 1: 100.000, constatamos que o Quilombo de Carmo da Mata está numa região formada por rochas do Supergrupo Rio das Velhas (metaultramafito, xisto, quartzito e formação ferrífera bandada). Tais rochas estão associadas à ocorrência de ouro.
Em 1740, estava constituído o arraial e não tardou a chamar a atenção dos oficiais da Câmara de São José Del Rei. Desse modo, a 30 de maio de 1744, em acórdão, deliberou aquela Câmara que devia tomar posse do novo descoberto e do arraial. “E em 18 de julho de 1744, no 'lugar do descobrimento e arraial de São Bento', o Juiz Ordinário (...) tomaram posse solenemente do descobrimento e do arraial, para a Vila de São José”.
Depois de se estabelecer na denominada Casa da Casca do Tamanduá, Feliciano e Estanislau abriram uma picada para o Piumhi e para outras localidades situadas no Sertão da Farinha Podre, na esperança de encontrarem minas de ouro. Nesse sertão hostil do Piumhi, já havia andado o bandeirante Domingos Rodrigues do Prado, foragido da Justiça por causa de sua atuação como uma das lideranças na Revolta de Pitangui em 1720.
Após o domínio reinol do arraial do Tamanduá, partiram para a região do rio das Abelhas (ou das Velhas), o paulista Feliciano Cardoso de Camargo, Agostinho Nunes de Abreu, Estanislau de Toledo Piza, Bartolomeu Bueno do Prado, Francisco Xavier do Prado, José Taciano Flores, Vitoriano Pereira, Valentim Gomes, Simão Dias Pereira e o padre Antônio Martins Chaves. Feliciano e mais cinco companheiros, acabaram sendo mortos em 1748 por indígenas caiapós, provenientes do “Sertão do Paraná”.
Referências bibliográficas:
CORRÊA, Leopoldo. Achegas à História do Oeste de Minas (Formiga e municípios vizinhos). 2ª ed. Formiga (MG): Consórcio Mineiro de Comunicação, 1993. 304p.
GONDIM, Carlos; LOPES, Geraldo Magela Gondim. Memorial do Legislativo de Itapecerica. Itapecerica (MG): Câmara Municipal de Itapecerica, 2007. 536p.
MARTINS, Tarcísio José. Quilombo do Campo Grande: a história de Minas que se devolve ao povo. Contagem (MG): Editora Santa Clara, 2008. 1032p.
Pesquisa feita pelo professor Leonardo Alves