29/09/2020
É preciso se despedir com gratidão!
Hoje quero me despedir do lugar que passei 24 anos da minha vida. É extremamente natural que a despedida nos cause dor, tristeza, choro e pesar, sobretudo gratidão. Quero agradecer cada parceiro, cada amigo, as palavras de apoio, as mensagens de solidariedade. Seria um enorme risco citar nomes, todavia que são 24 anos. Mas o que quero manter na lembrança é o sonho da jovem menina de 22 anos só queria cuidar de crianças e ter uma família, viver em família.
Quero lembrar todas as vezes que brinquei, ri e me diverti;
Quero lembrar os dias que eu comprava brinquedos, fantasias, decorações, enfeites e assim vivia a infância que nunca tive;
Quero lembrar as festas, das danças e das inúmeras vezes que pulei na cama elástica;
Quero lembrar todos os rostos, de todo sorriso, de todas as famílias;
Quero lembrar as oportunidades que ofereci, de tantas pessoas que ensinei, treinei e também aprendi;
Quero lembrar tantas coisas que superei assaltos, inexplicáveis alterações na lei, alagamento, troca de sede, doenças dentre outros;
Quero lembrar da escola que orou pela vida da minha filha, com certeza, em um dos momentos mais difíceis que passei;
Quero lembrar os títulos que recebi “a braba”, “a séria”, “a exigente”, e de todos os outros que eu imagino;
Quero lembrar dos amigos que fiz;
Quero lembrar as milhares de crianças que por mim passaram, das centenas de mães, pais, avós; de todos que acolhi, das lágrimas que sequei e do colo que ofereci;
Quero lembrar das adaptações, das dúvidas, dos questionamentos e da certeza que a Anjo era diferente e especial;
Quero lembrar das incontáveis vezes que falei “ isso não é assim”, “ aqui não fazemos desse jeito”, “ a Anjo preza pelo cuidado”;
Quero lembrar de todo conhecimento que compartilhei e dividi;
Quero lembrar das apresentações, das histórias encantadas, das emoções e da Sapecolandia que criei;
Quero lembrar o cheiro da sopinha, do bolinho de chuva, do famoso grostoli e principalmente do canto das crianças agradecendo;
Quero lembrar as unhas que cortei, dos dentes que consertei dos curativos que aprendi dos atendimentos médicos que acompanhei e de todas as vezes que pude acalmar o coração das crianças e das mamães também;
Quero lembrar a escola que gerenciei, administrei, mas principalmente ressignifiquei minha infância e meus profundos pesadelos;
Quero lembrar o lugar que fui feliz, chorei, ri, errei, mas muito acertei;
Para sempre lembrar da minha Anjo Sapeca, da escola que participou da constituição da minha família e contribuiu para a pessoa que hoje sou;
Quero lembrar tudo que fui, sou e serei;
Quero lembrar e ser grata por tantas vidas que eu tive a oportunidade de acompanhar;
Quero lembrar tudo que brilha que ilumina;
Quero lembrar a eterna identidade “a Raquel da escolinha”;
Quero lembrar a promessa de Deus “que tudo vai ficar bem e que é preciso confiar;”
Quero lembrar!
Com saudade da minha para sempre Anjo Sapeca! Com todo amor que existe no mundo.
Raquel Benachio, 29 de Setembro de 2020.