09/11/2020
Dia quinze VOTE 13
Daniela Pedde e Léo Monassa
Frente Popular De Cidreira
A Frente Popular se apresenta nascendo dos anseios da classe trabalhadora, organizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) percebendo e sentindo as constantes rusgas politicas famintas por poder e a truculência, tirania e ódio pregada por turbas que se instalam pouco a pouco nas entrelinhas políticas de nosso município, seremos resistência a fim de garantir a voz e a vez das minorias trabalhadoras, trabalhadores, a população das periferias, Juventude, Estudantes, LGBTQIA+, homens e mulheres negras, pessoas com deficiência, artistas, intelectuais, agricultores familiares, pescadores e marisqueiras.
Somos frente popular porque somos a via política de quem vive a cidade como ela é: sem regalias, favoritismos e conchavos.
O crescimento da população jovem de Cidreira é um dado que nos guia e nos enche de esperança de potencializar o que é daqui. Nossas sementes para um futuro próximo. Esta juventude não cabe nas ganâncias de “coroneizinhos” de outrora. Esta juventude não cabe na exploração do trabalho que sustenta uma pequena burguesia. A força desta juventude não pode ser desperdiçada a serviço do narcotráfico, do sistema carcerário, do preconceito das elites e da exclusão. Esta juventude tem voz, garra e vai transformar! Garantindo que os tentáculos do autoritarismo não se criem pra cá, garantindo o poder da participação popular, dos orçamentos participativos, das cogestões, associações de bairro, conselhos municipais e comunidade organizada. Somos e estamos na luta como povo!
Historicamente nossa Cidreira é marcada pela constante exploração da classe dominante sobre a mão de obra trabalhadora das nossas gentes praieiras. Heranças coronelistas e escravocratas ainda aparecem na política ultraliberal dos dias de hoje, usurpando da população sua autonomia, soberania e dignidade. Os patrões, donos de supermercados, redes de materiais de construção, imobiliárias e serviços de segurança privada ocupam a política, aumentando seus patrimônios e governando para os seus, enquanto nas comunidades periféricas os nativos e trabalhadores vindos de outras localidades do Estado, muitas vezes com promessa de trabalho e casas próprias, são usados como mão de obra barata e encurralados no jogo político de seus patrões. Somos uma grande periferia que, para os centros econômicos do Estado, se reduz a uma terra de banhos e fuga do calor.
Assistimos, mais uma vez, uma peleia política entre os andares de cima, onde, empresários, herdeiros e tecnocratas buscam o poderio da cidade. Pouco ouvindo a comunidade, mas muito interessados em bem feitorias a seus negócios pessoais e a seus bolsos. O tempo vai, os nomes mudam e os planos políticos são sempre os mesmos e nossas gentes sempre na mesma situação.
Com um PIB aproximadamente de R$ 278.660.820, podemos considerar que somos um município com grande potencial de desenvolvimento humano, sustentável e estrutural. As gestões que se apresentaram até aqui sobrecarregaram os recursos livres da prefeitura e poucos projetos apresentam. Pouquíssimos cargos técnicos ocupam as secretarias e diretorias. Os cargos comissionados e indicações políticas se tornam um grande cabide de empregos e instrumento de perpetuação política sustentada pelo suor da nossa gente.
Frequentes são em nossas geografias os chamados, popularmente, de currais eleitorais. Uma massa trabalhadora excluída aos fundões da cidade agredidas pela manutenção da pobreza de velhos conhecidos da nossa política. Eles usam da fome, moradia, emprego como moeda de troca e votos nas eleições. Cidreira possui uma população invisível.
A taxa de analfabetismo em nosso município é de 3,9%. Na Educação Básica, os indicadores apontam que 50% das pessoas com 10 anos ou mais não concluiu o Ensino Fundamental e há uma taxa de evasão escolar de 7,8% somados o Ensino Fundamental e Médio, segundo levantamento do Perfil das Cidades Gaúchas do SEBRAE. A Educação Infantil é um complexo espectro de nossa cidade, pois lida com o que há de mais precioso em nossa comunidade: nossos pequenos. O dia a dia das nossas mulheres, mães, que muitas vezes se encontram impossibilitadas de correr atrás do sustento por uma logística que não se baseia nas suas reais necessidades. Longas listas de espera, pré- conceitos e favoritismos, creches em meio turno e sobrecarga dos funcionários e professores da rede municipal.
Apenas 42% da população de Cidreira tem acompanhamento básico de saúde, sobrecarregando o Posto 24h de nosso município em função da precariedade da atenção básica e preventiva dos Postos de Saúde da Família. Nosso município possui um arcaico modelo de gestão da saúde, onde presentes estão longas filas cedo da manhã, humilhando e desrespeitando nossa gente principalmente nossos idosos que tanto precisam dessa atenção. A questão das especialidades está dependente muitas vezes de outros municípios, burocracias e lentidões, que se materializa em uma imensa confusão e evasão do sistema público de saúde e descrença da população em um dos nossos maiores bens: o sistema único de saúde. Infelizmente, são raros os casos de concursos públicos para médicos, f**amos assim reféns dos contratos temporários e emergenciais, dificultando o vínculo da comunidade com aquele que deveria ser um dos pilares do bom funcionam da polis: o medico da família. São poucos os investimentos na capacitação e criação de protocolos municipais de enfermagem, subutilizando o papel valoroso dos nossos enfermeiros e enfermeiras.
No que diz respeito ao emprego e geração de renda em nosso município, a casta política e empresarial tratam de nossa cidade como um lugar que espera pelo verão, gerando assim, um alto índice de miséria e desemprego nos longos invernos. Esta lógica tem submetido nossa gente a aceitar empregos exploratórios, irregulares e incertos, deixando-os reféns de promessas políticas vazias. A falta do olhar de nossos governantes para as potencialidades locais condena a classe trabalhadora de Cidreira a sustentar em suas costas o peso do bem viver de uma pequena burguesia. Muito se fala em desenvolvimento através de isenções e conchavos com empresas exploradoras de outras regiões e em contraponto o município não fomenta a autonomia da classe trabalhadora dos pequenos empresários, responsáveis por grande parte da geração de emprego. Um círculo vicioso que mantem o alto índice de informalidade e insegurança econômica em nosso município.
Grande parte do nosso povo se encontra preso aos grilhões do aluguel e da moradia irregular. Nossas famílias choram com o medo do despejo, da violência policial e da agressividade da especulação imobiliária. Ironicamente, na terra das casas fechadas, dos leilões por baixo dos panos e do enriquecimento das imobiliárias, vivemos sem um de nossos direitos básicos garantidos por constituição: o direito à moradia.
Nossa natureza exuberante, paisagem única em todo Brasil, vastos horizontes, nosso mar, nossa Lagoa, nossos cômoros. É sabido hoje que, quando falamos em desenvolvimento, estamos falando de humanidade e o meio ambiente. Infelizmente, pouca atenção nossa cidade tem dado às potencialidades aos nossos recursos naturais: a geração de energia pelos ventos abundantes, atividade humana através da pesca e dos saberes tradicionais das nossas gentes, a força do trabalho de quem faz dos resíduos sólidos o sustento da família. E o bem mais precioso do planeta, a Mãe Terra, que em nossa região nos dá fartura de aipim e batata doce, entre outros frutos, folhas e leguminosas nativas geridas pela mão do trabalhador rural no Distrito da Fortaleza. Toda potencialidade desta farta Natureza corre risco, visto que, temos um precário tratamento de esgoto das nossas casas, um arcaico plano diretor e não possuímos coleta seletiva do lixo. Durante o verão, nossa população aumenta muito de tamanho, trazendo à tona velhos conhecidos: o cheiro da populescamente chamada “Lagoa do Merdão” e o lixo espalhado na orla e nas ruas. A falta de saneamento básico traz consigo as doenças, zoonoses e a humilhação, tristeza e baixa autoestima para a população nativa.
Nossa bandeira tem a data de 1726, portanto, podemos nos considerar um município com quase 300 anos de historia! Somos a pioneira das praias e carregamos em nossas veias, em nosso imaginário, nas prosas, na arquitetura, nos fazeres, em nossa fé, a herança cultural dos povos originários que aqui habitaram: Carijós, Africanos, Açorianos e toda sua riqueza cultural. Porém toda essa riqueza não está tendo os devidos cuidados por parte dos gestores públicos. Há uma frequente confusão sobre o conceito de Cultura e sua dimensão simbólica, cidadã e econômica, tendo sido reduzida ao olhar massif**ado das produções comerciais, entendida como turismo ou entretenimento. São inexistentes as políticas públicas de tombamento e proteção ao patrimônio histórico do município. Temos sentido, ano a após ano, gestão após gestão a falta de uma política cultural que abrace os fazedores e fazedoras de cultura de Cidreira, que através de organizações da sociedade civil tem cumprido o papel do poder público sem o mínimo apoio. Registramos ataques e perseguições a artistas do município por parte inclusive do Presidente da Câmara de vereadores e candidatos à Prefeitura Municipal no pleito deste ano. Uma situação recorrente em nossa terra.
Sabemos que com vontade política e participação popular podemos mudar Cidreira!
QUEREMOS O TEU VOTO DE CONFIANÇA!
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DANIELA PEDDE E LÉO MONASSA!