22/05/2016
os sonhos de jack
..continuação do capítulo 52
a psicóloga fernanda sempre o entrevistava, querendo saber como estava, era legal, com ideias diferentes das suas. miriam era alegre e lhe transmitia muita simpatia, estando sempre de bem com a vida e falando ao mesmo tempo que com jack em seu telefone celular e em um telefone com um, do tempo antigo, - trrrrrrrrrim!
os enfermeiros se revezavam para atender a todos, estava sendo muito bem tratado. joana lhe trouxera, em visita última, pêras e bolachas, assim como roupas novas. trouxe também uma água mineral e uma h2o para beber. eram servidas iguarias deliciosas todos os dias e também lanches apetitosos.
todos chimarreavam no pátio e também na hora da novela, contando piadas e jogando partidas de baralho.
à noitosa, via na tevê christiane torloni, em seu papel de tereza cristina, vestindo vestidos exuberantes, por último um vermelho sensual.
estava sempre assistindo aquela atriz maravilhosa, a achando sensacional. gostava de suas vestimentas que, pareciam camisolas de seda, algo oriental. olhava para ela e se sentia um arpoador, navegando em seu ' pequod ', ou seja, um navio na psiquiatria, um navio na sua imaginação, pois estava lendo sobre a baleia ' moby dick ', um cachalote, uma espécime de baleia.
imaginava ser quiqueg, um homem de ' nantucket ', um povoado indígena. admirava ahab, outro homem da história, um capitão.
quiqueg, o arpoador, acompanhara ismael, o narrador do romance marítmo de ' herman melville ' que, segundo o escritor argentino jorge luis borges, a obra-prima antecipa-se ao seu tempo e chega, a assumir ' as proporções do cosmo '.
lavava suas roupas no tanque lá embaixo, fora da embarcação, em pleno mar.
" lá vão os navios; lá está aquele leviatã que fiz este para folgar em tal lugar. "
salmos
" assim o senhor preparou um grande peixe para engolir jonas. "
jonas
" e deus criou as grandes baleias. "
gênesis
essas eram algumas citações que, antecipavam o livro que, jack lia, a respeito do leviatã, como chamavam as baleias.
tereza cristina estava vestindo vestidos com decotes baixos, o que jack prefere não comentar aqui, assuntos íntimos, deixando os assuntos baleeiros para serem comentados.
" és como um leão das águas e como um dragão do mar "
diz ezequiel,
aludindo claramente a uma baleia, sustentando que este dragão deve ter sido uma baleia, na famosa história de ' são jorge e o dragão. '
acordou com muito sono, dormindo até mais tarde, quando chegou o café, deitando novamente até servirem o almoço.
houve um sumiço de um relógio que, todos procuravam e ninguém encontrava. jack suspeitava que fossem pessoas de fora, senão tinham achado nos quartos.
sentia uma espécime de ansiedade por estar longe de sua irmã, de sua cachorra e seu computer. estava longe de seu cantinho, da grama e de árvores, o que mais gostava.
então não pode assistir tereza cristina, pois foi proibida a tevê antes de acharem o tal relógio. também ansiava para vê-la na tevê.
sonhou com seu pai que, estava chimarreando com sua finada mãe, em semanas passadas em uma fazenda de plantação de rosas que, sua mãe cuidava, deixando a plantação aos cuidados de seu finado pai.
essa noite tivera um novo sonho com eles.
- tudo às mil maravilhas? - perguntava seu velho pai. - meu caro jack?
- melhor impossível! - respondeu a seu velho pai que, agora tinha ares de mocidade, ao lado de sua mãe que, também parecia algo rejuvenescida pelo tempo.
- vai um ' chima ', aí, jackinho, meu filhotinho?
- claro, é o que mais tenho feito! chimarrear e ler com alguns novos amigos!
- também está numa fazenda?
- quase isso, num local de recuperação! que saudades! - lhe disse a abraçando em um formoso reencontro!
- gato preeeetooooo! - exclamou mamãe, o chamando por seu apelido de infância.
- mamaaaaaãe! - gritou jack.
- você deveria ter terminado o seu segundo grau, como sempre quis seu pai! - o beijou com carinho.
- desculpeeeeeee, mamãe! - implorou ele.
- claro, jack, mas precisará pedir desculpas para seu pai que, ficou um pouco triste mas está feliz com seu casamento, já está aceitando christiane como nora, pois em breve nascerá um netinho, um jackiço!
- claro, peço mil desculpas e mais um pouco.
- verdade, - o interrompeu seu pai com um olhar severo, parecendo um hindu pensativo.
- papai, papai, desculpe, eu não tive a intenção de magoá-lo.
- não me magoou, pois sei que está frequentando o ' n.e.e.j.a. érico veríssimo, do ensino médio ', jumentinho!
- perdoe-me, pois mais tarde quero ainda me formar na faculdade de ' letras ' !
- vá com sua mãe, me orgulharei um dia, se isso conseguir, ela é que parece com manteiga derretida! - sua mãe tocou em seu rosto, levando-o para perto.
- cozito, coso, aqui podemos ficar bem juntinhos, vamos aproveitar, filhotinho, daqui a pouco terá que acordar...
- smack! - beijou seus pais que, pareciam diferentes, mais jovens e bem tratados naquele local, uma fazenda bem florida!
acordou, lembrando que, naquele dia teria que partir e foi dizendo adeus a todos que, deu de lembrança um desenho.
fez amizade com sua colega de quarto, a pequena anatacha que, ria muito com ele, de suas piadas e também falava coisas engraçadas.
já estava de volta ao seu cantinho, tudo ali era paz. ficou emocionado em encontrar tudo limpinho que, compôs uma poesia de gratidão.
estava feliz por passear pela cidade, indo ao ' n. e. e. j. a. ', onde
queria estudar e fazer as provas.
então foi banhar-se para jantar.
na viagem, terminou de compor sua música para christiane:
" estrela,
não sei porque, você
e eu, tão só
tão só, tão só...
estrela,
não sei porque, você
olhou, pra mim
assim, pra mim...
por que, você entrou
iluminando escuridão...
por que, você chegou
e terminou escuridão... "