O municipio de Engenheiro Caldas era, inicialmente, o povoado de Santa Bárbara, pertencente ao município de Tarumirim. Posteriormente, passou a denominar-se Santa Bárbara de Tarumirim, e ao emancipar-se em 30 de dezembro de 1962, recebeu o topônimo de Engenheiro Caldas, em homenagem ao Dr. Felipe Moreira Caldas, engenheiro que participou da frente de trabalho para a construção da antiga Rio-Bahia
(BR 116). GENTÍLICO: engenheiro-caldense
FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
O Distrito de Santa Bárbara foi criado pela lei nº 336, de27/12/1948. Elevado à categoria de município, com a denominação de Engenheiro Caldas, pela lei nº 2764, de 30-12-1962.
É constituído dos distritos: Engenheiro Caldas (sede); Divino do Traíra e São José do Acácio. Fonte: IBGE - Secretaria da Cultura
Autor do Histórico: DENISE ARAÚJO PERIM NEGRI
INFORME HISTÓRICO:
MICRORREGIÃO: Governador Valadares
MUNICÍPIO: Engenheiro Caldas
A ocupação do território onde hoje é o município de Engenheiro Caldas pode ser entendida a partir da ocupação da região onde este está inserido: o Vale do Rio Doce. Por volta de 1730, com o descobrimento de diamantes na região chamada de Distrito Diamantino, com sede no arraial do Tejuco (atual Diamantina) a Coroa declarou monopólio a extração de diamantes e ouro nas região, estabelecendo, então, um controle rígido sobre a área, baseado no fisco e na ação repressora. Como conseqüência ocorreu a expulsão de mulheres e homens pretos, proibição da venda de bebidas, interdição de vendas e vendedores ambulantes além de haver a expulsão dos mineradores clandestinos da região e a proibição da mineração de ouro, obrigando, assim, os moradores a se dedicarem à lavoura e à pecuária (BARBOSA,1981). Porém, apesar do centralismo do poder e da severidade da legislação as riquezas que jorravam, iam para a Europa não só por vias legais mas através de contrabando. Com esta exploração desordenada, muito cedo as jazidas aluviais se esgotaram e os colonizadores perceberam que não podiam ou não conseguiam mais manter a mineração aurífera. A partir de então, as cidades do ciclo do ouro passaram por um melancólico esvaziamento. Os mineradores, os clérigos e escravos se distanciam das cidades buscando longínquas terras. No dizer de Carrato, uma verdadeira diáspora. Os migrantes partiram em massa na busca de novas aventuras, encontrando imensas florestas e terras desabitadas. Às vezes ainda tentavam a mineração de ouro ou de gemas, mas acabavam abrindo currais, fazendas e pequenos negócios; começam as costruções de capelas, criação de freguesias ou vilas (CARRATO, 1968). Após a época pombalina (1750-1777), ocorreram incursões no Vale do Rio Doce visando novas descobertas de jazidas de ouro, sendo alcançado o Cuieté em 1781, pelo então Governador da Capitania Dom Rodrigo José de Menezes (Conde de Cavaleiros). O Governador voltou de Cuieté entusiasmado não com a mineração aurífera mas com a criação de uma colônia agrícola. Tomou a iniciativa de mandar para o local uma companhia militar para ocupar a região, desde Cuieté até Natividade, hoje Aimorés (VASCONCELOS, D. 1974). A área coberta de mata indevassada ou ainda não percorrida era uma barreira natural que impedia o contrabando de ouro. Mas a partir daí o Rio Doce passa a ser a via preferencial para o transporte do sal para a região do ouro. Para tornar o rio navegável foi posto em prática um projeto de devastação das suas margens. Até o início do século XX, o Vale do Rio Doce permanecia amplamente coberto pelo complexo da Mata Atlântica. A efetiva ocupação da região somente se deu a partir de construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM). Iniciada em 1903 em Vitória, em 1910 chegava ao então pequeno entreposto comercial de Porto de Figueiras, hoje Governador Valadares. E foi neste contexto, então, por volta de 1906, que uma caravana composta por doze homens, entre eles José Manoel, Francisco Manoel, Joaquim Manoel, Joaquim Domingos, chefiados por Joaquim da Silva (o Coronel Pião) adentrou o território, a procura de terras férteis. Esta incursão afastou-se das áreas já ocupadas, próximas às margens do Rio Doce, dando origem ao povoado que hoje é o município de Engenheiro Caldas. A primeira construção no local foi um “barraco” ao final da antiga Rua Pedro Faria, hoje Rua Manoel Joaquim Ribeiro. A partir de então, os novos colonizadores iniciaram a ocupação do território, que se deu ao longo dos leitos do Córrego do Onça e do Córrego das Pedras, em área plana, rodeada por planícies onduladas que lhe dão um caráter de proteção natural. De acordo com o Sr. Antônio Sotero Lopes (Sr. Pimenta), o Coronel Joaquim Pião, que comandou a incursão da caravana e a ocupação do território, por devoção à Santa Bárbara doou, à própria Santa, simbolicamente, terras de sua posse na região da nova “área colonizada”. Daí o nome do povoado de Santa Bárbara. A Estrada de Ferro Vitória-Minas, aberta em 1904 teve grande importância para a região no que se refere ao escoamento dos produtos, porém, foi com a implantação definitiva da BR-116, cujos estudos iniciais também datam dos anos 30 -1939 – que o povoado , atualmente Engenheiro Caldas, se desenvolveu. Como Distrito de Santa Bárbara, criado em 1948, pela lei nº 336, de 27/12/1948, pertencente ao município de Tarumirim, passou a denominar-se Santa Bárbara de Tarumirim. Em 01/03/1962 como distritos, Santa Bárbara e São José do Acácio foram desmembrados de Tarumirim. Ao emancipar-se em 30 de Dezembro de 1962, como município, pela Lei nº 2764, de 30-12-1962, Santa Bárbara então recebeu a denominação de Engenheiro Caldas, alterado pela Lei estadual nº 2764, de 30-12-1962, em homenagem ao Engenheiro Felipe Moreira Caldas que participou da frente de trabalho para a construção da antiga Rio-Bahia (BR 116). Em divisão territorial datada de 31/12/1963, o município é cosntituído de 02 distritos: Engenheiro Caldas (sede) e São José do Acácio, assim permanecendo até 1988. Pela Lei nº 530, de 03-04-1992, é criado o distrito de Divino do Traíra e anexado ao município de Engenheiro Caldas. Em divisão territorial datada de 1995, o município é constituído de 03 distritos: Engenheiro Caldas (sede), Divino do Traíra e São José do Acácio. Assim permanecendo até hoje. O Distrito de São José do Acácio está a 22KM do Distrito Sede e desde 01/03/1962 juntamente com Santa Bárbara (atual município de Engenheiro Caldas) foi desmembrado de Tarumirim. Em 2000, segundo dados da Prefeitura Municipal de Engenheiro Caldas, o Distrito contava com 1.372 habitantes, o equivalente a 14,67% da população total do município naquele ano. Segundo dados da Prefeitura Municipal de Engenheiro Caldas atualmente São José do Acácio conta com 972 habitantes na zona urbana do distrito e 419 habitantes na zona rural do distrito. Ao redor da Praça da Matriz está localizada, além da Igreja Matriz de São José, a Escola Municipal Adeodata as Silveira Castro (até 8ª série), alguns estabelecimentos comerciais e a sede de uma das empresas voltadas ao artesanato em pedras. O distrito conta com Posto de Saúde, Agência de Correios, Cartório, Cemitério, além do estádio de Futebol Sebastião Damaceno Filho. A economia de São José do Acácio se diversificou, além dos estabelecimentos comerciais de pequeno porte, e de parte dos habitantes se voltarem para a agropecuária, o Distrito desponta no artesanato em pedra com pequenas empresas artesanais ou já com um suporte maior de máquinas de corte e lapidação, cuja matéria prima são os seguintes minerais: sodalita, calcita, magnesita, ametista, dolomita; e no manejo e cultivo de plantas aquáticas (para aquários) e criação de peixes ornamentais, cujos produtos já são vendidos para vários estados brasileiros. Com isto, São José do Acácio está se transformando em referência de produção especializada e diferenciada, neste caso, ampliando a economia local e criando mais postos de trabalho dentro do próprio Distrito. Pela Lei nº 530, de 03-04-1992, é criado o distrito de Divino do Traíra e anexado ao município de Engenheiro Caldas, situado a 12KM do Distrito Sede. Segundo dados da Prefeitura Municipal de Engenheiro Caldas atualmente Divino do Traíra conta com 912 habitantes na zona urbana do distrito e 205 habitantes na zona rural do distrito. Sua ocupação se deu margeando a BR-116, na confluência do Ribeirão Traíra com o Córrego Beija-Flor, cursos d´água de grande importância para o município. Sua economia é voltada para o comércio (com presença de pequenos estabelecimentos comerciais) e para a agropecuária. Hoje o Distrito posssui Posto de Saúde, Agência de Correios, Posto da Polícia Militar, Cartório João Izidoro Pereira, duas Igrejas (Igreja Matriz do Divino Espírito Santo e Igreja Imaculada Conceição), cemitério, Praça Professora Adélia Dias Goulart, campo de futebol e Escola Municipal Luzia Gonçalves Lessa (até 8ª série). Os povoados que compõem a zona rural de Engenheiro Caldas, têm sua ocupação próxima às grandes fazendas, ao longo dos cursos d´água. Esta é uma das razões pela denominação de alguns deles, sendo maioria devido aos córregos que banham suas áreas, sendo os povoados: Córrego dos Italianos, Córrego dos Alexandres. Córrego do Moledo, Mangueira, Engenhoca, Calisto, Mantimento de Cima, Mantimento de Baixo, Córrego das Pedras, Córrego dos Gonçalves, Córrego da Cachoeira, Córrego Preto, Córrego do Caixa Larga, Corrrego do Beija Flor, Córrego Bela Vista, Córrego Boa Sorte, Córrego do Bonfim, córrego dos Leites, Córrego Água Doce. Atualmente a Zona Rural do Município de Engenheiro Caldas, segundo dados da Prefeitura Municipal, conta com um total de 1819 habitantes, incluindo os habitantes das zonas rurais dos Distritos. A economia é voltada para a agricultura e para a pecuária, sendo de grande vulto econômico as fábricas de cerâmica, localizadas na zona rural, margeando a BR-116. Por volta de 1940, segundo Dona Chichica (Sra. Francisca Gonçalves Soares), ela e o Sr.