04/09/2018
Nota de pesar e solidariedade ao Museu Nacional do Rio de Janeiro
200 anos de história do nosso país viraram cinzas durante o último domingo e isso nos deixou um profundo sentimento de tristeza e indignação. Tristeza, pois entendemos a importância de estudarmos nosso passado para fortalecer a construção do nosso futuro. Indignação, pois percebemos que a classe política não está interessada em zelar e respeitar esse nosso passado, e muito menos o nosso futuro.
Diante de todos os desmontes que estamos sofrendo, o incêndio não foi uma simples fatalidade. Não há crise que justifique tamanha perda do maior acervo de história natural e antropológica da América Latina. Um crime com aspecto ilusório que reflete o desrespeito com a educação, com estudantes, professoras e professores que enfrentam todos os dias as tentativas de apagamento constante da produção e do acesso ao conhecimento. É intragável que nos arranquem parte considerável de nossa memória em uma única noite. As cinzas do nosso futuro jazem no chão do Rio de Janeiro.
Prestamos aqui o nosso apoio a todos que se dedicaram a construir esse patrimônio cultural e não tiveram seus trabalhos valorizados. Também nos solidarizamos à toda a comunidade brasileira que luta diariamente pelo mínimo de respeito e dignidade de seus governantes.
Seguimos em frente, fortificados pela ideia de que juntes podemos fazer a diferença, apesar das adversidades. Luto pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, sem esquecer que luto também é verbo. Lutar sem temer.
Que o choro pelo Museu, pela educação pública, pela ciência e pela cultura se transforme em luta.
“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no
futuro, os mesmos erros do passado”.
(Emília Viotti da Costa)