05/04/2021
Balanço gestão Revoada
A gestão Revoada foi pensada, discutida e formada em encontros entre outubro e novembro de 2019, tomando posse no dia 11 de novembro. Quando começamos nosso planejamento, no início de 2020, contávamos com um grande ano de atividades e mobilizações para debater diversos temas com o curso de RI UFSC e lutar pela educação pública, tudo isso enquanto o mundo via de longe, assim como nós, o estranho Coronavírus.
Pouco depois de começarem as aulas em março, a pandemia do COVID-19 saiu do controle e grande parte do que sonhávamos em fazer teve de ser repensado enquanto as aulas estiveram suspensas. Contudo nós assumimos as diversas responsabilidades que se apresentaram para o movimento estudantil nesse período de incertezas, a distribuição de cestas básicas, o auxílio estudantil, as discussões do ensino remoto e sua posterior implementação. Estendemos nossa gestão, dentro das possibilidades do Estatuto, entendendo a dificuldade que seria passar por um processo eleitoral naquele período e sabendo as consequências péssimas para todos e todas estudantes de RI caso o CA estivesse ausente quando mais precisavam.
Apesar de tudo, a Revoada seguiu cumprindo o planejado e o inesperado durante toda essa gestão prolongada. Essa nota segue com o balanço das nossas atividades, acadêmicas e políticas dentro do movimento estudantil e das nossas atribuições como entidade representativa nos órgãos institucionais, bem como o nosso balanço financeiro.
A gestão Revoada foi responsável pela realização de duas aulas magnas, sendo a de 2020.1 ainda presencial e a mais recente, de 2020.2, transmitida ao vivo pelo YouTube. No primeiro semestre de 2020, trouxemos a doutouranda em Ciência Política pela UFRGS, pesquisadora e ativista do Movimento Mulheres do Curdistão, Florência Guarch, com a palestra Horizontes de um território em disputa: A geopolítica do Oriente Médio e a Revolução Curda. No segundo semestre, já em caráter online, tivemos David Gomes, historiador, mestrando em Planejamento Urbano pela UFRJ e conselheiro da Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro com a palestra Racismo Estrutural e Repressão de Estado: teoria e história do Brasil que, apesar de ter ocorrido remotamente, contou com grande participação, atingindo 243 visualizadores.
O CARI ainda foi ativo na organização e realização da XI Semana Acadêmica de Relações Internacionais. A XI SemanaRI aconteceu totalmente online, por conta da pandemia da Covid-19, e teve o tema “África e seus prismas: Luta e sabedoria na construção de outras Relações Internacionais”. O evento teve mais de 350 pessoas inscritas e as transmissões alcançaram mais de 1700 visualizações. A SemanaRI contou com 4 minicursos, além das palestras de abertura e encerramento. Os minicursos foram: A guerra por recursos no continente africano com Giovani Hideki; O Jim Crow e a questão colonial: o horizonte internacionalista dos afro-americanos com Flávio Francisco; Lutas e resistências dos Africanos na diáspora com Chris Sabino; e Pensar África: Uma abordagem pragmática sobre os aspectos relevantes históricos, culturais, literatura e realidades com João Canda. A palestra de abertura foi “Os lugares da Raça em África: Experiências de silêncios a partir de Cabo Verde” com Eufemia Rocha, e a de encerramento foi "10 anos da primavera árabe e suas consequências" com Fernando Pureza. O evento como um todo conseguiu um ótimo alcance dentro do curso, e os minicursos e palestras foram muito bem recebidos.
Outro projeto que tocamos durante a pandemia foi o CARI em Casa, que realizou lives no Instagram com integrantes dos grupos de estudos e pesquisa do nosso curso. Foram lives curtas com temas fechados sobre os trabalhos e pesquisas que os convidados estavam realizando. Foram realizadas quatro edições. A primeira com a doutoranda Jessica Grassi do GEPPIC, abordando o uso de dados e dispositivos de vigilância no monitoramento social em larga escala; a segunda com a pesquisadora Raissá de Oliveira, do grupo Eirenè, para tratar sobre a pesquisa e extensão em RI com foco em Migrações e Raça; a terceira com com a Professora Doutora Clarissa Dri, sobre a cooperação regional como instrumento de reafirmação de liderança, com foco na América Latina; e a quarta com o Professor Irineu para debater as eleições do CSE.
Nas nossas mídias sociais ainda nos posicionamos e debatemos as principais datas e acontecimentos desse período de nossa gestão, como os protestos do Vidas Negras Importam, a falta de vacinas, invasão do capitólio e o desgoverno genocida de Jair Bolsonaro. Também não deixamos passar datas de extrema importância como o Dia do Orgulho LGBTQI+, Dia Internacional da Solidariedade ao Povo Palestino, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, Dia da Mulher Africana, Dia Internacional da Mulher, a data do assassinato de Marielle Franco, dentre outros marcos para as lutas contra todas as opressões, preconceitos e violências.
O CARI também participou de ações solidárias e projetos de auxílio aos estudantes e a comunidade universitária, vulnerabilizados durante o período de pandemia e isolamente. Em Abril de 2020, o DCE Luís Travassos, o CARI e uma série de outras entidades estudantis se juntaram à Frente Estudantil de Segurança Alimentícia (FESA), iniciativa de solidariedade aos estudantes da UFSC frente ao fechamento do restaurante universitário (RU) e à degradação das condições de vida dos estudantes na pandemia. A frente operou por 3 meses com ativa participação do CARI e distribuiu 6 toneladas de alimentos não perecíveis que estavam parados no RU e foram encaminhados ao DCE pela reitoria, além de alimentos suplementares comprados com doações para garantir a segurança alimentar dos estudantes, como frutas e vegetais. A iniciativa chegou ao fim com o agravamento da pandemia e o fluxo de estudantes para várias regiões do Brasil, já que foi operada por estudantes desde a compra de mais alimentos, a montagem das cestas básicas e sua distribuição na universidade e a domicílio para estudantes mais vulneráveis em localidades distantes da cidade. As entidades da frente denunciaram ainda a ausência de políticas de assistência por parte do Ministério da Educação que garantissem a sobrevivência dos estudantes na pandemia.
No fim do primeiro trimestre da pandemia e da paralisação das aulas, formou-se a Comissão de Ações Solidárias (CAS) do CSE, um projeto envolvendo docentes, discentes e TAEs do centro. Desde o início o CARI também vem construindo o projeto junto de toda a comunidade do CSE. A Comissão busca auxiliar quem ficou mais vulnerável durante esse período de pandemia, que causou inúmeras demissões e afetou profundamente a renda de muitas pessoas. Uma das principais ações da iniciativa foi a doação de cestas básicas, que inicialmente ajudou um grupo de terceirizados que mantinham o centro funcionando e f**aram sem emprego. A doação também atingiu estudantes, e hoje totaliza mais de 50 pessoas cadastradas para receber as cestas básicas ao longo das 7 campanhas de arrecadação promovidas pela Comissão. Recentemente também foi lançada uma campanha de contribuição mensal.
Também estivemos presentes como representação estudantil em todas as instâncias da UFSC. Participamos da comissão da Reforma Curricular, que contava tanto com docentes do curso de RI quanto com membros do CARI, e que se reuniu algumas vezes ao longo de janeiro e fevereiro de 2020 para juntos pensarem nas adaptações necessárias ao currículo, tanto para atualização da grade disciplinar do curso, quanto para a inclusão obrigatória de atividades de extensão no currículo, de acordo com a Resolção nº7 do MEC, de 2018. O CARI contribuiu com discussões muito ricas e contribuições que realmente influenciaram o plano elaborado pela comissão, que deveria ser apreciado pelo NDE no começo de março, mas não foi por falta de quórum. Com a suspensão das atividades, a discussão acabou sendo também sendo suspensa, sendo retomada agora em 2020.2, sem a participação dos estudantes ou da comissão montada anteriormente.
Como responsabilidade da entidade estudantil nas instâncias da Universidade, também estivemos em todas as discussões fundamentais travadas nas reuniões do Colegiado de Curso, nas reuniões de Departamento de Economia e Relações Internacionais e também no Conselho de Unidade, que estão presentes representante de todos os cursos do Centro Sócioeconômico (CSE).
O anúncio do Ensino Remoto Excepcional (ERE) trouxe inúmeras dúvidas e angústias aos estudantes, que nunca tiveram uma experiência parecida. Em um momento tão complicado e trágico como o que vivemos durante a pandemia, os estudantes precisam de garantias e flexibilizações no modelo de aula, que deve ser adaptado para a modalidade remota. Com isso, no início do semestre 2020.1, ocorreu uma sessão do Colegiado de Relações Internacionais, instância deliberativa do nosso curso com representantes docentes e discentes, para discutir a fase final de implantação do Ensino Remoto. O CARI atuou no colegiado em defesa das reivindicações estudantis, frutos de grandes discussões nos meses anteriores à volta das aulas, e dialogou com a coordenação do curso e os docentes na avaliação dos planos de ensino e propostas que foram apresentadas. Apesar de algumas brechas nas resoluções, o colegiado aprovou vitórias importantes para os discentes, como a aplicação assíncrona das provas, a cobrança de frequência apenas através de atividades offline e impossibilidade de reprovação por Frequência Insuficiente (FI). As mesmas decisões se mantiveram em 2020.2.
Quanto ao nosso balanço financeiro, durante o período de campanha, a futura gestão Revoada precisou fazer atividades para gerar caixa, sendo o Café com a Chapa a atividade escolhida. A partir dela foi angariado um valor de R$ 140,50 do qual foram subtraídos gastos com camisetas e adesivos, gerando um saldo final de R$ 52,95. Durante o mês de março, a gestão Revoada teve receita vindas do lucro da recepção, do saldo da campanha, do retorno do dinheiro gasto com a palestrante e da incorporação do caixa da greve ao montante total. Em relação as despesas, foram gastos R$ 472,00 com a palestrante e R$ 41,00 com reembolsos da recepção carinhosa. Durante o restante do ano letivo não houve movimentação do dinheiro do CARI, pois devido à pandemia a maioria das atividades do CARI foi realizada online sem o uso do caixa da gestão.
A pandemia nos impediu de estarmos juntos fisicamente, de nos vermos nos corredores do CSE, socializarmos no hall e nos encontrarmos nas reuniões semanais do CARI. Embora a distância física cause uma inevitável sensação de ausência, o CARI fez o possível para estar presente por cada um dos alunos e alunas do curso, lutando para garantir direitos e mínimas condições de permanência durante esse período tão difícil. Em momentos como esse f**a mais claro do que nunca a importância de um Centro Acadêmico que verdadeiramente representes os estudantes e defenda os seus interesses nas mais variadas situações e instâncias.
Nós, da gestão Revoada, agradecemos a participação e a colaboração dos nossos membros, tanto dos que precisaram nos deixar ao longo da gestão, quanto dos novos que se colocaram à disposição para construir o CARI em meio a um período de tantos desafios. Agradecemos também a todos os estudantes que confiaram no nosso trabalho e que participaram das nossas reuniões remotas, sempre contribuindo para as discussões.
Nesse mesmo espírito, desejamos muito boa sorte para a próxima gestão e seus membros. Que não lhes falte ânimo e disposição para seguir reivindicando sempre o melhor para os e as estudantes do curso de RI UFSC, e que tudo conspire pra que façam uma excelente gestão. Esperamos poder estar todos juntos muito em breve para que possamos mais uma vez confraternizar.
Muito obrigado!