26/03/2026
As big techs que controlam as principais redes sociais lucram bilhões com publicidade digital. Parte desse faturamento é alimentada por conteúdos que espalham desinformação, ataques e discursos de ódio contra mulheres. Nas plataformas, influenciadores ligados à chamada “machosfera” — conjunto de perfis e canais que difundem ideias machistas e antifeministas — transformaram a misoginia em modelo de negócio.
A lógica é simples: quanto mais polêmico, agressivo ou chocante for o conteúdo, maior tende a ser o engajamento. E quanto maior o engajamento, mais tempo os usuários permanecem nas plataformas — o que aumenta a exibição de anúncios e a receita das big techs.
Esse funcionamento é impulsionado pelos algoritmos que organizam o que aparece no feed de usuários. Programados para priorizar conteúdos que geram curtidas, comentários, compartilhamentos e discussões acaloradas, esses sistemas acabam promovendo vídeos e postagens que despertam indignação, conflito e polarização. Assim, conteúdos misóginos, ofensivos ou provocativos passam a circular mais, atingindo um público cada vez maior.
Na prática, isso cria um incentivo econômico perverso: quanto mais extremo for o discurso, maior a probabilidade de viralizar.
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