Instituto Terramar

Instituto Terramar Atua na Zona Costeira do Ceará, visando o desenvolvimento humano com justiça socioambiental e fortalecimento da identidade cultural dos povos do mar.

O Instituto Terramar é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, do campo popular democrático que atua na Zona Costeira do Ceará, visando o desenvolvimento humano com justiça socioambiental, cidadania, participação política, autonomia dos grupos organizados e fortalecimento da identidade cultural dos Povos do Mar do Ceará. Desde sua formação, em 1993, a intervenção do Instituto Terra

mar tem se pautado pela construção de possibilidades para abrir caminhos que nos levem à efetivação de uma cidadania real. Por cidadania real entendemos a cidadania afastada dos limites que a colocam apenas como um conjunto de regras legais que mediam a relação entre indivíduos e Estado, para tomá-la como mobilizadora de lutas contra as desigualdades sociais que marcam a sociedade brasileira e como processo de constituição de sujeitos que elaborem a crítica e a (re)invenção da vida social. Assim, a cidadania deixa de ser “um lugar definido onde cabem poucos” para ser o lugar que queremos construir: um lugar verdadeiramente democrático, marcado pelo direito à liberdade e à diversidade. Tomando, então, essa noção de cidadania como princípio norteador de sua ação, o Terramar vem ao longo desses vinte anos de existência intervindo na Zona Costeira cearense, atuando junto a outras organizações, fóruns e redes nacionais e internacionais, comprometidos com a transformação social. Em linhas gerais o Terramar realiza suas ações a partir de uma leitura crítica da realidade, o que permite o mapeamento das questões prioritárias e a definição de onde e quais ações vão ser concretizadas. Tais escolhas levam em conta o reconhecimento da autonomia das comunidades onde se pretende atuar e a coerência com o projeto político da instituição, considerando o diálogo, e a constituição de alianças com outros sujeitos políticos comprometidos com a construção da justiça socioambiental na Zona Costeira do Ceará. Dentre as diversas estratégias metodológicas de nosso trabalho cotidiano, destacamos: a troca de experiências e saberes, a arte-educação, a construção coletiva de conhecimento, a elaboração de material didático e audiovisual, a sistematização de experiências e o apoio ao desenvolvimento institucional das organizações comunitárias. As escolhas políticas e a definição dos princípios metodológicos e institucionais, consideram que a construção da justiça ambiental só é possível a partir da garantia da igualdade entre homens e mulheres, do combate ao racismo e ao etnocentrismo e à todas as outras formas de discriminação. Nesse sentido, temos buscado incorporar ao nosso pensamento e ação as dimensões de gênero, raça e classe, como questões estruturantes das realidades onde atuamos.

Água e energia para o povo, não para Data Centers! No dia 9 de julho, às 9h, aconteceu em Fortaleza (CE) uma  Audiência ...
23/07/2026

Água e energia para o povo, não para Data Centers!

No dia 9 de julho, às 9h, aconteceu em Fortaleza (CE) uma Audiência Pública pra debater os impactos socioambientais dos data centers de IA que estão chegando no Ceará — e também das obras que vêm junto: linhas de transmissão, usinas eólicas, solares, mineração.

Essa audiência faz parte da missão do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Ceará (CEDDHC),que acontece entre os dias 6 e 9 de julho investigando denúncias sobre esses empreendimentos.

Vem ver o vídeo no YouTube do Terramar, link na bio!

No que se refere aos recursos ambientais e ao descaso com os ecossistemas e os direitos democráticos, o entreguismo econ...
16/07/2026

No que se refere aos recursos ambientais e ao descaso com os ecossistemas e os direitos democráticos, o entreguismo econômico e político não é, e nem nunca foi, privilégio da extrema direita.

Enquanto os progressistas, pessoas e grupos que atuam na defesa da soberania nacional, denunciam a subserviência do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA, o Governo do Estado do Ceará, junto com a maioria dos deputados estaduais, vão entregando as terras e as riquezas ambientais do estado para grandes corporações estrangeiras.

Na Zona Costeira, a entrega da terra e da água para os megaempreendimentos se dá através de incentivos fiscais, escandalosas facilitações para o licenciamento e autorização de uso exaustivo da terra e da água, incluindo desmatamento e redução do acesso aos territórios tradicionais pelas pessoas que os habitam ancestralmente. Dentre essas facilitações está, também, a prática repetitiva de agilizar marcos legais de forma autoritária e negacionista da realidade dos impactos acumulados na região, sem participação social, que são bastante conhecidos, e da intensificação dos riscos reais com o agravamento dos eventos climáticos extremos.

E foi exatamente isto que aconteceu com a votação na Assembleia Legislativa do Ceará, em regime de urgência solicitado pelo Governador, da Mensagem 69/2026 sobre Política de Incentivo para Data Centers e Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias, ocorrida no último 13 de julho. Com raras exceções, a Mensagem foi votada , em regime de urgência, mesmo tendo sido solicitado, poucos dias antes, ao Governador, por organizações de direitos humanos, comunitárias e ambientalistas, que o projeto fosse retirado do regime de urgência para oportunizar uma maior discussão com a sociedade e, sobretudo, com o Povo Anacé, direta e indiretamente afetado pelo empreendimento.

Ocorreu que o envio da Mensagem pelo Governador para a Assembleia se deu na semana em que o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), em conjunto com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH), realizavam uma Missão Institucional in locu sobre violação de direitos humanos na implementação, em curso, do Mega Data Center da Omnia/Tik Tok na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), do Complexo Industrial Portuário do Pecém, o CIPP. A Missão ocorreu porque organizações indígenas do Povo Anacé, em conjunto com organizações da sociedade civil que vêm discutindo a questão dos Datacenter, denunciaram violações dos direitos humanos dos Anacé e apresentaram preocupações das comunidades locais, como o acesso à água, à energia e a insegurança territorial histórica que os Anacé e outras comunidades enfrentam na região.

O Governo sabia da Missão, e até enviou alguns representantes para receber a Comitiva, porém não houve nenhum comprometimento efetivo com os temas trazidos pela Comitiva, pois os representantes alegaram não ter poder para encaminhar sobre os assuntos. Dentre as principais denúncias e preocupações trazidas, destaca-se a ausência de transparência e participação social no processo como um todo, cujas informações sobre a obra só chegaram às comunidades locais e à sociedade, em meados 2025, por meio da mídia e da sociedade civil.

Em audiência pública, realizada por solicitação do CNDH, na manhã do dia 09 de julho, ambientalistas e lideranças comunitárias haviam pedido a suspensão da obra do Data Center OMNIA/Tik Tok até que seja aplicada a Consulta Prévia, Livre e Informada pelo Estado junto aos Povo Anacé e às comunidades tradicionais de pescadores e agricultores, assim como a realização de estudos robustos considerando a magnitude de impactos gerados por data center de hiperescala.

Isto porque, os data centers de Inteligência Artificial (IA) são empreendimentos de grande impacto, consumindo imensa quantidade de água e energia, não é à toa que sua instalação está sendo dificultada nos Estados Unidos, Irlanda, Alemanha, Dinamarca, China e Singapura. Restando às corporações a “benevolência” dos governos entreguistas e das elites brancas e seus interesses, que sequer parecem entender porquê é importante se preocupar com os impactos e danos socioambientais.

É nítido que seus fundamentos, planos, práticas e interesses estão estruturalmente assentados no racismo, significando a escancarada falta de consideração com as populações afetadas. Fazem isso, quase tranquilamente, sem sofrer maiores questionamentos, a não ser das comunidades e populações afetadas, que em situações de extremas desigualdades políticas, econômicas e sociais, tentam resistir, quando sequer suas falas e preocupações são consideradas no processo, imagine seus corpos e modos de vida.

Por fim, vale dizer que, fingir não entender, desdenhar e desconsiderar as linguagens dos territórios e as legítimas preocupações das populações afetadas é fácil, o racismo estrutural e ambiental, são mecanismos excelentes para estes comportamentos, difícil é assumir o viés elitista das escolhas governamentais pelo uso predatório da terra e da água, em favor dos privilegiados de poucos e contra os povos e comunidades.

O bom é que dá para ver, e a história sempre presta conta!

O conteúdo desta publicação não expressa necessariamente a opinião dos apoiadores.

14/07/2026

Na manhã desta terça-feira (14/07) fomos impedidas de participar da votação do PL 69/2026, que flexibiliza a instalação de Data Center em território indígena.

Soraya Tupinambá, relata um pouco sobre esta votação a portas fechadas para organizações e povos indígenas.

Vem ver!

Na tarde da última quinta, dia 09 de junho, a Comitiva da Missão do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), em con...
13/07/2026

Na tarde da última quinta, dia 09 de junho, a Comitiva da Missão do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), em conjunto com o Conselho Estadual de Direitos Humanos do Ceará (CEDH), sobre violações de direitos na Instalação de Data Centers no Ceará, no Município de Caucaia, foi recebida por representantes do Governo do Estado, na sede da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SEDHDS). O objetivo da reunião foi dialogar com autoridades governamentais sobre as escutas comunitárias nos territórios do Povo Indígena Anacé, afetado, direta e indiretamente, pela instalação de um Data Center, em curso na Região.

Dentre os representantes governamentais que receberam a Comitiva da Missão, estavam: o Secretário da Assessoria Especial de Relações Comunitárias, Frank Rainer, o Secretário de Recursos Hídricos, Ramon Flávio Gomes, a Secretária Estadual de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SEDHDS) Socorro França, o Superintendente do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (IDACE), João Alfredo, o Secretário Executivo da Secretaria Estadual dos Povos Indígenas (SEPICE), Jorge Tabajara, a Secretária Executiva da Secretaria da Igualdade Racial (SEIR), Martír Silva, e o Coordenador Regional da Funai, Thiago Anacé.

Dentre as preocupações afetas aos direitos humanos, os coordenadores da missão apontaram preocupações com a não aplicação da Consulta Prévia, Livre e Informada-(CPLI), prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. A CPLI é um mecanismo de participação dos povos e comunidades tradicionais nas decisões sobre uso e ocupação dos territórios impactados por empreendimentos públicos ou privados, no caso em questão, o Povo Indígena Anacé.

Outra questão apontada pelos conselheiros foi a insuficiência da aplicação, para licenciamento, do Relatório Ambiental Simplificado (RAS), o que inviabiliza a identificação e planejamento sobre os riscos socioambientais inerentes ao território Anáce, já afetado pelo Complexo Industrial Portuário do Pecém (CIP). A superficialidade do RAS, neste caso, negligência a devida atenção aos impactos sinérgicos e cumulativos das atuais e futuras instalações industriais na Região, assim como o aumento dos riscos dos eventos climáticos. Dentre os empreendimentos futuros estão previstos mais quatro Data Centers.

A situação contraria os princípios da prevenção, previsto no Artigo 225 da Constituição Federal, e o princípio internacional da precaução (ONU), fundamentais para implementação de empreendimentos com grandes incertezas socioambientais, como é o caso dos Data Centers. Além disso, os Conselheiros também apontaram preocupações com os relatos e tensões nos territórios, como os receios sobre a situação hídrica e energética, a insegurança territorial frente à não demarcação da Terra Indígena Anacé; o acirramento de conflitos locais, e a escassez de políticas públicas básicas como saúde, educação, transporte e segurança pública, e de atenção à infância e a adolescência.

Frente a essas situações, os Conselheiros recomendaram a retirada do atual regime de urgência, solicitada esta semana (dia 08/07) pelo Governador à Assembleia Legislativa para apreciação e aprovação do Projeto de Lei de Simplificação de Licenciamento Ambiental para Data Centers e Sistema de Baterias de Armazenamento. Tal retirada seria fundamental para aprofundar os diálogos e participação social, e construir caminhos social e ambientalmente mais seguros para a população que será afetada por estes empreendimentos no Estado.

O Secretário de Recursos Hídricos do Estado, Ramon Flávio Gomes, informou que duas outorgas de água foram concedidas ao Data center em instalação, cada qual corresponde a 0,83 litros por segundo, durante 24 horas, totalizando cada uma 26. 287m3 l por ano, tanto para refrigeração dos equipamentos, quanto funcionamento do cotidiano da empresa, e que este volume é irrisório para as condições hídricas locais.

O superintendente do IDACE, João Alfredo, informou que o Estado tem buscado diferentes iniciativas para garantir a segurança territorial das comunidades costeiras, através dos mecanismos possíveis pelo poder executivo; e que para a demarcação a TI Anacé um grupo de trabalho está sendo formado no âmbito da Funai, que também esteve na reunião, através do seu Coordenador Regional Nordeste II Thiago Anacé. A Secretária de Direitos Humanos, Socorro França, e o Secretário Executivo da SEPICE, Jorge Tabajara, afirmaram o compromisso com os diálogos e iniciativas internas para a garantia dos direitos das comunidades.

O Secretário Franklin Rainer Prado, se comprometeu de, mediante informações e recomendações que serão repassadas pelo CNDH, encaminhar as demandas da Missão para as Secretarias responsáveis. Além disso, ficou de tentar diálogo direto com o Governador sobre a recomendação de retirar o regime de urgência do PL sobre Data Center, ressaltando que não poderia dar nenhuma certeza sobre a questão.

No diálogo também ficou encaminhado que o CEDH, de acordo com suas prerrogativas, criará um Grupo de Trabalho específico, convocando, além dos órgãos executivos que já são seus membros, outros que estão direta ou indiretamente envolvidos com esta política, em discussão. O objetivo será tratar sobre medidas de ajustes, que cessem ou mitiguem os riscos aos direitos e garantias das comunidades, afetadas pela instalação de Data Center.

A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE) autorizou a instalação do data center do TikTok no município de Caucaia (CE), em uma Área de Preservação Permanente (APP), sob o argumento de utilidade pública.

Em uma região marcada pela falta de água, esse projeto afeta diretamente comunidades locais e povos indígenas, como o povo Anacé e os moradores da região, em sua grande maioria pessoas negras.

02/07/2026



No último final de semana (26 e 27/06), cerca de quarenta mulheres se reuniram em Fortaleza para participar do II Encontro de Defensoras de Direitos Humanos: Caminhos para a Proteção Integral, Cuidados e Resistências.

Nas imagens, um pouco desse encontro potente de saberes e vivências. Francisca Sena (Inegra), Lorena Pacheco (Instituto Odara), Horrara Morreira, proporcionaram um momento de reflexões e aprendizagem com as convidadas. Os momentos tiveram mediação de Letícia Abreu (Terramar), Romária Holanda (Terramar), Rayane Vieira (Terramar/Inegra) e Sara Menezes (Inegra).

O encontro faz parte da agenda das Defensoras de Direitos Humanos, organizado pelo Instituto Terramar e Inegra, e busca promover reflexões, trocas de experiências na defesa dos direitos e fortalecimento das organizações e lideranças femininas em suas diversidades em seus territórios.

As fotos desta publicação são registros da Articulação Nacional das Pescadoras, durante o encontro “Da identidade ao ter...
19/06/2026

As fotos desta publicação são registros da Articulação Nacional das Pescadoras, durante o encontro “Da identidade ao território: pescadoras artesanais com seus corpos nas águas, pelo bem viver e a justiça climática” realizado no período de 15 a 19 de junho, em Recife-PE, em comemoração aos 20 Anos da ANP. Terramar esteve presente, na pessoa de sua Coordenadora Institucional Cris Faustino, que participou da Mesa dos Parceiros, ocorrida na manhã do dia 16/06, e da mesa Violência Contra Mulher no Brasil, ocorrida na manhã do dia 17/06.

Na nota de felicitação citamos duas músicas que marcam os movimentos de mulheres e de pescadores e pescadoras artesanais:

*Hino oficial do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, de autoria coletiva;

** Música de Zé Pinto

Na última quarta-feira (10/06), a Coordenadora Institucional do Terramar, Cris Faustino, participou da mesa: “O Brasil a...
15/06/2026

Na última quarta-feira (10/06), a Coordenadora Institucional do Terramar, Cris Faustino, participou da mesa: “O Brasil afroindígena e a questão agrária entre os caminhos das amefricanidades”, que aconteceu no XXVII Encontro Nacional de Geografia Agrária-ENGA.

Cris Faustino esteve ao lado de duas grandes referências das lutas indígenas: Luiza Canuto, do Povo Tabajara da Serra das Matas, e Alexandra Manchinery, da Universidade Federal de Rondônia. A mesa foi mediada pela Professora Bruna Araújo, que abordou, dentre outros, a história, os desafios e as potencialidades dos povos do Sul Global na construção de processos transformadores dos marcos das opressões coloniais, patriarcais e ra***tas, desde o olhar e da realidade das mulheres negras e indígenas.

“Quando o agronegócio, a mineração, as indústrias do turismo, da energia, portuária e tantas outras, incluindo o Estado burguês, inviabilizam o direito à Terra e ao Território, eles afetam diretamente o âmago do ser, interditando e inviabilizando sua existência inteira, sempre obrigando os povos a se readaptarem, numa “eterna” condição de desigualdade e naturalização de injustiças (...) A justiça fundiária, ambiental e climática passa também pelo reconhecimento dos direitos e necessidades específicas, e nesse atravessamento emergem muitas coisas, como, por exemplo, o conceito de família, as relações domésticas de poderes, as culturas de violências: o que é um território seguro para mulheres? Para crianças e adolescentes? Para mulheres trans e travestis, quando a gente luta pela terra, não é senão para esta diversidade e para viver bem. Todo esse debate representa, no meu entendimento, um grande caminho da amefricanidade, ou talvez possamos dizer: de uma grande movimentação construída em muitas diásporas negras, indígenas, camponesas, nordestinas, inclusive de brancos”, ressaltou Cris Faustino.

O encontro acontece na Universidade Estadual do Ceará entre os dias 09 e 13 de junho. Corre e dá uma olhada na programação!

Na noite da última segunda- feira(08/06), dez ambientalistas foram homenageados na sessão solene realizada na Câmara de ...
10/06/2026

Na noite da última segunda- feira(08/06), dez ambientalistas foram homenageados na sessão solene realizada na Câmara de Fortaleza, em alusão ao Dia do Meio Ambiente (05/06). Entre os homenageados, Andréa Camurça, coordenadora de Incidência Política do Terramar e Jeovah Meireles, professor da UFC e membro do Conselho Consultivo do Terramar.

“Gostaria de saudar a mesa na pessoa da Andréa, do Instituto Terramar. É uma construção fabulosa do ambientalismo e da relação direta com populações tradicionais de pescadoras, marisqueiras, que têm um estreitamento muito forte com a academia e com a universidade. As companheiras do Instituto Terramar são formadoras, inclusive, de estudantes e pesquisadores das nossas universidades. Isso é muito importante para o movimento ambientalista”, Jeovah Meireles.

A cerimônia também foi marcada pelo protagonismo das novas gerações. A participação de Gleiciany do coletivo Sabiá e a emocionante homenagem prestada por João Pedro, sobrinho de Andréa Camurça, reforçaram uma mensagem fundamental: a defesa da natureza, dos povos e comunidades tradicionais e da justiça socioambiental começa desde cedo.

A Solenidade foi promovida pelo atual vereador Gabriel Aguiar (Psol), que presidiu a mesa, composta por Andréa Camurça, coordenadora de Incidência Política do Instituto Terramar; Francisca Gleiciany, membro do coletivo sabiá; Jeovah Meireles, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC); Alice Frota Feitosa, presidenta do Tartarugas do Futuro.

“Ofereço esse prêmio todas as pessoas que vieram antes.” Romária Holanda, coordenadora de Formação do Instituto Terramar...
22/05/2026

“Ofereço esse prêmio todas as pessoas que vieram antes.”

Romária Holanda, coordenadora de Formação do Instituto Terramar, recebeu o prêmio Lylia Guedes, homenagem dada na abertura da 4.ª edição do Festival de Cinema Samburá, que está rolando em Fortaleza durante os dias 21 a 24 de maio, no Teatro São José.

O prêmio foi entregue pela diretora do Teatro, a artista Silvia Moura. “O Ceará precisa de pessoas como você”, afirmou Silvia. Romária, filha do território de Caetano de Cima, em Amontada (CE), agradeceu e ofereceu a homenagem a todos que a antecederam, ressaltou as lutas coletivas nos territórios costeiros e a importância de reconhecer as diversas mulheres que estão nessa luta contra o racismo ambiental.

O Festival Samburá é uma mostra competitiva de cinema sobre a cultura do mar. Nesta edição, 22 filmes de 11 estados brasileiros foram selecionados. O festival é uma realização da CENAPOP.

Movimentos globais denunciam impactos dos “Impérios de IA” em encontro internacional na ZâmbiaNos dias 02, 03 e 04 de ma...
21/05/2026

Movimentos globais denunciam impactos dos “Impérios de IA” em encontro internacional na Zâmbia

Nos dias 02, 03 e 04 de maio, o Instituto Terramar participou do encontro internacional Earthkeepers vs AI Empires (Guardiões da Terra vs Impérios de IA), realizado em Lusaka, na Zâmbia, continente africano.

O evento reuniu representantes de movimentos sociais, organizações ambientalistas, povos indígenas, comunidades tradicionais e defensores de direitos humanos de mais de 30 países para debater justiça ambiental, climática e digital frente à expansão acelerada da inteligência artificial (IA) e das infraestruturas digitais, como data centers, cabos submarinos, empreendimentos de energias, mineração e sistemas de IA em todo o mundo, com destaque para o Sul Global — África, Ásia e América Latina.

As discussões evidenciaram como o avanço dos “Impérios de IA” e das infraestruturas digitais está diretamente articulado à continuidade de dinâmicas coloniais, ra***tas e extrativistas. Atualmente, 8 das 10 maiores corporações do mundo são empresas de tecnologia, e cada uma possui valor de mercado superior ao PIB de 93% dos países, segundo dados da Forbes India (2025).

Foram destacadas as cadeias globais de extração de cobre e cobalto na África; a expansão de data centers e de cadeias produtivas correlatas — como as energias renováveis e a mineração — na América Latina; a apropriação de conhecimentos tradicionais e dados genéticos sem consentimento dos povos e comunidades tradicionais; além do uso crescente de tecnologias de vigilância e automação militar em contextos de guerra e repressão.

Ao reunir experiências da África, América Latina, Ásia e outras regiões, o Earthkeepers vs AI Empires fortaleceu articulações internacionais em defesa dos territórios, dos bens comuns e de formas de vida baseadas na interdependência entre seres humanos e natureza. O evento reafirmou a necessidade de visibilizar e construir alternativas ao modelo tecnológico dominante, colocando no centro a soberania dos povos, a justiça ambiental, o respeito aos direitos humanos e a proteção dos territórios.

Na abertura do evento, o Instituto Terramar realizou uma fala em representação da delegação brasileira, composta por organizações, comunidades quilombolas e povos indígenas. A delegação denunciou a expansão dos data centers, especialmente do mega datacenter do OMNIA/TikTok previsto para Zona de Processamento de Exportações (ZPE) do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em território do povo indígena Anacé, de agricultores e pescadores, em Caucaia-CE, assim como das ameaças a soberania energética brasileira.

Destacou-se como os empreendimentos dos chamados “Impérios da IA” chegam materializados em grandes infra estruturas que demandam terra, água, energia e mineração, aprofundando conflitos socioambientais, as violações de direitos e o racismo ambiental.

Também foram apresentados os danos e impactos acumulados já sofridos pelo povo Anacé diante da instalação de termelétricas, siderúrgicas, indústrias e do próprio porto, além da ausência de consulta livre, prévia e informada realizada pelo Estado, prevista na Convenção 169 da OIT e da falta de transparência sobre informações essenciais do empreendimento, como o consumo de água.

Terramar, Idec, Lapin, Povo Anacé da Terra Tradicional, Filha do Sol e IP Rec estiveram entre as representações brasileiras presentes no Earthkeepers, levando ao debate internacional as denúncias sobre os impactos socioambientais e as violações de direitos associadas à expansão dessas infraestruturas no território.

A expansão dos data centers de IA vem sendo apresentada como solução para a crise climática e parte de uma suposta “transição energética”. Na prática, trata-se de uma “transação energética”, marcada pela intensificação da exploração dos territórios e dos povos e comunidades tradicionais do Sul Global para atender às demandas energéticas e minerais do capitalismo digital. Os data centers de IA ganham uma centralidade para diferentes cadeias produtivas como da indústria de energias renováveis impulsionando sua expansão econômica sob o discurso da urgência climática.

Mais de 90% das usinas eólicas do Brasil estão concentradas no Nordeste brasileiro, revelando uma geografia de poder que transforma territórios indígenas, quilombolas, pesqueiros, tradicionais em zonas de sacrifício em nome do chamado “desenvolvimento verde”. Essa lógica colonial e ra***ta segue operando ao invisibilizar povos e comunidades tradicionais, expropriando territórios vivos e legitimando violações de direitos em nome da crise climática, da “transição energética” e do “futuro tecnológico”.

A delegação brasileira também relacionou esses processos às disputas geopolíticas globais em torno do controle das infraestruturas digitais e da Inteligência Artificial, mencionando o cancelamento da RightsCon 2026 na Zâmbia em meio às tensões envolvendo China e Taiwan, bem como à influência chinesa sobre países economicamente dependentes, como a Zâmbia.
Além das violações de direitos, o episódio traz um alerta para o Brasil diante da intensificação das disputas geopolíticas entre potências imperialistas, especialmente no contexto da atração de investimentos chineses apresentada como alternativa de desenvolvimento. Para os movimentos, o episódio evidencia que o debate sobre tecnologia e direitos digitais está profundamente atravessado por interesses imperiais, econômicos e militares.
Mas, para além das denúncias, os (as) participantes reafirmaram a existência e a resistência dos povos e comunidades tradicionais.

Foram compartilhadas experiências de luta protagonizadas pelos povos e comunidades tradicionais, por organizações e movimentos sociais que vêm articulando ações contra os impactos dos data centers e de megaprojetos de usinas eólicas, solares e mineração ao mesmo tempo em que fortalecem modos de vida baseados no bem viver, no cuidado e na defesa dos territórios.

Os debates também destacaram os aprendizados construídos com povos indígenas, pescadoras e comunidades tradicionais, que compreendem o território não como recurso, mas como corpo vivo, pertencimento e relação. A partir dessas cosmovisões, emergem formas concretas de resistência: a defesa dos territórios, a luta pelo direito à consulta livre, prévia e informada, o fortalecimento das práticas ancestrais, a construção de tecnologias sociais adaptadas aos territórios, o enfrentamento às desigualdades e o fortalecimento das identidades e memórias coletivas.

O encontro reafirmou que já existem, nos territórios, práticas concretas de enfrentamento à crise climática muito antes das promessas tecnológicas e dos mercados de carbono. Enquanto o império da IA opera pela lógica da extração, do controle e da acumulação, os(as) guardiões da Terra operam pela lógica do cuidado, da reciprocidade e da continuidade da vida.

Endereço

Rua Pinho Pessoa, 86/Bairro Joaquim Távora
Fortaleza, CE
60135-170

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