12/06/2016
Projeto mapeia subsolo do sítio histórico de Ipanema
Entre os dias 08 e 10 de junho, uma equipe de pesquisadores formada por profissionais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), do Departamento de Geofísica do IAG/USP e do Centro de Memória de Ipanema (Flona de Ipanema/ICMBio) realizaram as atividades de campo do projeto “Mapeamento por radar das estruturas enterradas do complexo de refino da Fábrica de Ferro de Ipanema” (Licença SISBio n° 54259/1) sob responsabilidade do Analista Ambiental Luciano Bonatti Regalado, coordenador do Centro de Memória de Ipanema. Uma área de aproximadamente 480 m2 situada no lado esquerdo dos altos fornos de Varnhagen sofreu um mapeamento geofísico de superfície rasa utilizando o método GPR (Ground Penetrating Radar ou Radar de Penetração no solo) que com o uso de ondas de rádio em frequências muito altas permite localizar estruturas e feições geológicas rasas da subsuperfície e/ou objetos enterrados pelo homem, conforme relata o Prof. Dr. Jorge Luis Porsani, pesquisador do IAG/USP e responsável pelos trabalhos em campo. A faixa de frequências utilizadas no método GPR varia de 10 MHz a 2,6 GHz, permitindo investigar até cerca de 40-50 metros de profundidade em materiais com elevada resistividade elétrica, tais como, areias de dunas, cascalhos e granitos. Em solos argilosos, meios com elevada condutividade elétrica, o método permite a varredura de cerca de 10 a 15 metros de profundidade, afirma Porsani. Em Ipanema foram empregadas antenas de 200 MHz, 270 MHz, 300/800 MHz, 400 MHz e 900 MHz com o emprego dos equipamentos SIR-3000 e Dual-Frequency da empresa americana GSSI, ambos pertencentes ao Departamento de Geofísica do IAG/USP. O objetivo desse mapeamento realizado agora em Ipanema é de verificar a existência e a disposição das ruínas e outros objetos da antiga oficina de refino do complexo dos altos fornos de Varnhagen (1818) presente nas plantas e mapas antigos da fábrica de ferro, mas que atualmente, encontram-se enterrados sob um platô gramado no lado esquerdo dos altos fornos. As informações obtidas após a análise dos dados subsidiarão os estudos de arqueometalurgia desenvolvidos por pesquisadores da Escola Politécnica da USP, sob a coordenação do Prof. Dr. Fernando José Gomes Landgraf, e permitirão conhecer melhor as estruturas não visíveis da fábrica de ferro de Ipanema e contribuir para o desenvolvimento de ações voltadas à preservação do patrimônio histórico mantidos no interior da Unidade de Conservação.
Fotos: Luciano Regalado/Centro de Memória de Ipanema
Divulgação Depto. Geofísica/IAG/USP