02/12/2025
No novembro negro promovemos um aprofundamento no debate racial, a partir das contribuições de Frantz Fanon, Clóvis Moura e Lélia Gonzalez.
Essa não foi apenas uma compreensão teórica, mas um exercício político crucial para entender a profundidade e a abrangência do racismo. Fanon nos ensina sobre a psicodinâmica da opressão e o desejo de libertação total; Clóvis Moura nos oferece uma leitura materialista do Brasil que desnuda a farsa da democracia racial; e Lélia Gonzalez nos arma com o conceito de amefricanidade e o feminismo negro, expondo as intersecções de raça, gênero e classe. O estudo desses pensadores mostra que o racismo é mais do que preconceito; é um pilar de sustentação da exploração e opressão na sociedade capitalista.
É fundamental reconhecer que a luta contra o racismo não pode estar desvinculada do enfrentamento ao capitalismo. Fanon, Moura e Gonzalez, cada um a seu modo, demonstram que a exploração racial e a exploração econômica caminham de mãos dadas. O racismo moderno, enraizado no colonialismo e na escravidão, foi o motor inicial de acumulação de capital e continua sendo o mecanismo que garante a superexploração de parcelas inteiras da população, mantendo a desigualdade brutal. Pensar o enfrentamento ao racismo de forma séria é, portanto, pensar na transformação radical das estruturas econômicas que lucram com a opressão.
A verdadeira libertação, como nos ensinam esses pensadores, exige uma revolução na base. Não se trata apenas de políticas de inclusão ou reparação superficial, mas de desmantelar a lógica que produz e reproduz a miséria e a violência racial. O estudo aprofundado destes autores é um chamado à ação para a construção de um projeto político que seja, ao mesmo tempo, anti-ra***ta e anticapitalista.