19/11/2016
TENHO PRESSA
Por: Victor Aurélio
O previsível resultado da votação da PEC 55 (241) no Senado se aproxima e, com ele, urge a pergunta: E depois? A mim, custa a paz, o melhor do sono, pensar em quantas outras frentes de luta precisaremos percorrer até que entendamos, hegemonicamente, que medidas como a do Novo Regime Fiscal (PEC 55) são artefatos de um confronto maior, secular e insuperável, se não submetida à um lastro revolucionário. Ontem, a abertura para o capital estrangeiro no SUS, perda na prioridade na exploração do nosso petróleo, etc; hoje a PEC 55, amanhã uma reforma trabalhista que adoeça ainda mais a classe trabalhadora; aprovação de maiores salários para o Legislativo e Judiciário... Chamem-me do que quiser, construam a narrativa que preferirem: não arredo da aposta na radicalização da nossa luta. Isto é, de um tensionamento, como preciso for, para o aquecimento do processo revolucionário no Brasil. Olhem para a hemorrágica história da América Latina: uma sucessão de tentativas de ruptura que desembocaram em conciliações frágeis às investidas dos setores mais conservadores. As nossas conquistas são aviltadas sem qualquer cerimônia diante dos nossos olhos e, ainda assim, preconizamos uma postura diplomática como se “ser civilizados” fosse um lugar que, em nossa história, tivesse-nos garantido alguma vantagem enquanto maiorias populares oprimidas. Que mediação é essa que conservamos? E, que combate é esse que precisamos? Porque fazer o enfrentamento pra conciliar tendo saúde, se alimentando bem e crente de que muda a realidade sendo ativista virtual é fácil. Mas, o tempo passa diferente pra quem tem fome, camarada. E isso precisa instigar nossa pressa.