23/04/2021
Muitos nomes para a minha dor
Os palavrões com que ele me apelidou desde pequena, tem nome: Violência moral;
As ameaças de morte que ele me faz diariamente, tem nome: Violência psicológica;
As surras que ele me dá e que se alternam dia sim, dia não e às vezes até mesmo todos os dias, tem nome: Violência física;
O laptop da Barbie que eu ganhei no sorteio da escola e o celular que eu ganhei da minha madrinha e que ele jogou ambos no chão e pisoteou num ataque de raiva corriqueiro, tem nome: Violência patrimonial;
As mãos dele que quando anoitece tapam minha boca e invadem meu corpinho, tem nome: Abuso sexual;
Às vezes que ele cobrou dos amigos para que eles me vissem sem roupa, tem nome: Exploração sexual;
Os olhos baixos dela quando tudo isso acontece e ela nada faz para me defender, tem nome: negligência!
Descobri através de um montão de gente que também tem nomes e que fui obrigada a conhecer mesmo não querendo: psicólogos, educadores, assistentes sociais, médicos, delegados, enfermeiros, conselheiros tutelares, professores, monitores, escrivães, diretores, advogados, promotores, psiquiatras, pedagogos, juízes, guardião..., que todos esses fatos tristes da minha vida, tem nomes...
Só não me disseram ainda qual o nome da borracha que será capaz de apagar tudo isso, me devolvendo como página em branco pra eu crescer em cores.
[Autoria: Kaity Berlini]
18 de maio.
Esquecer é permitir
Relembrar é combater