12/07/2025
O Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), a Frente de Juristas Negras e Negros (FJUNN), o Movimento Negro Unificado do Rio de Janeiro (MNU-RJ), Movimento Negro Unificado do Espírito Santo (MNU-ES), o Movimento Negro Unificado da Bahia (MNU-BA) e o Movimento Negro Unificado de Sergipe (MNU-SE), vêm a público expressar indignação diante da decisão do Presidente da República de não indicar a Drª. Vera Lúcia Araújo para o cargo de ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Apesar da trajetória incontestável de Vera Lúcia Araújo, do reconhecimento público de sua competência técnica e ética, e da ampla articulação da sociedade civil em torno de seu nome, a Presidência optou por ignorar essa candidatura, preferindo manter intactos os pactos silenciosos que sustentam os privilégios da elite branca da esquerda brasileira.
Mais uma vez, o Movimento Negro é desconsiderado na composição dos espaços mais altos do poder institucional. A meritocracia, tantas vezes vendida como critério de justiça, mostra-se seletiva e excludente. Mesmo qualificadas/os, articuladas/os e respaldadas/os, as vozes e os corpos negros continuam sendo marginalizados das decisões que moldam o país, inclusive rompendo saudável tradição da Justiça Eleitoral, de titularizar substitutos.
A ausência de Vera no TSE, como ministra titular, representa uma perda profunda, mas não uma surpresa. É mais uma demonstração de que o sistema jurídico-político brasileiro ainda resiste à democratização racial. Seguimos firmes, mas não ilesas/os. Diante dessa violência simbólica e política, reafirmamos nosso compromisso com a construção de uma justiça, de fato, antirracista.
Seguiremos organizadas/os, vigilantes e em movimento.
Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN)
Frente de Juristas Negras e Negros (FJUNN)
Movimento Negro Unificado da Bahia (MNU-BA)
Movimento Negro Unificado do Rio de Janeiro (MNU-RJ)
Movimento Negro Unificado de Sergipe (MNU-SE)
Movimento Negro Unificado do Espírito Santo (MNU-ES)