08/12/2020
"Hoje, há 1000 dias sem Marielle Franco e Anderson Gomes, estamos juntos lembrando e fazendo lembrar, estamos juntos exigindo justiça. E, por estarmos juntos, somos mais potentes. Somos +um+um+... O que fazemos, hoje, juntos, é dizer: não esqueceremos nem deixaremos esquecer.
Lembrar, fazer memória da execução de uma mulher, negra, LGBTQIAS+, criada na favela, que ousou fazer política no centro, desafiando os donos do poder e as milícias, é gesto coletivo de resistência.
Estamos dizendo que não aceitamos mais um país em que uma parte da população é "matável" por sua cor, por seu gênero, por sua orientação sexual, por sua classe social. Estamos dizendo que o genocídio negro e indígena tem que parar.
Ao pedirmos justiça por Marielle estamos pedindo justiça por Marielle, estamos pedindo justiça por Anderson e estamos pedindo justiça por todos os que foram assassinados por sua cor, por sua orientação sexual, por sua origem social, por seu gênero, por suas lutas políticas.
A responsabilização ou a não responsabilização dos mandantes da execução de Marielle determinará que país seremos e também que povo seremos. O assassinato de Marielle e a nossa capacidade, como sociedade, de fazer ou não justiça, representa essa encruzilhada.
Vidas negras importam, é isso o que estamos dizendo. Estamos dizendo também, junto com a Coalizão Negra por Direitos, que enquanto houver racismo não haverá democracia.
Se formos milhões exigindo justiça por Marielle, nos moveremos nesse país. Em direção à vida, em direção à igualdade racial, social, de gênero. Vamos todos e todas exigir justiça para Marielle e Anderson, vamos todas e todos afirmar em uma só voz: nenhuma/nenhum a menos."
Texto da jornalista Eliane Brum, que diz o que pensamos, sentimos e queremos.