25/10/2023
me enviou um texto para der usado como referência teórica na construção da carta manifesto da e quero compartilhar uns trechos com os seguidores da nossa página, texto esse que fala do indígena em contexto urbano, veja aí.
" Porém, a ideia de que um indígena o deixa de ser por morar na cidade, e assim “civiliza-se”, é extremamente preconceituosa. Pensar o indígena em contexto urbano exige atuar contra estereótipos. Ao se afirmar que o indígena não é mais indígena ao viver na cidade é negá-lo direitos fundamentais: o de ir e vir e o direito de ser o que originalmente se é. A cidade também deve ser um local de afirmação dos direitos indígenas!
Além da exclusão territorial, há também a exclusão cultural. É comum ouvir que o indígena que vive na cidade não é mais indígena pois “perdeu a sua cultura”. Com isso, nega-se mais um direito: o de ser indígena.
Mais do que vestimenta, ou pinturas corporais, ou hábitos alimentares, é preciso olhar como os indígenas vivem seu dia a dia em sua casa e entre os seus. O que faz do indígena ser indígena é o tripé tradição, cultura e espiritualidade. E é nesse tripé que vem também a diversidade, pois cada um destes mais de 54 povos têm suas peculiaridades. Pankararu, um dos maiores grupos indígenas de São Paulo, é diferente de Pankararé (outro grupo grande em SP), que é diferente dos Guarani, que é diferente dos Pankará, Xavante, Yanomami, Tariano, Kariri Xocó, Kaingang, Guarani Kaiowá, Pataxó, Terena, Guajajara, Pipipã, Tembé, Mayuruna, Wapichana etc.
Essas pessoas, além de terem acesso escasso às políticas públicas de forma geral, quando estão no contexto urbano também não são contempladas pelas políticas dedicadas aos povos indígenas. Por exemplo, as campanhas de vacinação da gripe priorizam os indígenas como grupo de risco. Mas esse direito é negado para os indígenas que vivem nas cidades. Acesso ao sistema de cotas em universidades públicas e acesso ao mercado de trabalho são também dificuldades cotidianas destes povos..."
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/937793/indigenas-no-espaco-urbano-nao-foi-a-aldeia-que-chegou-na-cidade-mas-a-cidade-que-chegou-na-aldeia
Acesso em: 25/10/23