27/07/2026
A cada novo levantamento sobre a violência contra as mulheres no Brasil, os números revelam um cenário cada vez mais grave. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado na quinta-feira (23), mostram que praticamente todos os indicadores de violência contra mulheres e meninas no país cresceram no último ano. O dado mais assustador é o aumento dos feminicídios, que bateu recorde pelo quarto ano seguido.
Segundo o estudo, em 2025, 1.571 mulheres foram assassinadas por sua condição de mulher, um crescimento de 4% em relação ao ano anterior. Em 2021, foram registrados 1.347 casos; 1.455, em 2022; 1475, em 2023; e 1.504, em 2024.
O aumento ocorreu justamente em um período em que os homicídios de mulheres em geral diminuíram 5,5%. Ou seja, menos mulheres foram assassinadas em crimes comuns, mas mais mulheres foram mortas em decorrência da violência machista. Um dado que joga por terra o discurso misógino e de setores de extrema direita que ainda insistem em tentar descaracterizar a existência da violência de gênero.
Mas o feminicídio é só a ponta mais visível de um problema muito maior. Antes de serem assassinadas, milhares de mulheres passaram por ameaças, agressões físicas, perseguições e violência psicológica. Como destacam as pesquisadoras do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, “a violência de gênero costuma ser cumulativa, progressiva e escalonada. Raramente ela começa pelo ato mais grave”. Entre os indicadores que mais cresceram estão os casos de perseguição (o famoso stalking), a violência psicológica e, talvez o mais grave de todos, o descumprimento de medidas protetivas.
Como tem denunciado o Setorial de Mulheres da CSP-Conlutas, os números sobre a violência contra as mulheres é fruto de uma violência estrutural no capitalismo, sustentada pelo machismo, pelo racismo e pela incapacidade do Estado de proteger de verdade as mulheres. O manifesto da campanha nacional emergencial da Central afirma: O machismo mata. A omissão dos governos também!
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