12/07/2022
Nota do Movimento Correnteza sobre as eleições para a Reitoria da UFF - ANTÔNIO CLÁUDIO, NÃO!
Nos dias 21, 22 e 23 de Junho aconteceu o 1° turno das eleições para a reitoria da UFF e 56,01% da comunidade acadêmica que foi às urnas disse NÃO à gestão do atual reitor Antonio Claudio, uma vez que a chapa do Movimento UFF Democrática (chapa 2), a qual teve apoio do Movimento Correnteza por maior identif**ação com o programa político e pela defesa dos interesses dos estudantes, encabeçada pelos professores Wilson Madeira e Wladimir Tadeu, obteve 24,98% dos votos e a chapa 3, encabeçada pelos professores Roberto Salles e Izabel Paixão, obteve 31,03% dos votos.
Os últimos 8 anos em que Antônio Cláudio foi Vice-Reitor (2014-2018) e Reitor (2018-2022) foram marcados pelo não posicionamento de forma contundente aos ataques de Bolsonaro à UFF e às Universidades Públicas, visto que está gestão tentou e implementou várias medidas que não contrariavam este governo e seus discursos como:
Quando foi Vice-Reitor:
1. Antônio Cláudio aprovou a implementação da EBSERH através do CUV fora da Universidade, com a Guarda Municipal cercando o espaço e embaixo de gás de pimenta.
2. Criminalizou os estudantes de Rio das Ostras, com o envio de emails para toda comunidade acadêmica chamando de invasores os estudantes que ocuparam o prédio da reitoria após a não implementação há tempo da verba parlamentar de 1 milhão conquistada pelos estudantes para construção de bandejão no campus.
3. Impediu, através da reitoria, a realização do evento chamado “MoroMente” na Faculdade de Direito, organizada pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia juntamente com movimentos sociais e entidades, enquanto era realizada uma palestra sobre liberalismo no auditório do NAB/Campus da Praia Vermelha da UFF e com ingresso para participação no valor de R$ 15,00
Quando foi Reitor:
1. Permitiu que o TRE juntamente com a Policia Militar entrasse na Faculdade de Direito da UFF para retirar a bandeira Antifascista (o que não é considerado crime eleitoral) em 2018, sendo, na nossa opinião, um ataque às liberdades democráticas
2. Tentou implementar o Projeto Future-se, do Governo Federal, que visava alugar os prédios da UFF para empresas privadas, além de colocar a pesquisa e ciência produzida na nossa Universidade a serviço de grandes conglomerados do setor farmacêutico.
3. Atacou constantemente os servidores com a retirada das 30h semanais, conquista dos trabalhadores há anos, e a implementação do ponto eletrônico.
4. Passou decisões de caráter de interesse de toda a comunidade acadêmica do maior espaço de deliberação (o CUV) para conselhos inferiores, como com a implementação do ensino remoto sem garantia, em primeiro momento, das condições materiais mínimas para os estudantes estudarem, proposta que deveria ser colocada em pauta primeiramente no CUV.
5. Inaugurou novos prédios do Instituto sem a garantia da utilização imediata.
5. Teve descompromisso com os estudantes que se inscreveram nos editais de bolsas da UFF no início deste ano, e que só começaram a receber em Julho, após ter sido adiado o resultado 3 vezes e só após grande mobilização estudantil.
Acreditamos que o momento em que vivemos é de total alerta, visto que, além de todos os ataques feitos por Bolsonaro e seus representantes de direita de estrangular o orçamento das Universidades Públicas, de implentar cobrança de mensalidade, de acabar com o direito as cotas e privatizar o patrimônio cientifico e material dos Institutos Federais de Ensino, esse governo, prevendo ainda uma derrota eleitoral nas urnas, ameaça a democracia do país, convocando um ato pela intervenção militar no dia 7 de setembro.
Nesse sentido, acreditamos que é extremamente necessário que a nova gestão de reitoria não seja um representante das medidas antidemocráticas deste governo, como foi no decorrer desses anos, e que tenha posições claras sobre a defesa da Universidade Pública e da democracia em nosso país. Portanto, a Reitoria não pode ser a primeira a não questionar as medidas antidemocráticas, de privatização da Universidade Pública e de implementação de medidas de retirada de direitos dos servidores, como também foi feito nesse período.
Por isso, nós do Movimento Correnteza dizemos: ANTÔNIO CLÁUDIO, NÃO!