Rondônia Além da História

Rondônia Além da História Página dedicada sobre a história, turismo e atualidade de Rondônia e Amazônia.

San Antonio Prisoners 1910
01/08/2026

San Antonio Prisoners 1910

Prisioneiros da cadeia de Santo Antônio. 1910

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30/07/2026

Major Aluízio Ferreira, first governor of the Territory of Guaporé (Rondonia), and the railwayman Charles Schokness, builder of the Madeira-Mamoré Railway.

O Major Aluízio Ferreira, primeiro governador do Território do Guaporé (Rondônia), e o ferroviário Charles Schokness, construtor da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Who remembers the Cruzeiro do Sul airplanes at Porto Velho airport, Rondonia, in the 70s?
29/07/2026

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Quem lembra dos aviões da Cruzeiro do Sul no aeroporto de Porto Velho, Rondônia, nos anos 70?

Post Office - Old Port, Rondonia - 1960sPresident Dutra Avenue with September Seven.
29/07/2026

Post Office - Old Port, Rondonia - 1960s
President Dutra Avenue with September Seven.

Correios - Porto Velho, Rondônia - Anos 60
Avenida Presidente Dutra com Avenida Sete de Setembro.

Banco da Amazônia, Guajará-Mirim - Rondônia. Ano de 1973.
28/07/2026

Banco da Amazônia, Guajará-Mirim - Rondônia. Ano de 1973.

IVO CASSOL: A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE UM DOS GOVERNADORES QUE MARCOU A HISTÓRIA DE RONDÔNIAA história política de Rondôni...
27/07/2026

IVO CASSOL: A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE UM DOS GOVERNADORES QUE MARCOU A HISTÓRIA DE RONDÔNIA

A história política de Rondônia é relativamente recente. Transformado em Estado pela Lei Complementar nº 41, de 22 de dezembro de 1981, e oficialmente instalado em 4 de janeiro de 1982, Rondônia passou por um acelerado processo de crescimento populacional, expansão econômica e consolidação de suas instituições públicas. Em pouco mais de quatro décadas, diferentes líderes políticos participaram da construção desse novo Estado, cada um deixando sua contribuição, suas escolhas administrativas e também suas controvérsias.

Entre esses personagens está Ivo Narciso Cassol, que exerceu os cargos de prefeito de Rolim de Moura por dois mandatos, governador de Rondônia durante oito anos consecutivos, entre 2003 e 2010, e senador da República entre 2011 e 2019. Sua trajetória política coincidiu com um dos períodos de maior transformação econômica da história rondoniense, marcado pela expansão do agronegócio, pelo fortalecimento da infraestrutura estadual, pela construção das hidrelétricas do rio Madeira e por importantes mudanças na organização administrativa do Estado.

Nascido em 20 de janeiro de 1959, no município de Concórdia, em Santa Catarina, Cassol pertence à geração de famílias que migrou para Rondônia durante o processo de colonização incentivado pelo Governo Federal nas décadas de 1970 e 1980. Assim como milhares de migrantes vindos principalmente da Região Sul, sua família se estabeleceu na Zona da Mata rondoniense, região que experimentava rápida expansão da agricultura, da pecuária e da atividade madeireira.

Foi nesse ambiente de crescimento econômico e formação de novos municípios que iniciou sua trajetória empresarial, atuando nos setores madeireiro, agropecuário, de construção civil e geração de energia. A experiência adquirida junto ao setor produtivo influenciaria sua visão administrativa e o perfil de gestão que apresentaria ao longo da carreira política, caracterizado pela defesa da infraestrutura, do desenvolvimento econômico e da aproximação entre o Governo Estadual e os municípios.

A chegada à política

Após uma tentativa frustrada de disputar a Prefeitura de Rolim de Moura em 1992, Cassol voltou a concorrer nas eleições municipais de 1996, sendo eleito prefeito. Em 1º de janeiro de 1997, assumiu o comando do município, iniciando uma administração marcada pelo acompanhamento pessoal das obras, contato frequente com a população e forte investimento em infraestrutura urbana e rural.

Durante o mandato, priorizou a recuperação de ruas, estradas vicinais e equipamentos públicos, além de fortalecer a estrutura administrativa da prefeitura. A atuação no município lhe rendeu projeção estadual e reconhecimento em premiações voltadas à gestão pública, consolidando sua imagem como um gestor de perfil executivo.

Reeleito em 2000, iniciou seu segundo mandato em 1º de janeiro de 2001, aprofundando políticas voltadas à infraestrutura, ao apoio ao setor produtivo e à modernização da administração municipal.

A eleição para o Governo de Rondônia

Nas eleições de 2002, apresentou-se como candidato ao Governo de Rondônia defendendo reorganização administrativa, equilíbrio fiscal, fortalecimento dos municípios e ampliação dos investimentos em infraestrutura.

Eleito governador, tomou posse em 1º de janeiro de 2003, assumindo um Estado que enfrentava limitações financeiras, necessidade de reorganização administrativa e crescente demanda por investimentos públicos.

Os primeiros anos da gestão foram marcados pela revisão de contratos administrativos, contenção de despesas e reorganização das finanças estaduais. Uma das principais bandeiras de seu governo passou a ser a regularidade no pagamento da folha salarial dos servidores estaduais, frequentemente destacada como resultado da política de ajuste fiscal adotada pela administração.

Infraestrutura e municipalismo

A infraestrutura tornou-se o principal eixo de seus dois mandatos.

O Governo ampliou investimentos na recuperação das rodovias estaduais, fortaleceu a estrutura operacional do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER) e promoveu programas voltados à pavimentação, manutenção de pontes e recuperação de estradas vicinais.

Em um Estado cuja economia depende fortemente da agropecuária, melhorar as condições das estradas significava facilitar o transporte escolar, reduzir custos logísticos e garantir melhores condições para o escoamento da produção rural.

Outra característica marcante de sua administração foi o fortalecimento do chamado municipalismo. Cassol manteve relação próxima com prefeitos e vereadores dos 52 municípios rondonienses, celebrando convênios para obras de infraestrutura, aquisição de máquinas, construção de pontes e melhorias urbanas.

Esse modelo aproximou o Governo Estadual das administrações municipais e ampliou significativamente a presença do Executivo no interior do Estado.

Agricultura, saúde, educação e segurança

Durante seus oito anos de governo, a agropecuária consolidou-se como um dos principais motores da economia rondoniense.

A administração estadual incentivou a recuperação de estradas rurais, apoiou programas de mecanização agrícola, fortaleceu a assistência técnica e ampliou investimentos destinados à agricultura familiar, pecuária e cafeicultura.

Na saúde pública, promoveu melhorias em hospitais regionais, aquisição de equipamentos e descentralização de parte dos serviços especializados.

Na educação, investiu na recuperação da infraestrutura escolar e na expansão da rede estadual de ensino.

Na segurança pública, foram adquiridas novas viaturas, equipamentos e ampliada a estrutura operacional das forças policiais.

A reeleição e as transformações econômicas

Em 1º de outubro de 2006, Cassol foi reeleito governador ainda no primeiro turno, iniciando o segundo mandato em 1º de janeiro de 2007.

O novo governo coincidiu com um dos períodos de maior crescimento econômico da história recente de Rondônia.

Em 2007, foram realizados os leilões das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, dando início ao maior ciclo de investimentos privados já registrado no Estado. A construção das usinas alterou profundamente a economia de Porto Velho, provocando crescimento populacional acelerado e aumento da demanda por infraestrutura, saúde, educação, segurança pública e habitação.

Durante esse período, Cassol participou das discussões sobre compensações financeiras decorrentes dos empreendimentos e defendeu maior participação de Rondônia nos benefícios econômicos gerados pelas hidrelétricas.

O Centro Político Administrativo

Entre os projetos estruturantes concebidos durante seu governo destacou-se o Centro Político Administrativo (CPA).

A proposta previa reunir secretarias e órgãos estaduais em um único complexo administrativo, reduzindo despesas com imóveis alugados e modernizando a estrutura do Poder Executivo.

Embora concebido durante a gestão Cassol, o empreendimento foi executado ao longo dos anos seguintes. Em 2015, o complexo começou a ser ocupado pela administração estadual e recebeu o nome de Palácio Rio Madeira. Na ocasião, o então governador Confúcio Moura declarou publicamente que a concepção do projeto havia ocorrido na gestão de Ivo Cassol e informou que faria um ato oficial de inauguração reconhecendo essa iniciativa.

Operação Dominó

Em agosto de 2006, Rondônia viveu uma das maiores crises políticas de sua história com a deflagração da Operação Dominó, conduzida pela Polícia Federal.

A investigação apurou suspeitas de corrupção envolvendo integrantes de diferentes instituições estaduais e produziu forte impacto político.

Durante o episódio, Cassol apresentou gravações às autoridades, afirmando sofrer tentativas de extorsão por parte de agentes públicos investigados. O caso ganhou repercussão nacional e permanece como um dos episódios mais relevantes da história institucional do Estado.

Senado Federal

Em 31 de março de 2010, renunciou ao Governo de Rondônia para disputar uma vaga no Senado Federal, transmitindo o cargo ao vice-governador João Cahulla.

Nas eleições daquele ano foi eleito senador e tomou posse em 1º de fevereiro de 2011. Durante o mandato, que se estendeu até 2019, atuou principalmente em temas ligados à agricultura, infraestrutura, energia, desenvolvimento regional e defesa dos municípios rondonienses. Também participou de comissões permanentes e destinou emendas parlamentares para diversas áreas do Estado.

Os processos judiciais

Paralelamente à atuação parlamentar, prosseguiram processos judiciais relacionados ao período em que exerceu a Prefeitura de Rolim de Moura.

O caso de maior repercussão foi a Ação Penal 565, julgada pelo Supremo Tribunal Federal, referente a procedimentos licitatórios realizados entre 1998 e 2001. A condenação produziu efeitos na esfera eleitoral, com a incidência das regras previstas na Lei da Ficha Limpa, restringindo sua participação em disputas eleitorais posteriores.

Ao longo de todo o processo, a defesa apresentou recursos e sustentou teses jurídicas buscando a revisão de aspectos da condenação, utilizando os instrumentos previstos na legislação brasileira.

Um legado que continua em debate

A trajetória de Ivo Cassol permanece objeto de avaliações distintas.

Seus apoiadores destacam a reorganização das finanças estaduais, a regularidade no pagamento da folha dos servidores, os investimentos em infraestrutura, o fortalecimento do DER, a proximidade com os municípios e o incentivo ao desenvolvimento do setor produtivo.

Já seus críticos apontam a centralização das decisões administrativas, os conflitos institucionais, os embates com órgãos federais e os desdobramentos judiciais que marcaram sua carreira.

Independentemente das diferentes interpretações, é difícil compreender a história política de Rondônia sem considerar a influência exercida por Ivo Cassol. Prefeito por dois mandatos, governador durante oito anos consecutivos e senador da República, tornou-se uma das figuras mais influentes da política rondoniense desde a redemocratização.

REFERÊNCIAS DOCUMENTAIS E BIBLIOGRÁFICAS

Para uma publicação, eu substituiria as referências genéricas por uma bibliografia mais robusta, como:

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Lei nº 8.666/1993 (Lei de Licitações, vigente à época dos fatos).
Lei Complementar nº 135/2010 (Lei da Ficha Limpa).
Supremo Tribunal Federal – Ação Penal 565 (acórdãos, votos e decisões).
Tribunal Superior Eleitoral – decisões sobre registros de candidatura e inelegibilidade de Ivo Cassol.
Senado Federal – perfil parlamentar, discursos, proposições e atuação em comissões.
Governo do Estado de Rondônia – Relatórios de Gestão (2003–2010).
Secretaria de Estado do Planejamento de Rondônia (SEPOG) – Planos Plurianuais e relatórios fiscais.
Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER-RO) – relatórios de obras e infraestrutura.
Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) – pareceres e prestações de contas do período.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – indicadores econômicos e demográficos.
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) – documentação sobre os projetos de colonização de Rondônia.
Banco da Amazônia e Banco Central do Brasil – dados econômicos relativos ao crescimento regional.
Polícia Federal – informações públicas sobre a Operação Dominó.
Superior Tribunal de Justiça (STJ) – decisões relacionadas à Operação Dominó e seus desdobramentos.
Sua história reúne crescimento econômico, obras estruturantes, forte apoio popular, crises políticas, debates institucionais e decisões judiciais. Como ocorre com personagens de grande protagonismo, seu legado continua sendo objeto de estudo, debate e diferentes interpretações, permanecendo como parte importante da história contemporânea de Rondônia.

Velho Colorau, no garimpo do Rio Madeira - Anos 80Foto: Amadeu Hermes
25/07/2026

Velho Colorau, no garimpo do Rio Madeira - Anos 80
Foto: Amadeu Hermes

Madeira River: The vital artery of the Western Amazon and the structuring axis of RondoniaThe Madeira River has a total ...
24/07/2026

Madeira River: The vital artery of the Western Amazon and the structuring axis of Rondonia

The Madeira River has a total length of approximately 3,315 kilometers (with variations between 3,240 km and 3,315 km depending on official measurement), occupying the position of the 17th largest river in the world in length and consolidating itself as one of the major tributaries of the Amazon River Basin. Born in the Andes Range from the junction of important Andean rivers, such as Beni, Mamoré and Madre de Dios, the spring runs through lands of Peru, Bolivia and Brazil, where it takes a journey of approximately 1,425 km in the Brazilian stretch to its mouth in Amazon River

In addition to its high socio-environmental value, the river is a strategic pillar for navigation and regional integration in the states of Rondonia and Amazon. Its navigable stretch of about 1,060 km, located between Porto Velho (RO) and Itacoatiara (AM), functions as a fundamental waterway for cargo discharge and supplying local populations.

Biodiversity and the profound contemporary impacts on the dynamics of water
Long before the arrival of Europeans, the drain of the Madeira River was already consolidating as one of the richest ecosystems on the planet. The river is home to about a thousand species of cataloged fish, boasting one of the world's largest ichtiological diversity. Historically, the natural regime of the river sustained large migratory routes and the piracema of species fundamental to the economy and the river culture, such as the goldfish, pyramutaba, jaraqui and to***co, which overcame natural streams to perform spawning and ensure the fertility of the vultures by means from the dragging of millions of tons of sediment and organic matter originating from the Andean basins.

With the deployment of the hydroelectric complex in the region, made up of the Santo António and Jirau Hydroelectric Plants, this ecological landscape has undergone profound transformations. Scientific studies, environmental monitoring, and reports from local communities and fishermen suggest that dams have fragmented the ecosystem and created severe barriers for large-scale migratory fish, such as the large marathon catfish. This prompted an intense scientific debate on the direct impact on aquatic wildlife reproduction and decline in fishing productivity, challenges that prompted the installation of Fish Translation Systems by concessionary consortiums in an attempt to mitigate the effects on the binational and national stretch.

The meaning of the original name and the natural barrier of the waterfalls
Before it was christened as the Madeira River, a name given by Portuguese navigators due to the enormous amount of tree trunks pulled by the current from the dense forests and Andean slopes, the river was named by the native people of Caiari.

Another landmark element of its original geography was the stretch of approximately 300 kilometers between Porto Velho and the Bolivia border, originally taken by 19 large jumps and cascading slopes, such as Teotony, Santo Antony and Jirau. This impassable natural obstacle has prevented continuous river navigation for centuries and eventually motivated, later, the tragic and monumental construction of the Madeira-Mamoré Railway between 1907 and 1912, designed to enable the flow of Bolivian rubber into the international market.

Colonial geopolitics and the route of the flags
The exploration of the Madeira River valley represented a titanic challenge for the Iberian colonizers in the 17th and 18th centuries, serving as a route to the ambitious incursions into the interior of the South American continent. Pedro Teixeira's expedition in 1637 marked the moment when the Portuguese sea captain broke key river routes that would consolidate Lusitanian dominance in the Western Amazon, amid intense territorial disputes with the Spanish Crown.

A decade later, the monumental crossing of Raposo Tavares in 1647 showed the daring of the time. Starting from São Paulo, the flag bearer commanded one of the longest and daring river voyages in colonial history, crossing complex hydrographic systems down the ancient Caiari River towards Para. The journey proved the feasibility of interconnecting the south to the north of the continent through the forest, albeit highlighting the dangers of the slopes.

Years later, in 1728, the Jesuit missionaries (specifically the priests João de San Payo and Manuel Fernandes), setting religious and territorial landmarks on the right bank of the river, a point that centuries later would gain global prominence with the cycle of extrativism.

The rubber cycle and the foundation of Porto Velho
The Madeira River took on a leading role during the height of the rubber cycle in the Amazon, between the late 19th and the early decades of the 20th century. Amazon Steam Navigation Company's formidable steamboats sailed through its waters, transporting goods, adventurers, engineers and workers from around the world. These ships connected Manaus to the ports of Santo Anthony do Madeira, a town erected in the same place where, on March 20, 1728, Jesuit priests John de San Payo (or Sam Payo) and Manuel Fernandes had founded the first religious mission in the region.

From this commercial and industrial dynamic, the city of Porto Velho was born, officially created on October 2, 1914. The population grew from the camp constructed in 1907 to the construction of the Madeira-Mamoré Railway, arising precisely because the Sano Antônio slopes made it difficult for large boats to dock. The new locality is located at the foot of the old waterfall as the construction site of neuralgic construction and strategic port terminal for the unloading of locomotives, rails and heavy materials from the railway.

A chegada de Theodore Roosevelt e o mundo industrial
In 1913, the Madeira Basin entered the international science map for good with the famous Rondon-Roosevelt Science Expedition. Accompanied by Marshal Candido Rondon, the former President of the United States, Theodore Roosevelt, integrated the mission that mapped and mapped the then unknown River of Douvida, a strategic tributary of the Madeira River basin.

The journey was marked by shipwrecks, relentless tropical fevers, insect bites and extreme food shortages, dramatic episodes that almost cost the American his life. As a result, the mapped waterway was officially renamed the Roosevelt River, projecting the geographical dilemmas, grandeur, and dangers of the Amazon Rainforest into the pages of newspapers across the industrialized world.

Between biblical floods and historical droughts: the extremes of modern environmental collapse
If the past was shaped by pioneers navigation and biological richness, the present of the Madeira River has been dictated by drastic climate upheaval, turning the hydrological regime into a global warning signal. The destructive power of water reached its peak in modern history on March 30, 2014, when the level of rule in Porto Velho skyrocketed to a colossal and unprecedented mark of 19.74 meters. Driven by torrential rains concentrated in the Bolivian and Andean basin, the overflow isolated districts, flooded dozens of neighborhoods in the Rondonian capital, compromised strategic sections of the federal highway BR-364 and demanded the preventive stoppage of hydroelectric power turbines due to excessive debris and extreme turbidity.

In contrast, recent cycles have scrapped climate vulnerability with unprecedented droughts, intensified by factors such as abnormal North Atlantic warming and the El Niño phenomenon. At the end of September 2024 the Madeira River splashed into the unbelievable 25 centimeter spiralty in Porto Velho, the lowest official quota in nearly six decades of systematic measurements by the Geological Service of Brazil. With the bed transformed into a desert setting of exposed ancestral rocks and monumental sandbanks, large bulk train navigation has been severely restricted and forbidden at night. This has increased the freight of inputs, isolated river communities dependent solely on river transport, and put the water supply and energy generation at risk.

The path of the Madeira River remains inseparable from the identity of Rondonia, constituting a path of extremes where the exuberance and fragility of nature constantly challenge human resilience, science and regional planning.

Bibliographical and Historical References
Historical and Cartographic Acervo of the Madeira River — Geographical data and official measurements on expansions and water basins of the Central and Western Amazon.

FERREIRA Manoel Rodrigues. The Devil's Railway: History of the Madeira-Mamoré Railway. São Paulo: Publishing House (Documentation about the 1907 camp, steam transport and foundation of Porto Velho).

HARDMAN, Francisco Foot. Ghost Train: Modernity Jungle. São Paulo: Company of Lyrics (Records of Amazon Steam Navigation Co. and the rubber cycle in the Madeira basin).

Jesuit Missionary Records in the Colonial Amazon (1728) — Historical documentation on the foundation of the Arraial de Santo António das Cachoeiras by priests João de San Payo and Manuel Fernandes.

Municipal Secretariat of Communication of Porto Velho (SECOM/PVH) - Official files and notes on the chronology of the creation of the municipality of Porto Veljo (Law no. 757 of October 2, 1914).

Rio Madeira: A artéria vital da Amazônia Ocidental e o eixo estruturante de Rondônia

O Rio Madeira possui uma extensão total aproximada de 3.315 quilômetros (com variações entre 3.240 km e 3.315 km dependendo da medição oficial), ocupando a posição de 17º maior rio do mundo em comprimento e consolidando-se como um dos principais afluentes da Bacia do Rio Amazonas. Nascido na Cordilheira dos Andes a partir da junção de importantes rios andinos, como o Beni, o Mamoré e o Madre de Dios, o manancial percorre terras do Peru, da Bolívia e do Brasil, onde cumpre um trajeto de aproximadamente 1.425 km no trecho brasileiro até a sua foz no Rio Amazonas.

Além do seu alto valor socioambiental, o rio é um pilar estratégico para a navegação e a integração regional nos estados de Rondônia e Amazonas. Seu trecho navegável de cerca de 1.060 km, situado entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM), funciona como uma hidrovia fundamental para o escoamento de cargas e o abastecimento das populações locais.

A biodiversidade e os profundos impactos contemporâneos na dinâmica das águas
Muito antes da chegada dos europeus, a calha do Rio Madeira já se consolidava como um dos ecossistemas mais ricos do planeta. O rio abriga cerca de mil espécies de peixes catalogadas, ostentando uma das maiores diversidades ictiológicas do mundo. Historicamente, o regime natural do rio sustentava grandes rotas migratórias e a piracema de espécies fundamentais para a economia e a cultura ribeirinha, como a dourada, a piramutaba, o jaraqui e o tambaqui, que venciam as corredeiras naturais para realizar a desova e garantir a fertilidade das várzeas por meio do arraste de milhões de toneladas de sedimentos e matéria orgânica originários das bacias andinas.

Com a implantação do complexo hidrelétrico na região, composto pelas Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, esse cenário ecológico sofreu profundas transformações. Estudos científicos, monitoramentos ambientais e relatos de comunidades locais e pescadores apontam que as barragens fragmentaram o ecossistema e criaram barreiras severas para os peixes migrantes de grande porte, a exemplo dos grandes bagres maratonistas. Isso gerou um intenso debate científico sobre o impacto direto na reprodução da fauna aquática e na queda de produtividade pesqueira, desafios que motivaram a instalação de Sistemas de Transposição de Peixes pelos consórcios concessionários na tentativa de mitigar os efeitos no trecho binacional e nacional.

O significado do nome original e a barreira natural das cachoeiras
Antes de ser batizado como Rio Madeira, denominação dada pelos navegadores portugueses em virtude da enorme quantidade de toras de árvores arrastadas pela correnteza desde as florestas densas e encostas andinas, o rio era chamado pelos povos nativos de Caiari.

Outro elemento marcante de sua geografia original era o trecho de aproximadamente 300 quilômetros entre Porto Velho e a fronteira com a Bolívia, originalmente tomado por 19 grandes saltos e corredeiras encachoeiradas, como Teotônio, Santo Antônio e Jirau. Esse obstáculo natural intransponível impediu a navegação fluvial contínua por séculos e acabou motivando, mais tarde, a trágica e monumental construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré entre 1907 e 1912, concebida para viabilizar o escoamento da borracha boliviana para o mercado internacional.

A geopolítica colonial e a rota dos bandeirantes
A exploração do vale do Rio Madeira representou um desafio titânico para os colonizadores ibéricos nos séculos XVII e XVIII, servindo de rota para as ambiciosas incursões rumo ao interior do continente sul-americano. A expedição de Pedro Teixeira em 1637 marcou o momento em que o capitão-mor português desbravou rotas fluviais fundamentais que consolidariam o domínio lusitano na Amazônia Ocidental, em meio a disputas territoriais intensas com a Coroa Espanhola.

Uma década mais tarde, a travessia monumental de Raposo Tavares em 1647 mostrou a ousadia da época. Partindo de São Paulo, o bandeirante comandou uma das viagens fluviais mais longas e audaciosas da história colonial, cruzando sistemas hidrográficos complexos até descer o antigo rio Caiari em direção ao Pará. A jornada provou a viabilidade de interligar o sul ao norte do continente por dentro da floresta, ainda que escancarando os perigos das corredeiras.

Anos depois, em 1728, quem criou o arraial de Santo Antônio das Cachoeiras foram os missionários jesuítas (especificamente os padres João de San Payo e Manuel Fernandes), fixando marcos religiosos e territoriais na margem direita do rio, ponto que séculos mais tarde ganharia proeminência mundial com o ciclo do extrativismo.

O ciclo da borracha e a fundação de Porto Velho
O Rio Madeira assumiu papel protagonista durante o apogeu do ciclo da borracha na Amazônia, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Pelas suas águas navegavam os imponentes barcos a v***r da Amazon Steam Navigation Company, transportando mercadorias, aventureiros, engenheiros e trabalhadores de diversas partes do mundo. Essas embarcações ligavam Manaus aos portos de Santo Antônio do Madeira, povoado erguido no mesmo local onde, em 20 de março de 1728, os padres jesuítas João de San Payo (ou Sam Payo) e Manuel Fernandes haviam fundado a primeira missão religiosa da região.

Dessa dinâmica comercial e industrial nasceu diretamente a cidade de Porto Velho, criada oficialmente em 2 de outubro de 1914. A povoação cresceu a partir do acampamento estruturado em 1907 para a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, surgindo justamente porque as corredeiras de Santo Antônio dificultavam a atracação dos grandes barcos. A nova localidade despontou no sopé da antiga cachoeira como o canteiro de obras nevrálgico e terminal portuário estratégico para a descarga de locomotivas, trilhos e materiais pesados da ferrovia.

A chegada de Theodore Roosevelt e o mundo industrial
Em 1913, a bacia hidrográfica do Madeira entrou de vez no mapa da ciência internacional com a célebre Expedição Científica Rondon-Roosevelt. Acompanhado pelo Marechal Cândido Rondon, o ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, integrou a missão que mapeou e cartografou o então desconhecido Rio da Dúvida, um afluente estratégico da bacia do Rio Madeira.

A jornada foi marcada por naufrágios de embarcações, febres tropicais implacáveis, picadas de insetos e escassez extrema de alimentos, episódios dramáticos que quase custaram a vida do estadunidense. Como resultado, o curso d’água mapeado foi batizado officially como Rio Roosevelt, projetando os dilemas geográficos, a grandiosidade e os perigos da floresta amazônica para as páginas dos jornais de todo o mundo industrializado.

Entre cheias bíblicas e secas históricas: os extremos do colapso ambiental moderno
Se o passado foi moldado pela navegação dos pioneiros e pela riqueza biológica, o presente do Rio Madeira tem sido ditado por reviravoltas climáticas drásticas, transformando o regime hidrológico em um sinal de alerta global. O poder destrutivo das águas atingiu seu ápice na história moderna em 30 de março de 2014, quando o nível da régua em Porto Velho disparou até alcançar a marca colossal e inédita de 19,74 metros. Impulsionado por chuvas torrenciais concentradas na bacia boliviana e andina, o transbordamento isolou distritos, inundou dezenas de bairros da capital rondoniense, comprometeu trechos estratégicos da rodovia federal BR-364 e exigiu a paralisação preventiva das turbinas das hidrelétricas devido ao volume excessivo de detritos e à turbidez extrema.

Em contrapartida, os ciclos recentes escancararam a vulnerabilidade climática com secas sem precedentes, intensificadas por fatores como o aquecimento anômalo do Atlântico Norte e o fenômeno El Niño. No final de setembro de 2024, o Rio Madeira despencou para o patamar inacreditável de 25 centímetros em Porto Velho, a menor cota oficial em quase seis décadas de medições sistemáticas do Serviço Geológico do Brasil. Com o leito transformado em um cenário desértico de rochas ancestrais expostas e bancos de areia monumentais, a navegação de grandes comboios graneleiros foi severamente restringida e proibida à noite. Isso encareceu o frete de insumos, isolou comunidades ribeirinhas dependentes exclusivamente de transporte fluvial e colocou sob risco o abastecimento hídrico e a geração de energia.

A trajetória do Rio Madeira permanece indissociável da identidade de Rondônia, constituindo uma via de extremos onde a exuberância e a fragilidade da natureza desafiam constantemente a resiliência humana, a ciência e o planejamento regional.

Referências Bibliográficas e Históricas
Acervo Histórico e Cartográfico do Rio Madeira — Dados geográficos e medições oficiais sobre extensores e bacias hidrográficas da Amazônia Central e Ocidental.

FERREIRA, Manoel Rodrigues. A Ferrovia do Diabo: História da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. São Paulo: Editora Melhoramentos. (Documentação sobre o acampamento de 1907, transporte a v***r e fundação de Porto Velho).

HARDMAN, Francisco Foot. Trem Fantasma: A modernidade na selva. São Paulo: Companhia das Letras. (Registros sobre a navegação da Amazon Steam Navigation Co. e o ciclo da borracha na bacia do Madeira).

Registros Missionários Jesuítas na Amazônia Colonial (1728) — Documentação histórica sobre a fundação do Arraial de Santo Antônio das Cachoeiras pelos padres João de San Payo e Manuel Fernandes.

Secretaria Municipal de Comunicação de Porto Velho (SECOM/PVH) — Arquivos e notas oficiais sobre a cronologia de criação do município de Porto Velho (Lei nº 757 de 2 de outubro de 1914).

Endereço

Porto Velho
Pôrto Velho, RO
76804421

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