25/01/2026
NOSSA HISTÓRIA ⏳
PONTA GROSSA, 1937
Uma descrição do lugar em reportagem do jornal "Diário de Notícias"
Em reportagem da edição de 7 de setembro de 1937 do jornal “Diário de Notícias” (p.8), um anônimo jornalista faz a sua descrição da Ponta Grossa destacando a forma de vida simples dos seus moradores. O texto inicia propondo um paralelo com a situação da sede distrital, Belém Novo, então profundamente alterada pela implementação de novos loteamentos balneários (que também estavam sendo tentados na Ponta Grossa, a bem da verdade) — o texto foi reproduzido como no original.
"O distrito de Belém Novo, hoje, não será reconhecido por quem dele se afastou ha alguns anos passados. As estradas de cimento que o ligam á cidade, facilitando extraordinariamente os meios de comunicação, abriram caminho ao progresso. Hoje, é um ponto preferido, no verão, para os que querem fugir á canícula ou descançar do trabalho de todo o dia. Por isso, erguem-se edifícios novos, bangalôs confortaveis, chacaras e pomares bem organizados. Os meios de vida de sua população tambem sofreu variações, de acordo com o adiantamento que se verifica dia adia.
Entretanto, esse progresso não atingiu, ainda, as zonas marginais do Guaíba. Lá, hoje como ha anos passados, nada mudou. De espaço a espaço erguem-se choupanas, ou chalés pobres, mal construídos. Os seus moradores, gente humilde, em sua maioria dedicam-se aos mistéres da pesca, vindo vender o seu produto na cidade, onde se abastecem de mantimento. Após isso voltam [à] sua residencia. Nada faz mudar o ritmo de suas vidas, sob o qual nasceram e s[e] criaram. Tal é a vida em "Ponta Grossa", tres léguas da séde do distrito. Lá todos são pescadores ou agricultores, aqueles em numero bastante maior. Lá reside Alfredo Pesch, homem trabalhador, de bons constumes, com família, composta de sua esposa, d. Alvina, e seus filhos Alfredo, Vera, Arno, Lucia e Walderethe, com 10, 8, 7, 3 e um ano, respectivamente. Alfredo vive e sustenta a sua familia com o produto da pesca. É considerado com um dos melhores pescadores da zona. Dedica-se com carinho aos seus mistéres. Por isso, é dono de grande numero de redes, espinhéis, anzóes e outros apetrechos, que guarda cuidadosamente num galpão, junto á sua residência."
Referência bibliográfica
📚 A MORTE Misteriosa de uma Criança Movimenta a Polícia do 6º Distrito. Diário de Notícias, Porto Alegre, p.12, 7 set. 1937.
A publicação foi consultada na Hemeroteca do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, um tesouro da Cultura gaúcha. Agradecemos à sempre prestativa Equipe do Museu! 🥰