Criado em 1952 e chamado originalmente de CEUA, Centro de Estudantes Universitários de Arquitetura, o DAFA é a entidade de representação estudantil dos estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o primeiro curso de arquitetura do estado e até hoje um dos mais importantes do Brasil.
À época da fundação do DAFA, a Faculdade de Arquitetura da UFRGS e
ra ainda uma recém-nascida, resultado do impulso da mobilização estudantil e do curso então existente no Instituto de Belas Artes, ao qual foi fundido o curso de arquitetura da Escola de Engenharia, criado para rivalizar com o primeiro. Cabe registrar que essa rivalidade se traduziu, posteriormente, em uma disputa de hegemonia dentro da nova unidade. Em 1957, é inaugurado o atual prédio da Faculdade, com uma área destinada especificamente ao Diretório Acadêmico e que o sedia até os dias de hoje, tendo passado por sucessivas transformações. Mais tarde, durante os anos 60, o DAFA e a Faculdade de Arquitetura se tornam um centro convulsionado de inquietações, por onde passavam as vanguardas políticas, estéticas e comportamentais de Porto Alegre. Em 1961, durante o episódio da Legalidade, nossos estudantes se colocaram na condição de auxiliares para o cadastramento de voluntários dispostos a formar “batalhões civis de resistência”. Em 1962, quando uma greve estudantil parou a Universidade por mais de setenta dias exigindo uma reforma da estrutura universitária, aderiram ao movimento e acamparam em frente à Reitoria. E em 1963, quando Havana sediou o primeiro Encontro de Estudantes de Arquitetura Latino-americanos e o VII Congresso da União Internacional de Arquitetos, com eloquentes discursos de Fidel e Che Guevara, lá estavam os nossos estudantes, depois de uma longa travessia do Atlântico a bordo de um navio soviético. Após o golpe de 1964, iniciou-se o cerco às forças progressistas e muitos estudantes e professores da UFRGS passaram a ser perseguidos em virtude de suas posições políticas. Foi instaurada na Universidade a CEIS, Comissão Especial de Investigação Sumária, cuja finalidade era ‘caçar’ os professores que a ditadura desejava expurgar. Cabe registrar que a Faculdade de Arquitetura foi a mais atingida pelos expurgos e que, à exceção de todas as outras, negou-se a indicar um representante para a CEIS. Quatro anos mais tarde, com o protagonismo do DAFA e inspiração na rebeldia do Maio de 68 na França, a Faculdade de Arquitetura praticamente parou para se repensar. Revoltados com a desorganização do curso e com a visão cultural e profissional imposta pelo Regime Militar, os estudantes lançaram o texto intitulado ‘O Nosso Ensino É Uma Farsa’, que deu nome ao movimento de reforma curricular do qual participavam. Colegas e professores eram induzidos pelo Diretório Acadêmico a se recusarem a assistir e/ou ministrarem aulas seguindo o conteúdo imposto. O final dos anos 60 também ficou marcado pelo Arqui-Samba, show musical produzido pelo DAFA e importante acontecimento da vida cultural da cidade. Entre 1965 e 1969, o DAFA trouxe a Porto Alegre nomes como Baden Powell, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Edu Lobo, Nara Leão, Gal Costa e Mutantes. E não só prestigiados músicos passaram pelo Diretório; o escritor italiano Umberto Eco realizou uma palestra no DAFA em 1966, ainda antes de ganhar fama.