29/11/2021
😍😍😍
Gostaria muito de compartilhar algo intenso que vivi aqui. Trata-se de um retorno inesperado de algo que comecei a fazer há 6 anos.
Hoje vivi um dos momentos mais emocionantes desde que comecei a escrever. Quando escrevi o Isaac no Mundo das Partículas tinha a intenção de registrar o diálogo que tive com Yuki (que, na época, tinha 9 anos). Tratava-se de uma criança e uma mãe que tinha acabado de voltar de uma viagem da Europa após ter feito um curso de física de partículas no maior laboratório de física do mundo.
Yuki me bombardeou de perguntas como fazem todas as crianças quando podem viver bem a infância. E para cada resposta que eu dava, ele me fazia mais e mais perguntas. O diálogo foi tão bacana e tudo que eu falava mexia tanto com a cabeça dele que pensei que outras crianças também poderiam gostar muito e tratei de registrar tudo.
Depois que o livro foi, de forma independente, publicado, precisava entrar em uma outra etapa, que era vender os livros. Inicialmente, Isaac no Mundo das Partículas não tinha editora - a despeito de eu ter oferecido para várias. Disseram que o custo era alto e que haveria “pouca saída”.
Consegui fazer a primeira publicação do livro com o dinheiro que recebi de direito autoral quando Isaac no Mundo das Partículas, antes de virar livro publicado, virou um espetáculo infantil pelas mãos de Joana Lebreiro e Camila Vidal com indicação para vários prêmios.
Lembro-me também que a gráfica mais barata que havia conseguido foi em São Paulo. Mas o frete era mais de mil reais dado o peso do livro. Fiz as contas com o preço da gasolina na época. Tomei coragem e lá fui eu sozinha de carro até São Paulo para buscar a primeira milha de Isaac. Dormi na casa da família linda do ilustrador do livro: Sergio Ricciuto. Rimos muito de toda aquela aventura de publicar um livro infantil, sem experiência alguma nisso e sem dinheiro.
O carro voltou lotado e até um pouco rebaixado. Fui sozinha e voltei com várias naves no banco da frente, no banco traseiro, na mala… todas prontas para decolar!
Depois disso, as outras remessas foram pagas com modesto lucro das anteriores.
Hoje, dos 7 mil Isaacs espallhados por este país, todos foram vendidos por mim desde 2018, quando foi sua primeira publicação. Sou eu que faço a propaganda (como vocês já devem estar cansados de ver). Sou eu os embrulho, coloco o endereço, vou aos Correios… tudo sempre com muito amor porque sei o quanto um livro pode modificar um país, quiçá um planeta. Grande parte do meu tempo é investido nesse projeto que considero tão importante quanto os demais que tenho em mente.
Quando qualquer professor ou professora desta bagaça chamada Brasil entrava em contato comigo, eu respondia quase que imediatamente. Se o problema era falta de orçamento da escola para adquirir os livros (e em todas as vezes era), eu doava quantos livros fossem necessários para a escola.
Há, então, umas vinte escolas municipais utilizando o Isaac no Mundo das Partículas. Parece pouco, e talvez seja. Mas é um número que me deixa muito feliz. Isso só foi possível porque houve professores e professoras (que, por acaso, em seguiam nas redes) querendo fazer um trabalho bacana de Ciências e eu aqui sem negar nenhum esforço para fazer divulgação científica, literalmente, no braço.
Já tive vários retornos, todos eles muito gratificantes.
O de hoje, porém, foi especial por uma soma de fatores. Pela conjuntura primeiramente. Pela delicadeza e pelo esforço da professora Patrícia em me colocar na sala de aula com a sua turma. Pelo trabalho que ela fez que durou semanas. Pelas ilustrações que as crianças fizeram de tão imersas e empolgadas que ficaram com a história. Pelas perguntas que cada criança me fez, sendo uma delas “Qual foi a parte mais difícil de escrever neste livro e qual foi a que mais te agradou?”.
Ora ora, que presente essa pergunta, gente…
A parte mais difícil foi a primeira frase porque o mais difícil sempre é começar seja um livro seja qualquer outro grande projeto. A parte que mais me diverti...não consegui escolher. Lembro que ao terminar o último capítulo, chorei por ter terminado a melhor viagem que já fiz na minha vida. Cada capítulo foi um lugar especial que visitei com Isaac e Argo.
Enfim, mais uma vez, chorei. E é essa emoção gigante que quero compartilhar. Não há ninguém para abraçar aqui nesse momento e estou querendo muito abraçar todo mundo.
Fiz, então, o que faço quando estou descompensada: escrevo para quem puder e quiser me ler e, pela cumplicidade, equilibrar meu universo.
A nave de Isaac estacionou na Escola Municipal Maria Conceição Freire Salles em Guaratinguetá, as crianças entraram nela e viajaram por um dos mundos que considero um dos mais bonitos que temos por aí: o mundo das partículas.
O mundo da Ciência.
Como disse Clarice Lispector, felicidade é pouco. O que senti hoje não tem nome.
Obrigada, Patrícia, por tudo isso. Jamais esquecerei do que vivemos juntas nesta manhã de novembro de 2021.
Beijo nas suas crianças!
----------------------------
Em tempo, o livro agora está publicado pela Editora Livraria da Física. Se a escola tiver interesse, está bem mais fácil para adotá-lo.
Se quiser o livro autografado: https://pag.ae/7XKqEMUHJ